{"id":398,"date":"2009-12-10T13:37:48","date_gmt":"2009-12-10T15:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=398"},"modified":"2009-12-22T00:23:56","modified_gmt":"2009-12-22T02:23:56","slug":"o-brasil-e-outra-coisa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-brasil-e-outra-coisa","title":{"rendered":"O BRASIL \u00c9 OUTRA COISA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAugusto Nunes, no seu importante blog na Veja.com colocou a culpa das safadezas dos pol\u00edticos brasileiros atuais nas origens e forma\u00e7\u00e3o do Brasil. No mesmo blog, h\u00e1 um espa\u00e7o dedicado \u00e0s \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d de Tancredo Neves que, como se sabe, tinha como seu vice o pr\u00f3prio Jos\u00e9 Sarney. Se Tancredo legalizou Sarney, at\u00e9 ent\u00e3o figura destacada da ditadura, as origens (n\u00e3o a culpa) das mazelas do Senado devem ser atribu\u00eddas tamb\u00e9m a Tancredo Neves.<\/p>\n<p>Mas Tancredo faz parte do pante\u00e3o da neo-democracia, que nada mais \u00e9 do que a consolida\u00e7\u00e3o do regime de 1964, com Sarney, Delfim Netto, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo o ACM (enterrado com honras de chefe de estado), medidas provis\u00f3rias, pol\u00edtica econ\u00f4mica, sistema pol\u00edtico engessado e tudo o mais. N\u00e3o se deve, atacando a na\u00e7\u00e3o, defender este regime esp\u00fario, que faz rod\u00edzio de bananas no Pal\u00e1cio do Planalto com a coniv\u00eancia dos jornalistas, por meio do voto de cabresto (o voto \u00fatil), o marketing milion\u00e1rio, os arreglos dos donos do poder e a entrega da soberania.<\/p>\n<p>Augusto Nunes \u00e9 primus inter pares n\u00e3o s\u00f3 como jornalista \u2013 apura\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise &#8211; mas principalmente como texto \u2013 clareza, qualidade, talento. Mas neste caso ele est\u00e1 totalmente equivocado. Por ser uma sucess\u00e3o de equ\u00edvocos muito bem escritos (portanto, formadores de opini\u00e3o), merece ser contestado.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do post \u00e9 o seguinte: \u201cO pa\u00eds nasceu por engano, balan\u00e7ou no ber\u00e7o da safadeza e agora \u00e9 controlado pela alian\u00e7a dos amorais.\u201d O Brasil n\u00e3o nasceu por engano. O que nasceu com a expedi\u00e7\u00e3o de Pedro Alvares Cabral em 1500 foi a Am\u00e9rica Portuguesa, n\u00e3o o Brasil. Isso aconteceu mais tarde. Como mostra a mais \u00f3bvia das fontes, a Wikip\u00e9dia, \u201cem 13 de junho de 1621, no contexto da Dinastia Filipina, o territ\u00f3rio da Am\u00e9rica Portuguesa foi dividido em duas unidades administrativas aut\u00f4nomas: o Estado do Maranh\u00e3o, ao norte, com capital em S\u00e3o Lu\u00eds, abrangendo a capitania do Par\u00e1, a capitania do Maranh\u00e3o e a capitania do Cear\u00e1. E o Estado do Brasil, ao sul, cuja capital era Salvador, abrangendo as demais capitanias. Na \u00e9poca, o rei era Filipe III de Espanha, que era ao mesmo tempo Felipe II de Portugal. Em 6 de janeiro de 1815, no contexto das negocia\u00e7\u00f5es do Congresso de Viena, o Brasil, unificado, foi elevado a Reino Unido a Portugal e Algarves, com o nome de Reino do Brasil, por for\u00e7a de Carta de Lei do ent\u00e3o Pr\u00edncipe-Regente.&#8221;<\/p>\n<p>O continente americano foi um dos objetivos da viagem cabralina, que continuou sua trajet\u00f3ria depois do pouso por estas bandas. A tese do acaso, sem contesta\u00e7\u00f5es at\u00e9 h\u00e1 alguns anos, faz hoje parte da mitologia da na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode servir para o achincalhamento das nossas origens, mas para o entendimento da funda\u00e7\u00e3o m\u00edtica da terra que mais tarde virou o Brasil. Na Hist\u00f3ria, na literatura, na mem\u00f3ria, coexistem as duas vers\u00f5es, a m\u00edtica e a factual. Nossa Independ\u00eancia foi fruto de uma longa guerra, de 1821 a 1823, mas prevalece a vers\u00e3o m\u00edtica do Grito. O Ex\u00e9rcito foi fundado em 1824, mas ainda hoje se celebra o nascimento das for\u00e7as armadas brasileiras na batalha de Guararapes no s\u00e9culo 17. Devemos ter claras as diferen\u00e7as. N\u00e3o se pode brandir o acaso como fonte de nossas mazelas.