{"id":38,"date":"2005-05-13T21:32:15","date_gmt":"2005-05-13T23:32:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=38"},"modified":"2009-12-21T00:48:13","modified_gmt":"2009-12-21T02:48:13","slug":"jorge-luis-borges-o-informe-de-brodie","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/jorge-luis-borges-o-informe-de-brodie","title":{"rendered":"Jorge Luis Borges: O informe de Brodie"},"content":{"rendered":"<p>Admirador da poesia gauchesca, obra de advogados e jornalistas de Buenos Aires e Montevid\u00e9u, ele descobre que os mitos do pampa n\u00e3o passam de uma nostalgia urbana. Fica, portanto, \u00e0 vontade para abordar, sem concess\u00f5es, as margens de uma nacionalidade mesti\u00e7a, da capital e do Interior da Argentina, onde recria, a seu modo, narrativas que todos teimam em lembrar.<\/p>\n<p>Sem pactuar com o derramamento emocional que o cerca, o a\u00e7o de sua escrita \u00e9 temperada pelo calor da barb\u00e1rie pingando sangue. N\u00e3o h\u00e1 her\u00f3is para saudar, a n\u00e3o ser a experi\u00eancia repassada pelas gera\u00e7\u00f5es, onde sobressai a trai\u00e7\u00e3o, o crime, o ci\u00fame e a falta de import\u00e2ncia das personagens. \u00c9 como se navegasse a favor da corrente de epis\u00f3dios e lendas que seu interesse acumulou, mas com a originalidade de uma linguagem sem ra\u00edzes.<\/p>\n<p>No rumo das lendas repassadas de boca a boca, obedece a mapas bem demarcados de suas leituras prediletas, livre das obsess\u00f5es que ocuparam vasto espa\u00e7o do seus contempor\u00e2neos. Ele sabe que a literatura tradicional n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0s novidades da vanguarda, j\u00e1 que \u00e9 feita de um conjunto secular de aventuras. Insiste nessa matriz, consciente da sua infinita capacidade de encantamento.<\/p>\n<p>Desse movimento que flui eternamente, porque realimentado pela mem\u00f3ria e por ouvidos sempre atentos dispersos em todas as rodas e confid\u00eancias, ele aponta para uma cultura que precisa se descobrir para mudar. Haver\u00e1 sa\u00edda para um universo onde o assassinato \u00e9 permitido pelo cinismo da guerra? Sim, se o escritor conseguir despertar o horror ao descrever a cena.<\/p>\n<p>A chave dessa \u00e9tica cevada na solid\u00e3o \u00e9 a viagem hipn\u00f3tica que a civiliza\u00e7\u00e3o desenvolve ao cora\u00e7\u00e3o da crueldade: n\u00e3o haver\u00e1 remiss\u00e3o se a ordem da escrita n\u00e3o dominar o caos da oralidade. Mas essa ordem j\u00e1 nasce, em Borges, contaminada pelos fantasmas de generais, damas, duelos, degolas. \u00c9 como se houvesse uma rendi\u00e7\u00e3o, mas sem desonra. \u00c9 a \u00fanica vit\u00f3ria poss\u00edvel por um autor especializado em calamidades.<\/p>\n<p>O truque \u00e9 abrir m\u00e3o do papel principal, mas n\u00e3o da autoria da trama. A Argentina, assim, transforma-se em puro Borges, o que n\u00e3o deixa de ser uma extrema ironia deste platino com os olhos voltados para a Inglaterra, que no deserto cultivou-se cosmopolita e foi um bibliotec\u00e1rio encerrado numa geografia \u00e1grafa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta colet\u00e2nea de contos lan\u00e7ada originalmente em 1970, o olhar estrangeiro de Jorge Luis Borges sobre seu pr\u00f3prio povo denuncia suas convic\u00e7\u00f5es sobre a cultura popular.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1526,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38\/revisions\/1526"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}