{"id":55,"date":"2005-05-13T21:51:39","date_gmt":"2005-05-13T23:51:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=55"},"modified":"2009-12-21T00:44:53","modified_gmt":"2009-12-21T02:44:53","slug":"patria-yamandu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/patria-yamandu","title":{"rendered":"P\u00e1tria Yamand\u00fa"},"content":{"rendered":"<p>Fronteira \u00e9 o limite que permite o acesso ao infinito. N\u00e3o h\u00e1 p\u00e1tria sem fronteira, como n\u00e3o h\u00e1 cultura sem p\u00e1tria. O alimento do g\u00eanio de Yamandu Costa \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o dessa verdade. Ele tem de onde tirar: seu viol\u00e3o carrega os frutos que os mestres da m\u00fasica brasileira arduamente cultivaram ao longo dos s\u00e9culos. Filho do Sul, ele sabe o quanto vale uma bandeira fincada na linha divis\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o. E a usa n\u00e3o como cobertor, mas como viagem.<\/p>\n<p>Por isso dedicou sua noite do 4\u00ba Pr\u00eamio Visa de MPB ao ventre que o gerou. &#8220;Viva a m\u00fasica brasileira&#8221;, disse ele. N\u00e3o falamos aqui de ra\u00edzes, falamos de colheita. A cultura de um povo \u00e9 obra de seus mais iluminados artistas, que s\u00e3o abra\u00e7ados pelo povo a quem pertencem. Com Yamandu, melhor falar em territ\u00f3rio: o andamento b\u00e1sico &#8211; trem de guerra metralhado por lanceiros a trote determinado &#8211; prepara o solo seguinte, gema luminosa que nenhum dedo desconhece.<\/p>\n<p>Vestindo, na noite que o consagrou vencedor, bombacha marrom, ele lembrou que Radam\u00e9s Gnatalli, o compositor erudito dos discos, concertos, cinemas e r\u00e1dios, \u00e9 ga\u00facho. Mas, como Baden Powell do Brasil afro, projeta<br \/>\nessa identidade para altas serras. Sua s\u00edntese m\u00faltipla aponta para Ernesto Nazareth, Villa Lobos, Tom Jobim, todos tratados com a rascante certeza da sonoridade nacional, express\u00e3o maior de uma civiliza\u00e7\u00e3o aberta, mutante, \u00fanica.<\/p>\n<p>Sua obra transforma o que est\u00e1 fora dela em m\u00fasica de elevador. Longe do experimentalismo vazio, ele se inspira no ch\u00e3o elevado da p\u00e1tria agora em desuso. Os poderes que abriram as comportas para a indiferen\u00e7a estrangeira, hoje arrostam o olhar escandalizado da na\u00e7\u00e3o em p\u00e2nico. O resgate s\u00f3 se far\u00e1 se lembrarmos para que serve o Brasil, espa\u00e7o definido a bala, por intermin\u00e1veis batalhas.<\/p>\n<p>Conheci Yamandu nessa noite de seis de junho de 2001 gra\u00e7as a algu\u00e9m que sempre aponta na dire\u00e7\u00e3o certa: Juarez Fonseca, jornalista, produtor musical sintonizado com a emerg\u00eancia de todos os talentos e autor de textos culturais primorosos &#8211; e um dos jurados do Pr\u00eamio Visa. Podemos dizer de Yamandu o que Juarez Fonseca disse da poesia: &#8220;N\u00e3o \u00e9 para qualquer um, mas \u00e9 para todos.&#8221;<\/p>\n<p>Tocar viol\u00e3o como Yamandu n\u00e3o \u00e9 para qualquer um. Mas \u00e9 para todo o Pa\u00eds sedento de energia, que hoje amarga a ressaca de seus equ\u00edvocos e que, na crise, saber\u00e1 ressurgir pela m\u00e3o dos seus maiores artistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fronteira \u00e9 o limite que permite o acesso ao infinito. 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