{"id":431,"date":"2009-12-10T14:14:04","date_gmt":"2009-12-10T16:14:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/bric-a-brac-do-apocalipse-virtual"},"modified":"2009-12-21T23:50:31","modified_gmt":"2009-12-22T01:50:31","slug":"bric-a-brac-do-apocalipse-virtual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/bric-a-brac-do-apocalipse-virtual","title":{"rendered":"BRIC A BRAC DO APOCALIPSE VIRTUAL"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQue fim deram os observadores internacionais? Como n\u00e3o h\u00e1 resposta tang\u00edvel (no google) resolvi ir at\u00e9 uma obscura taberna situada nos arredores de Istambul. Uma visita virtual, claro, via Voip, pois todos sabem que Istambul s\u00f3 existe em livros antigos de aventuras. Descobri que eles bebem absinto e relembram os bons tempos dos anos 70, quando eram capazes de mudar o mundo com apenas algumas frases. O assunto do momento era os Bric, sigla criada em novembro de 2001 pelo economista Jim O&#8217;Neill, do grupo Goldman Sachs, que colocou no mesmo saco os quatro principais pa\u00edses emergentes do mundo, Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China. Eles ficaram impressionados quando souberam que o grupo Sachs mapeou as economias dos pa\u00edses Brics at\u00e9 2050. Baseados nisso, eles resolveram criar os Bracs.<\/p>\n<p>Os Bracs re\u00fanem quatro pa\u00edses nada-a-ver que poder\u00e3o sobreviver a um iminente apocalipse virtual. S\u00e3o eles: Barbados, Ruanda, Andorra e Cazaquist\u00e3o. S\u00e3o na\u00e7\u00f5es que obedecem aos parametros necess\u00e1rios para definir uma posi\u00e7\u00e3o oculta e cheia de significados. Barbados \u00e9 o pa\u00eds mais oriental das Cara\u00edbas, situado a leste da \u00e1rea conhecida como \u00cdndias Ocidentais (ou seja, \u00e9 puro s\u00e9culo 17, com piratas e tudo). Ruanda \u00e9 um pequeno pa\u00eds montanhoso da \u00c1frica, encravado entre o Uganda, a norte, a Tanz\u00e2nia, a leste, o Burundi, a sul e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, a oeste; sua capital \u00e9 Kigali (\u201cencravado\u201d mata a pau). Andorra \u00e9 um pequeno pa\u00eds europeu localizado num enclave nos Pirineus (enclave \u00e9 fundamental). Cazaquist\u00e3o \u00e9 fundamentalmente asi\u00e1tico, embora tamb\u00e9m inclua uma regi\u00e3o europ\u00e9ia entre o rio Ural e a fronteira russa (nada mais misterioso do que \u201cfundamentalmente asi\u00e1tico\u201d).<\/p>\n<p>Os observadores internacionais, fazendo suas proje\u00e7\u00f5es usando velhos \u00e1bacos e infogr\u00e1ficos coloridos tipo Newsweek, e em preto e branco tipo Economist, profetizam que os Bracs, por n\u00e3o disporem de banda larga, poder\u00e3o continuar existindo, enquanto o resto do mundo ir\u00e1 travar miseravelmente. Pensem com os grandes eruditos confinados na taberna de Istambul. As profiss\u00f5es todas acabaram, com exce\u00e7\u00e3o dos passeadores de cachorro e os arrastadores de ferro. Esses n\u00e3o podem ser substitu\u00eddos pelos blogs. No mais, \u00e9 o que vemos. N\u00e3o temos mais jornalistas, economistas, professores, burocratas, estadistas, engenheiros, m\u00e9dicos. S\u00f3 temos blogueiros. Isso significa o fim da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta mais fazer qualquer consulta, basta acionar a ferramenta de busca. \u00c9 in\u00fatil produzir qualquer coisa que preste, voce n\u00e3o vai mais ganhar dinheiro com isso. Desista de ser ator, os personagens avatares j\u00e1 s\u00e3o uma realidade. Promotor de eventos? N\u00e3o me fa\u00e7a rir. As pessoas hoje vivem nos estandes virtuais fazendo neg\u00f3cios. E quais neg\u00f3cios? Poucos restaram e em quest\u00e3o de meses n\u00e3o haver\u00e1 quase nenhum, pois tudo est\u00e1 sendo devorado pelo apocalipse virtual. \u00c9 um travamento total da realidade. Ningu\u00e9m mais vive. S\u00f3 falta terceirizar a respira\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que comer virou hor\u00e1rio de novela faz tempo. Janta-se na novela das seis.<\/p>\n<p>Mas toda essa trag\u00e9dia, segundo os observadores internacionais, n\u00e3o ser\u00e1 vis\u00edvel, ou n\u00e3o acontecer\u00e1, como queiram, nos Bracs. Os pa\u00edses que s\u00e3o enclaves encravados a leste das Indias Ocidentais, ou que s\u00e3o fundamentalmente asi\u00e1ticos, mesmo tendo uma pequena por\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia limitada pelo rio Ural, ter\u00e3o grandes chances ent\u00e3o de se desenvolverem. S\u00f3 dever\u00e3o ter o cuidado de n\u00e3o implantar a banda larga entre eles. Ser\u00e1 o fim, e ir\u00e3o para o brejo da mesma forma que os Brics, que exibem estadistas que se abra\u00e7am confiantes num futuro incerto.<\/p>\n<p>No bric a brac da vida, ser\u00e1 poss\u00edvel no futuro continuar vivendo desses pequenos badulaques que fazem a vida uma realidade. Um canivete su\u00ed\u00e7o, um pi\u00e3o usado, uma pandorga sem rabo, um velho LP do Sinatra, um toca-discos com a agulha rombuda, uma carta de amor sem destinat\u00e1ria, uma caixa de bombons rasgada, uma flor amassada entre livros de amor. Ser\u00e1 nossa salva\u00e7\u00e3o, essa de frequentar lugares atulhados de coisas in\u00fateis e maravilhosas, mas concretas, que se possam pegar, cheirar, provar. E que fa\u00e7am barulho quando jogadas no ch\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Bracs re\u00fanem quatro pa\u00edses nada-a-ver que poder\u00e3o sobreviver a um iminente apocalipse virtual. S\u00e3o eles: Barbados, Ruanda, Andorra e Cazaquist\u00e3o. S\u00e3o na\u00e7\u00f5es que obedecem aos parametros necess\u00e1rios para definir uma posi\u00e7\u00e3o oculta e cheia de significados. 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Cazaquist\u00e3o \u00e9 fundamentalmente asi\u00e1tico, embora tamb\u00e9m inclua uma regi\u00e3o europ\u00e9ia entre o rio Ural e a fronteira russa (nada mais misterioso do que \u201cfundamentalmente asi\u00e1tico\u201d).<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/431"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=431"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1858,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/431\/revisions\/1858"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}