<\/p>\n<p>Em \u201cVis\u00f5es do Para\u00edso\u201d, nosso Historiador maior, S\u00e9rgio Buarque de Holanda, faz minucioso levantamento da proje\u00e7\u00e3o, nas terras descobertas, do mito do Para\u00edso. \u00c9 assunto s\u00e9rio, que envolveu a Igreja e o trono e foi fundamental para as pol\u00edticas de coloniza\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um assunto carnavalizado v\u00e1rias vezes, mas n\u00e3o pode servir de argumento para um artigo de den\u00fancia, a n\u00e3o ser que seja levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Continua Augusto Nunes: \u201cO Brasil balan\u00e7ou no ber\u00e7o da safadeza. Souberam disso tarde demais aqueles viventes cor de cobre, sem roupas no corpo nem pelos nas partes pudendas, os homens prontos para trocar preciosidades por quinquilharias, as mulheres prontas para abrir o sorriso e as pernas para qualquer forasteiro, pois os nativos praticavam sem remorso o que s\u00f3 era pecado do outro lado do grande mar, e n\u00e3o poderiam ser tementes a um Deus que desconheciam\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 uma vis\u00e3o distorcida do cunhadismo, t\u00e3o bem abordado por Darcy Ribeiro. O \u00edndio negociava guerras, terras, despojos por meio de alian\u00e7as. Ele n\u00e3o \u201coferecia\u201d a mulher, a mulher fazia parte das negocia\u00e7\u00f5es guerreiras. Se voc\u00ea casa com uma \u00edndia, sendo colonizador, imediatamente, acreditavam os \u00edndios, que viviam divididos e em luta permanente entre si, voc\u00ea vira aliado. O cunhadismo \u00e9 estrat\u00e9gia, n\u00e3o safadeza. Ver como safadeza \u00e9 preconceito contra a nudez dos \u00edndios, contra culturas diferentes , al\u00e9m de ver ingenuidade de cultura atrasada onde existia luta pela sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Augusto Nunes: \u201cO Brasil nasceu carnavalesco. Nem um Jo\u00e3osinho Trinta em transe num terreiro de candombl\u00e9 pensaria em juntar na avenida, como fez o portugu\u00eas Henrique Soares, maior autoridade religiosa presente e celebrante da primeira missa naquelas imensid\u00f5es misteriosas, um padre de batina erguendo o c\u00e1lice sagrado, navegantes fantasiados de soldados medievais, marinheiros com roupa de domingo, \u00edndios com a genit\u00e1lia desnuda que s\u00e9culos depois seria banida da Sapuca\u00ed por bicheiros respeitadores dos bons costumes e a cruz dos crist\u00e3os no conv\u00edvio amistoso com arcos, flechas e bordunas.\u201d Pergunto: o que tem a diversidade de indument\u00e1ria, h\u00e1bitos e costumes a ver com o Carnaval? Achar que as pessoas est\u00e3o fantasiadas, quando est\u00e3o apenas usando suas roupas impostas por suas respectivas civiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 no m\u00ednimo anacronismo. N\u00e3o se deve confundir Sapuca\u00ed com Primeira Missa.<\/p>\n<p>Augusto Nunes: \u201cO Brasil balan\u00e7ou no ber\u00e7o da maluquice. Marujos ainda mareados pela travessia do Atl\u00e2ntico, ainda atarantados com a vis\u00e3o do para\u00edso, decidiram que aquilo era uma ilha e deveria chamar-se Ilha de Vera Cruz, e assim a chamaram at\u00e9 perceberem, incont\u00e1veis milhas al\u00e9m, que era muito litoral para uma ilha s\u00f3, e pareceu-lhes sensato rebatizar o colosso ausente de todos os mapas com o nome de Terra de Santa Cruz, porque disso ningu\u00e9m duvidava: era firme a terra que pisavam.\u201d N\u00e3o se trata de maluquice, mas de informa\u00e7\u00e3o. Os mapas da \u00e9poca colocavam o Brasil como uma ilha. Elas acreditaram nos documentos que existiam. N\u00e3o foi porque estavam atarantados.<\/p>\n<p>Augusto Nunes: \u201cO Brasil nasceu pregui\u00e7oso. Passou a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia na praia, e esperou 200 anos at\u00e9 criar \u00e2nimo e coragem para escalar o pared\u00e3o que separava o mar do Planalto, e esperou mais um s\u00e9culo at\u00e9 se aventurar pelos sert\u00f5es estendidos por tr\u00e1s da floresta virgem, num esfor\u00e7o de tal forma extenuante que ficou estabelecido que, dali por diante, os nativos da terra, os estrangeiros e seus descendentes sempre deixariam para amanh\u00e3 o que poderiam ter feito ontem.