{"id":571,"date":"2009-12-12T13:04:32","date_gmt":"2009-12-12T15:04:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=571"},"modified":"2009-12-21T23:45:01","modified_gmt":"2009-12-22T01:45:01","slug":"os-maus-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/os-maus-do-clima","title":{"rendered":"OS MAUS DO CLIMA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAs gangs clim\u00e1ticas tinham absorvido uma parte da tecnologia do in\u00edcio do s\u00e9culo, que arrasou pa\u00edses provocando maremotos, tsunamis, tornados, inunda\u00e7\u00f5es, terremotos. Depois do grande Acordo Geral, de 2048, entre todos os pa\u00edses, que se comprometeram a n\u00e3o us\u00e1-la de novo, as coisas se acalmaram. N\u00e3o havia mais perigo de cidades inteiras submergirem. Ou algu\u00e9m fazer sumir o Timor Leste, como foi noticiado (e logo depois esquecido) em 2014. A China acostumara-se a ficar sem um ter\u00e7o do territ\u00f3rio, o equivalente a uma superf\u00edcie de J\u00fapiter, depois que acertaram as bases da grande represa com um bombardeio de \u00edons carregados de neutrinos dinamizados pelo avesso.<\/p>\n<p>Todos sabiam como provocar uma cat\u00e1strofe \u201cnatural\u201d, assim como todos tinham a bomba nuclear. Mas os segredos de bombardear com petardos pl\u00e1sticos a ionosfera n\u00e3o ficou circunscrito aos governos dito respons\u00e1veis. Algo vazou e foi assim que recome\u00e7aram as trag\u00e9dias, se bem que em menor dimens\u00e3o. Os vendavais acoplados com chuvas de granizo, criados em laborat\u00f3rios ocultos em por\u00f5es, destru\u00edam no m\u00e1ximo uma cria\u00e7\u00e3o de cabras. N\u00e3o chegavam a atingir os centros das capitais, porque tudo estava protegido sob o manto da Ordem Total.<\/p>\n<p>Mas havia margem para algum divertimento. Os Maus do Clima, como eram chamados os meliantes que se dedicavam essas pequenas crueldades, agiam da mesma forma do que os antigos pichadores de edif\u00edcios, todos exterminados, no mundo inteiro, a\u00ed por 2020, na Opera\u00e7\u00e3o Adrenalina. Havia, claro, uma disputa entre eles. Quem faria chover na cabe\u00e7a do primeiro Ministro? Quem levantaria a saia da nova Rainha de Sab\u00e1, casada com o pr\u00edncipe Abdul Al Litifah, do Corporatisc\u00e3o, o grande pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio formado logo depois que jogaram areia em cima de algumas avenidas de luxo e fizeram a Ar\u00e1bia desaparecer de um dia para o outro? Os desafios eram t\u00e3o intensos que come\u00e7aram a ficar bizarros. Quem jogaria, s\u00f3 com a for\u00e7a do vento, uma montanha de p\u00e9talas no p\u00f3lo Norte? Quem desligaria o motor das ondas em Copacabana? Era poss\u00edvel atrair um grupo de turistas coreanos para um abismo provisoriamente implantado no sub\u00farbio de Paris?<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o gostava dessas firulas era Jamir Pinch Body, o Biltre. Achava perda de tempo. N\u00e3o se conformava em saber pouco sobre o que queria fazer muito. Sua inten\u00e7\u00e3o era varrer os mares, tuf\u00e3o! Jamir lia Castro Alves e n\u00e3o suportava esse neheco nheco bossanovista de fazer despencar violetas em penhascos da Normandia. Queria a\u00e7\u00e3o, queria poder. Chegou a planejar duzentos assaltos ao Grande Cofre em Genebra, que guardava aquelas charadas que o levariam para o exerc\u00edcio pleno de sua pr\u00f3pria pot\u00eancia. Poderia extrair toda a areia da Lua para jog\u00e1-la em Andr\u00f4meda. Explodiria planetas, como viu naquele filme antigo. Adoraria provocar mil dil\u00favios e mataria com as pr\u00f3prias m\u00e3os, estrangulando-a, a pomba da paz e jogaria no fogo o ramo das oliveiras. Ah, ningu\u00e9m tinha id\u00e9ia das inten\u00e7\u00f5es de Jamir, o mais Mau do Clima.<\/p>\n<p>Mas ele n\u00e3o contava com o surgimento de Jihara, A S\u00edlfide Transparente. Mulher desejada por todos os potentados internacionais, jamais se deixava fotografar inteiramente. Dela s\u00f3 se conhecia um olho, um perfil, um tornozelo, um requebro que eu quero ver. Jihara acabou se transformando na obsess\u00e3o de Jamir, que tinha longas faixas de tempo in\u00fatil, j\u00e1 que sonhava em destruir o universo mas n\u00e3o conseguia nem fazer chover no seu quintal. Pelo menos, n\u00e3o de maneira copiosa, abundante. Jamir sonhava com Jihara como uma crian\u00e7a devora um doce com o olhar. Foi ent\u00e3o que teve um insight! E se usasse seus parcos conhecimentos para voar num tapete e pousar suavemente num terra\u00e7o onde Jihara fazia suas ora\u00e7\u00f5es? Sabia onde ficava, no Pal\u00e1cio de Cristal localizado em Xangril\u00e1, Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>Jamir prometeu que destruiria Marte depois de conquistar Jihara. Fabricou ent\u00e3o um tapete voador. E soube se dirigir para seu objetivo, sem que os Ferozes \u00cdndios Xerox, donos dos ares, se dessem conta. Ele desceu no meio da tarde, quando Jihara penteava seus longos cabelos. Debru\u00e7ou-se sobre ela e z\u00e1s, roubou-a do jardim. Voltou voando enquanto a S\u00edlfide berrava que estava sendo seq\u00fcestrada. Mas Jamir sabia: aquela hist\u00f3ria teria um desfecho favor\u00e1vel. Esperava apenas o narrador cansar de contar tanta bobagem para enfim conseguir fazer o que sonhava h\u00e1 d\u00e9cadas: transar embaixo dos pessegueiros em flor. Desde que nenhum Mau do Clima tivesse a id\u00e9ia fresca de desencadear uma avalanche de neve na hora do bem bom.<\/p>\n<p>Tudo pode se esperar dos Maus do Clima. At\u00e9 mesmo uma tremenda empatada na hora em que o Biltre iria crau na S\u00edlfide.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos sabiam como provocar uma cat\u00e1strofe \u201cnatural\u201d, assim como todos tinham a bomba nuclear. Mas os segredos de bombardear com petardos pl\u00e1sticos a ionosfera n\u00e3o ficou circunscrito aos governos dito respons\u00e1veis. Algo vazou e foi assim que recome\u00e7aram as trag\u00e9dias, se bem que em menor dimens\u00e3o. Os vendavais acoplados com chuvas de granizo, criados em laborat\u00f3rios ocultos em por\u00f5es, destru\u00edam no m\u00e1ximo uma cria\u00e7\u00e3o de cabras. 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