{"id":374,"date":"2009-12-10T13:08:28","date_gmt":"2009-12-10T15:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=374"},"modified":"2009-12-22T03:07:27","modified_gmt":"2009-12-22T05:07:27","slug":"dialetica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/dialetica","title":{"rendered":"DIAL\u00c9TICA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA conviv\u00eancia dos contr\u00e1rios \u00e9 a sa\u00fade mental do universo e o motivo principal da sua exist\u00eancia tal como o conhecemos. Alternar opostos garante a vida, basta imaginar o dia eterno da face exposta da Lua. Ou a perman\u00eancia da atual friaca por tempo indeterminado. As esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o o sinal mais expl\u00edcito do jogo dial\u00e9tico da realidade, que nos imp\u00f5e uma percep\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo dualista, j\u00e1 que as infinitas grada\u00e7\u00f5es geradas pelo confronto dos opostos \u00e9 algo que faz parte de \u00e9pocas remotas.<\/p>\n<p>Apesar da f\u00e1cil manipula\u00e7\u00e3o, via rede, ao que se fez de melhor no mundo, nos falta o b\u00e1sico: o ambiente sacudido por in\u00fameros criadores, que n\u00e3o comparecem mais no imagin\u00e1rio das massas \u00f3rf\u00e3s de luzes. O resultado \u00e9 o n\u00edvel raso da ind\u00fastria cultural, hegem\u00f4nica na sua agressividade, enquanto camadas profundas das obras do esp\u00edrito humano jazem em estantes altas, inacess\u00edveis, de bibliotecas de um pesadelo borgeano.<\/p>\n<p>Da mesma forma que a literatura \u00e9pica inspirou as grandes mudan\u00e7as do passado, hoje as a\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o pautadas pela percep\u00e7\u00e3o cevada na aus\u00eancia da dial\u00e9tica. Quando decretaram o caf\u00e9 como o vil\u00e3o dos alimentos, tive, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, de romper com o paradigma e voltar aos expressos, o que me curou definitivamente de persistente dor de cabe\u00e7a. N\u00e3o precisei esperar que os luminares da corre\u00e7\u00e3o alimentar voltassem atr\u00e1s e pedissem desculpas.<\/p>\n<p>Quando vejo a placidez e a felicidade dos ind\u00edgenas remanescentes com seus enormes cachimbos, fumando generosamente em rodas e rituais, me pergunto se os sujeitos com rostos p\u00e1lidos de vampiros que decretam a condena\u00e7\u00e3o eterna dos fumantes n\u00e3o seriam criaturas de outros planetas. Eles vieram, possivelmente, de mundos imobilizados nas certezas, brandindo argumentos indiscut\u00edveis, como se a noite n\u00e3o viesse depois do dia e asas n\u00e3o brotassem da podrid\u00e3o das folhas.<\/p>\n<p>Enquanto id\u00e9ias e h\u00e1bitos contr\u00e1rios aos nossos se tornam indefens\u00e1veis por for\u00e7a de leis, os crimes hediondos encontram cada vez mais flexibilidade nos escaninhos da Justi\u00e7a. \u00c9 de se perguntar se o poder que prende o fumante e o b\u00eabado n\u00e3o seria conivente com quem mata e rouba. Talvez, por serem alien\u00edgenas, tenham outra l\u00f3gica. Ou talvez estejam muito \u00e0 vontade porque n\u00e3o sabemos como jog\u00e1-los contra a parede, como se fazia no velho oeste.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar da f\u00e1cil manipula\u00e7\u00e3o, via rede, ao que se fez de melhor no mundo, nos falta o b\u00e1sico: o ambiente sacudido por in\u00fameros criadores, que n\u00e3o comparecem mais no imagin\u00e1rio das massas \u00f3rf\u00e3s de luzes. 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