\u201d N\u00e3o se trata de pregui\u00e7a , mas, mais de uma vez, estrat\u00e9gia. Os portugueses n\u00e3o permitiam incurs\u00f5es no interior para n\u00e3o despertar a cobi\u00e7a dos estrangeiros ou abrir a guarda para eles. E s\u00f3 rompeu com essa proibi\u00e7\u00e3o por press\u00e3o empreendedora dos colonizadores, que precisavam expandir suas atividades. Arriscaram a vida subindo a serra. Subir bem acomodado num carro \u00e9 que \u00e9 pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>Augusto Nunes: \u201cTinha de dar no que deu. Coerentemente incoerente, o Brasil parido pelo equ\u00edvoco hostilizou os civilizadores holandeses para manter-se sob o jugo do imp\u00e9rio portugu\u00eas, o Brasil amalucado teve como primeira e \u00fanica rainha uma doida de hosp\u00edcio, o Brasil da safadeza acolheu o filho da rainha que roubou a matriz na vinda e a col\u00f4nia na volta, o Brasil pregui\u00e7oso foi o \u00faltimo a abolir a escravid\u00e3o, o Brasil sem pressa foi o \u00faltimo a virar Rep\u00fablica, o Brasil carnavalesco transformou a pr\u00f3pria Hist\u00f3ria num tremendo samba do crioulo doido.\u201d<\/p>\n<p>Colocar a culpa \u201cno crioulo\u201d dep\u00f5e contra o autor do artigo. \u201cTinha que dar no que deu\u201d \u00e9 uma j\u00f3ia do v\u00edcio de tirar conclus\u00f5es de argumenta\u00e7\u00f5es erradas, resultado do que j\u00e1 se pensava antes de brandir as \u201cprovas\u201d. Chamar Dom Jo\u00e3o VI simplesmente de ladr\u00e3o \u00e9 ignorar, de prop\u00f3sito, a obra de estadista, t\u00e3o bem apresentada por Oliveira Lima em seu cl\u00e1ssico Dom Jo\u00e3o VI no Brasil. O Brasil preferiu permanecer Imp\u00e9rio, para manter sua unidade, do que esbaga\u00e7ar-se em republiquetas. Quando Deodoro assumiu, o Brasil estava consolidado pelo longo reinado de Dom Pedro II . A Espanha ainda \u00e9 monarquia, assim como a Inglaterra, a Holanda, tudo pa\u00eds atrasado, como se sabe.<\/p>\n<p>Augusto Nunes: \u201cO cortejo dos presidentes, ministros, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores aberto em 1889 informa que a troca de regime n\u00e3o mudou a ess\u00eancia da coisa: o Brasil republicano \u00e9 o Brasil mon\u00e1rquico de terno e gravata, s\u00f3 que mais cafajeste. Muito mais cafajeste, informa a paisagem deste come\u00e7o de s\u00e9culo. Depois de 500 anos, os herdeiros dos tra\u00e7os mais detest\u00e1veis do DNA nacional promoveram o grande acerto dos amorais, instalaram-se no cora\u00e7\u00e3o do poder e v\u00e3o tornando decididamente intrag\u00e1vel a geleia geral brasileira\u201d.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia do Brasil mudou: era soberano, n\u00e3o \u00e9 mais. No Imp\u00e9rio, j\u00e1 se usava terno e gravata. A Rep\u00fablica inaugurada em 1985 \u00e9 que tem a culpa de todas essas mazelas, n\u00e3o o Imp\u00e9rio nem a nascente Rep\u00fablica. \u00c9 em nossa volta que est\u00e1 o erro, em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Augusto Nunes: \u201cNascido e criado sob o signo da insensatez, o pa\u00eds que teve um imperador com 5 anos de idade que parecia adulto \u00e9 governado por um presidente que parece moleque. Com um menino sem pai nem m\u00e3e no trono, o Brasil n\u00e3o sentiu medo. Com um sessent\u00e3o no comando, o Brasil que pensa se sente sem pai nem m\u00e3e.\u201d Com 5 anos de idade, Dom Pedro era uma crian\u00e7a, n\u00e3o parecia adulto, vestia-se apenas como mandava o protocolo da Corte. O poder era exercido pelos regentes civis, que a partir da maioridade do imperador, decretada aos 14 anos, continuaram mandando at\u00e9 o Brasil virar uma monarquia constitucional \u2013 com o Poder Moderador mediando conflitos.<\/p>\n<p>Nem o Imp\u00e9rio, nem a Rep\u00fablica foram totalmente safadezas. Assim como o Brasil n\u00e3o nasceu por acaso. Nem os \u00edndios da \u00e9poca do descobrimento eram carnavalescos ou ofereciam mulheres sem objetivo nenhum, s\u00f3 porque seria, digamos, \u201ctropicais\u201d. O Brasil \u00e9 outra coisa. Como dizia meu professor de Hist\u00f3ria Colonial na USP, Istvan Jancs\u00f3, \u201c\u00e9 complicado.