{"id":3660,"date":"2012-05-09T19:24:31","date_gmt":"2012-05-09T22:24:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3660"},"modified":"2014-03-01T16:39:05","modified_gmt":"2014-03-01T19:39:05","slug":"medium-a-ordenacao-do-caos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/medium-a-ordenacao-do-caos","title":{"rendered":"MEDIUM: A ORDENA\u00c7\u00c3O DO CAOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Todos os dias o canal 43, Universal, da Net, apresenta a s\u00e9rie Medium, que foi ao ar originalmente entre 2005 e 2011. O autor, Glenn Gordon Caron, \u00e9 o mesmo de A Gata e o Rato, grade hit dos anos 80 com Cybill Shepherd e Bruce Willis. \u00c9 um escritor competente, engendra bem cada cap\u00edtulo sobre a colaboradora da pol\u00edcia, a m\u00e9dium Allison Dubois, interpretado por Patricia Arquette , casada com um dedicado Joe (Jake Weber), m\u00e3e de tr\u00eas filhas e\u00a0 amiga do policial Manuel Devalos (Miguel Sandoval). A s\u00e9rie faz parte da compet\u00eancia americana de ordenar o caos e colocar nos eixos tudo o que escapa, \u00e9 bizarro, violento, contradit\u00f3rio, anti-familiar, criminoso, disperso, ped\u00f3filo, drogado etc.<\/p>\n<p>A \u00e2ncora dessa ordena\u00e7\u00e3o \u00e9 o ambiente profissional incorrupt\u00edvel e o familiar, onde o marido, empreendedor tecnol\u00f3gico de remunera\u00e7\u00e3o oscilante, cuida da prole enquanto a esposa tenta interpretar seus sonhos para descobrir os criminosos. O esqueleto da narrativa n\u00e3o muda: personagens do crime aparecem para a m\u00e9dium, dormindo ou acordada, misturando sinais e colocando sempre em risco a sua profiss\u00e3o, uma habilidade bizarra num mundo racional. O truque \u00e9 simples: tudo pressiona contra a mediunidade, inclusive por parte da pr\u00f3pria sonhadora. Ela tamb\u00e9m se coloca em d\u00favida, assim como o seu entorno familiar e profissional. Mas no fim, por maneira transversa normalmente, consegue ajudar a elucidar o rolo.<\/p>\n<p>A m\u00e9dium \u00e9 um im\u00e3 para todo o caos que cerca a vida americana.\u00a0 Nela confluem as taras,o sangue, a brutalidade, as trai\u00e7\u00f5es. Ela est\u00e1 bem escudada, n\u00e3o apenas pela s\u00f3lida composi\u00e7\u00e3o familiar, mas principalmente pelo exerc\u00edcio da dedu\u00e7\u00e3o,que mesmo funcionando corre o risco de n\u00e3o dar em nada e confundir, j\u00e1 que deduzir cruza racionalidade (Dr. Watson) com imagina\u00e7\u00e3o criadora (Sherlock). No caso dela, a imagina\u00e7\u00e3o pode chegar ao del\u00edrio. Contra esse perigo est\u00e3o atentos marido, chefes e colegas. H\u00e1 sempre margem para a credibilidade, que some no in\u00edcio do epis\u00f3dio seguinte, para que as hist\u00f3rias sigam adiante. Partir do zero impulsiona o novo epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Os vil\u00f5es se dividem entre os que a temem, os que a ignoram, os que a perseguem, os que procuram uma ponte ou para engan\u00e1-la ou para ajud\u00e1-la a decifrar o mist\u00e9rio. Mas esse caos que pressiona o mundo adulto estaria isolado e sem for\u00e7a se as filhas da m\u00e9dium n\u00e3o entrassem na rota de colis\u00e3o. Principalmente a mais velha, Ariel\u00a0 (Sofia Vassilieva), adolescente que costuma dar o passo errado para, orientada pelo pais, se recompor no final. Ou ent\u00e3o para mostrar como a educa\u00e7\u00e3o que recebe est\u00e1 correta ao tomar a iniciativa de atitudes \u00e9ticas.<\/p>\n<p>Os americanos cuidam da descend\u00eancia, ao contr\u00e1rio do Brasil, que rifa sua meninada entregando-a \u00e0 sanha assassina e perversa. Os conflitos s\u00e3o os mesmos, o que muda entre as duas na\u00e7\u00f5es \u00e9 a responsabilidade. Uma crian\u00e7a que recebe educa\u00e7\u00e3o tradicional, alfabetizada, dentro de princ\u00edpios morais, religiosos ou n\u00e3o, mas rigorosos, pode depois muito bem abra\u00e7ar a radicalidade. N\u00e3o se pode \u00e9, desde a inf\u00e2ncia, encaminhar a garotada para a transgress\u00e3o esperando depois que cres\u00e7am libert\u00e1ria. N\u00e3o vai dar certo.<\/p>\n<p>Pode-se contestar essa auto-censura permanente da cultura americana que jamais abre a guarda e est\u00e1 atenta em favor de suas ideias fixas. Mas o fato \u00e9 que h\u00e1 uma base, um esqueleto que segura a criatura social complicada e m\u00faltipla (ou pelo menos eles insistem na representa\u00e7\u00e3o dessa ordem via ind\u00fastria do espet\u00e1culo). H\u00e1 uma tremenda repress\u00e3o nos EUA e Europa e toda a critica que se faz \u00e0s falsidades civilizat\u00f3rias procedem. Mas \u00e9 bom lembrar que a dial\u00e9tica se imp\u00f5e no jogo entre tradi\u00e7\u00e3o e ruptura. Medium estabelece um carrossel de conflitos que acabam sempre a favor dos protagonistas, \u00e9 claro. Pode parecer babaca e muitas vezes \u00e9. Mas a s\u00e9rie funciona e \u00e0s vezes \u00e9 at\u00e9 divertida. Costumo ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Todos os dias o canal 43, Universal, da Net, apresenta a s\u00e9rie Medium, que foi ao ar originalmente entre 2005 e 2011. 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