{"id":366,"date":"2009-12-10T13:05:01","date_gmt":"2009-12-10T15:05:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=366"},"modified":"2009-12-10T13:05:01","modified_gmt":"2009-12-10T15:05:01","slug":"encrenca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/encrenca","title":{"rendered":"ENCRENCA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><em><br \/>\n<\/em><br \/>\nO excesso de boas inten\u00e7\u00f5es embaladas em programas solid\u00e1rios alerta para uma realidade mais prosaica: a de que nos entregamos ao conflito por voca\u00e7\u00e3o e natureza e todo esfor\u00e7o em contr\u00e1rio soa falso. O normal \u00e9 a encrenca, especialmente entre os que est\u00e3o pr\u00f3ximos demais, como acontece nas trag\u00e9dias dom\u00e9sticas, conjugais ou n\u00e3o. Morder quem est\u00e1 perto \u00e9 um esporte consolidado, enquanto a id\u00e9ia de ajudar o vizinho \u00e9 t\u00e3o bizarra quanto rasgar dinheiro. Mas dizer isso \u00e9 pecado.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor acreditar no gesto de jogar pombas para o alto (que correm em dire\u00e7\u00e3o a um abrigo antes que algu\u00e9m lhe dirija algum chumbo quente) como representa\u00e7\u00e3o da paz. A experi\u00eancia ensina que a paz n\u00e3o depende de beijos no cora\u00e7\u00e3o. Pelo menos porque o \u00f3rg\u00e3o bombeador de sangue n\u00e3o pode ser beijado impunemente, sob pena de lambuzar o beijador.<\/p>\n<p>Pessoas realmente sinceras se xingam quando se encontram. \u00c9 a maneira humana de demonstrar apre\u00e7o. Esfor\u00e7os pela paz exigem sacrif\u00edcios tremendos, como foi o caso do Brasil na II Guerra. Os Estados Unidos precisavam do nosso apoio para reverter a situa\u00e7\u00e3o complicada na \u00c1frica, onde o nazismo avan\u00e7ava com sucessivas vit\u00f3rias e poderia se instalar solidamente para, dali, conseguir invadir o continente sul-americano.<\/p>\n<p>O governo brasileiro declarou ent\u00e3o guerra \u00e0 Alemanha e It\u00e1lia e, segundo Sumner Welles, subsecret\u00e1rio de Estado dos EUA, \u201ccolocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos todos os seus portos e deu ao nosso pa\u00eds, ao mesmo tempo,o uso livre de suas bases a\u00e9reas, em toda a regi\u00e3o do norte do pa\u00eds\u201d. O estadista americano reconheceu que \u201cesse auxilio tornou poss\u00edvel aos Estados Unidos lan\u00e7ar aquela grande ofensiva do Norte da \u00c1frica, a qual marcou uma mudan\u00e7a da mar\u00e9 da guerra contra a Alemanha e a It\u00e1lia\u201d.<\/p>\n<p>Vamos imaginar a posi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil do presidente Get\u00falio Vargas, que precisou convencer os brasileiros sobre a necessidade de tomar essa decis\u00e3o. Vargas compareceu pessoalmente \u00e0 despedida dos pracinhas da FEB, que foram lutar nos campos da Europa, e os recebeu na volta, depois da vit\u00f3ria. A paz se beneficiou do estadista que foi derrubado um ano depois, em 1945, por um golpe militar. O cr\u00e9dito ficou na m\u00e3o dos seus advers\u00e1rios pol\u00edticos, que o levaram ao suic\u00eddio dez anos depois, a 24 de agosto de 1954. Mas falar sobre esse tipo de encrenca tamb\u00e9m \u00e9 pecado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O excesso de boas inten\u00e7\u00f5es embaladas em programas solid\u00e1rios alerta para uma realidade mais prosaica: a de que nos entregamos ao conflito por voca\u00e7\u00e3o e natureza e todo esfor\u00e7o em contr\u00e1rio soa falso. O normal \u00e9 a encrenca, especialmente entre os que est\u00e3o pr\u00f3ximos demais, como acontece nas trag\u00e9dias dom\u00e9sticas, conjugais ou n\u00e3o. Morder quem est\u00e1 perto \u00e9 um esporte consolidado, enquanto a id\u00e9ia de ajudar o vizinho \u00e9 t\u00e3o bizarra quanto rasgar dinheiro. 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