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar passar esse artigo. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o fazer o contraponto. Faz parte da liberdade que constru\u00edmos \u00e0 a margem dos poderes, no exerc\u00edcio sagrado de nossa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>RETORNO \u2013 Imagem deste post: Primeira Missa do Brasil, quadro de Victor Meireles.<\/p>\n<p>RESPOSTA DE AUGUSTO NUNES<\/p>\n<p>&#8220;Meu querido Nei, \u00e9 uma honra ter um texto comentado por voc\u00ea. E fico muito grato pelas men\u00e7\u00f5es elogiosas. Mas n\u00e3o quis fazer nenhum ensaio sociol\u00f3gico sobre o Brasil, nem produzir um diagn\u00f3stico t\u00e3o complicado em alguns par\u00e1grafos. S\u00e3o anota\u00e7\u00f5es ligeiras e bem humoradas sobre fatos hist\u00f3ricos (e a\u00ed talvez discordemos quanto a certos itens, o que me parece pouco relevante). Fiz de conta que os personagens sa\u00edram de algum livro da turma do realismo fant\u00e1stico. Sobretudo, n\u00e3o quis de modo nenhum explicar o presente botando a culpa no passado. abra\u00e7\u00e3o. Augusto Nunes.&#8221;<\/p>\n<p>MEU AGRADECIMENTO<\/p>\n<p>Prezado Augusto: essa \u00e9 a vantagem de comentar um artigo produzido por profissional da sua qualidade e prest\u00edgio. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 de grandeza, o que muito me gratifica. O fato de uma edi\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio da Fonte, esse jornal solo onde exercito a profiss\u00e3o que aprendi com pessoas brilhantes do teu n\u00edvel, ser comentada por voc\u00ea \u00e9 mais do que poderia esperar.<\/p>\n<p>N\u00e3o pude resistir de fazer esse extenso coment\u00e1rio, pois mesmo sabendo que texto pertence mais \u00e0 literatura do que \u00e0 sociologia e \u00e0 Hist\u00f3ria, ele \u00e9 uma s\u00edntese do que muita gente pensa sobre nosso pais, com graves conseq\u00fc\u00eancias, \u00e0 revelia de quem a difunde. Como tens uma arma poderosa \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o &#8211; teu texto de primeira inserido num ve\u00edculo importante &#8211; \u00e9 preciso que as pessoas que discordam e tem algo a dizer se manifestem.<\/p>\n<p>Falam tanto em democracia e vemos como essa palavra serve de repasto para a politicagem. Mas, felizmente, democracia \u00e9 o que fazemos nos nossos espa\u00e7os jornal\u00edsticos, virtuais ou impressos. Uma liberdade conquistada e que precisa ser alimentada pelo conflito pautado na \u00e9tica, o debate acima das posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas e dentro do esp\u00edrito p\u00fablico que caracteriza o bom jornalismo.<\/p>\n<p>Obrigado, Augusto Nunes. E continuo lendo e assistindo teu blog, excepcional em todos os sentidos. Abs. Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O continente americano foi um dos objetivos da viagem cabralina, que continuou sua trajet\u00f3ria depois do pouso por estas bandas. A tese do acaso, sem contesta\u00e7\u00f5es at\u00e9 h\u00e1 alguns anos, faz hoje parte da mitologia da na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode servir para o achincalhamento das nossas origens, mas para o entendimento da funda\u00e7\u00e3o m\u00edtica da terra que mais tarde virou o Brasil. Na Hist\u00f3ria, na literatura, na mem\u00f3ria, coexistem as duas vers\u00f5es, a m\u00edtica e a factual. Nossa Independ\u00eancia foi fruto de uma longa guerra, de 1821 a 1823, mas prevalece a vers\u00e3o m\u00edtica do Grito. O Ex\u00e9rcito foi fundado em 1824, mas ainda hoje se celebra o nascimento das for\u00e7as armadas brasileiras na batalha de Guararapes no s\u00e9culo 17. Devemos ter claras as diferen\u00e7as. N\u00e3o se pode brandir o acaso como fonte de nossas mazelas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=398"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1881,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398\/revisions\/1881"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}