{"id":420,"date":"2009-12-10T14:08:31","date_gmt":"2009-12-10T16:08:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/comunicacao"},"modified":"2009-12-22T00:25:11","modified_gmt":"2009-12-22T02:25:11","slug":"comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/comunicacao","title":{"rendered":"COMUNICA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>Jornalismo era considerado um g\u00eanero liter\u00e1rio. O que fazia parte do entorno do jornalismo \u2013 not\u00edcias, reclames, editais, avisos etc. \u2013 acabou em primeiro plano, deixando de lado a cobertura policial com suspense, o drama das grandes trag\u00e9dias, as aventuras dos insubmissos, as mem\u00f3rias dos combatentes e a pol\u00eamica dos esgrimistas do verbo. O que era um nicho da literatura virou ci\u00eancia humana e at\u00e9 mudou de nome: foi batizado de \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No final dos anos 60, a comunica\u00e7\u00e3o tomou conta das mentes. O carisma da nova onda era t\u00e3o forte que n\u00e3o se circunscreveu aos humildes estudantes que optaram pela profiss\u00e3o porque \u201cgostavam de escrever\u201d. Atingiu faculdades de vanguarda como a arquitetura, onde se despejavam teorias evolucionistas da emergente aldeia global. Chacrinha tirou um sarro da moda, com o seu \u201cquem n\u00e3o se comunica se trumbica\u201d, imediatamente adotado pelos novos e tumultuados scholars. H\u00e1 uma cena famosa em que Woody Allen, exausto da conversa do sujeito que estava na sua frente na fila do cinema, tirou, detr\u00e1s de um painel, o pr\u00f3prio McLuhan, o papa intelectual da \u00e9poca, que contrariou tudo o que estava sendo dito de maneira definitiva.<\/p>\n<p>Passada essa fase deslumbrada, a comunica\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou status de c\u00e2none, carregando embaixo do bra\u00e7o os estudos da linguagem a partir de Saussurre e passando pelo ralador do estruturalismo. Assim instrumentados, os conceitos da comunica\u00e7\u00e3o avan\u00e7aram sobre o jornalismo, misturando-se aos vetores que se desenvolveram em \u00e1reas correlatas, como a publicidade. Era tudo uma quest\u00e3o de gosto, mas o sabor dos princ\u00edpios rec\u00e9m descobertos acabou virando lei.<\/p>\n<p>Para se consolidar, o paradigma vitorioso precisou inventar a hist\u00f3ria de que, antigamente, as reda\u00e7\u00f5es eram um covil de rom\u00e2nticos. Foi esquecido de prop\u00f3sito que, antes da febre, havia rigor pautado pelo talento e o aprendizado, que jamais dispensou a leitura dos grandes autores, era exercido na pr\u00e1tica, no embate di\u00e1rio do caos da realidade, insumo para o texto inesquec\u00edvel. Contar uma hist\u00f3ria ficou fazendo parte do passado, apesar de escritores como Hemingway e Garcia Marquez terem se formado nesse jornalismo que se foi, enterrado pelo brilho da mediocridade tornada enfim hegem\u00f4nica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalismo era considerado um g\u00eanero liter\u00e1rio. O que fazia parte do entorno do jornalismo \u2013 not\u00edcias, reclames, editais, avisos etc. \u2013 acabou em primeiro plano, deixando de lado a cobertura policial com suspense, o drama das grandes trag\u00e9dias, as aventuras dos insubmissos, as mem\u00f3rias dos combatentes e a pol\u00eamica dos esgrimistas do verbo. O que era um nicho da literatura virou ci\u00eancia humana e at\u00e9 mudou de nome: foi batizado de \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=420"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1884,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions\/1884"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}