{"id":392,"date":"2009-12-10T13:34:53","date_gmt":"2009-12-10T15:34:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=392"},"modified":"2009-12-22T03:06:24","modified_gmt":"2009-12-22T05:06:24","slug":"mana-de-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/mana-de-estrelas","title":{"rendered":"MAN\u00c1 DE ESTRELAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nNavegadores fazem colheitas de estrelas. Precisam do brilho para alimentar as sereias, que segredam os confins da rota nos ouvidos de marujos exaustos da espera. Na calmaria, os desesperados fixam o olho na massa informe de sombras, miragens de monstros extintos. O que estava pr\u00f3ximo se dissipa na v\u00e9spera da ilus\u00e3o mais grave, o grito salvador que viria da g\u00e1vea. O que fica \u00e9 a sede, del\u00edrio de uma \u00faltima chance, a de descobrir o rumo pela voz das trai\u00e7oeiras habitantes das ondas.<\/p>\n<p>As sereias exigem constela\u00e7\u00f5es atra\u00eddas pelos mapas. Querem o sangue das criaturas que assombram os her\u00f3is antes do abismo. Elas exigem que as estrelas mergulhem e sejam dissolvidas no repasto. O que sobra s\u00e3o colares que aos poucos somem de vista, para desespero do c\u00e9u que tenta recuperar parte do seu tesouro. Fartas, as sereias brincam com as preciosidades e s\u00f3 ent\u00e3o sopram o norte para navios enredados em sarga\u00e7os.<\/p>\n<p>Ermos de estrelas, os navegadores ficam \u00e0 merc\u00ea do canto sedutor, cada vez mais longe. Aos poucos, s\u00e3o abandonados, sob um len\u00e7ol ins\u00edpido de tormentas, que vieram rebentar por\u00f5es, amedrontar os grumetes. Ficam intactos apenas os veteranos ca\u00e7adores de p\u00e9rolas, os egressos de tombadilhos perversos, os que repartiram bandeiras misturadas a ossos. Esses persistem, amarrados aos mastros para n\u00e3o enlouquecerem diante da armadilha das musas.<\/p>\n<p>Soube de um navio fantasma que no porto carregou mantimentos como se vivo fosse, arregimentou tripula\u00e7\u00e3o, distribuiu favores. Era capitaneado por Ahab, o sobrevivente da loucura. Ele queria de novo ir \u00e0 forra, n\u00e3o contra baleias brancas ou submarinos do futuro. Sua meta era trazer de volta as sereias, seres de uma outra era, distra\u00eddas em afundar escotilhas quando tinham nascido para mundos sem escamas. O louco queria libertar a lenda e devolv\u00ea-la \u00e0 areia.<\/p>\n<p>S\u00f3 que ele n\u00e3o contava com a natureza de seu barco, esp\u00edrito que anda sobre esmeraldas e prata. Aos poucos, perdeu os frutos trazidos de ilhas ancestrais e diluiu-se. Id\u00eantico ao sangue vertido na superf\u00edcie, depois que as mulheres misturadas a peixes deglutem os diamantes celestes presenteados por antigos piratas. S\u00e3o destino e desperd\u00edcio, restos de pedras de \u00e2ngulos perfeitos, man\u00e1 de estrelas para escunas que vagam em vastos oceanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Navegadores fazem colheitas de estrelas. Precisam do brilho para alimentar as sereias, que segredam os confins da rota nos ouvidos de marujos exaustos da espera. Na calmaria, os desesperados fixam o olho na massa informe de sombras, miragens de monstros extintos. O que estava pr\u00f3ximo se dissipa na v\u00e9spera da ilus\u00e3o mais grave, o grito salvador que viria da g\u00e1vea. O que fica \u00e9 a sede, del\u00edrio de uma \u00faltima chance, a de descobrir o rumo pela voz das trai\u00e7oeiras habitantes das ondas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=392"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1925,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392\/revisions\/1925"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}