{"id":573,"date":"2009-12-12T13:05:17","date_gmt":"2009-12-12T15:05:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=573"},"modified":"2009-12-21T23:51:33","modified_gmt":"2009-12-22T01:51:33","slug":"argentinos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/argentinos","title":{"rendered":"ARGENTINOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>Os argentinos s\u00e3o uma classe m\u00e9dia que resistiu \u00e0s press\u00f5es para desinvent\u00e1-la. Diferente da nossa, que foi para o ralo. N\u00e3o em termos econ\u00f4micos, j\u00e1 que hoje existe no Brasil mais gente nessa faixa entre a riqueza e a mis\u00e9ria do que d\u00e9cadas atr\u00e1s. Mas em comportamento, fruto de uma cultura, antes apoiada e hoje inspirada numa estabilidade. Imagino os argentinos em h\u00e1bitos antigos, n\u00e3o necessariamente verdadeiros, como se ainda sentassem em cadeira pregui\u00e7osa na cal\u00e7ada para conversar. Com fam\u00edlias nucleares tradicionais, com direito at\u00e9 a reuni\u00f5es de domingo. N\u00e3o que isso tenha desaparecido no Brasil. Simplesmente entre n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 mais vis\u00edvel, deixou de fazer parte do perfil da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A conversa ao anoitecer, a reuni\u00e3o familiar, com pai, m\u00e3e, genro, cunhado, av\u00f4, todos vivendo juntos ou perto, s\u00e3o coisas que sumiram de vista no pa\u00eds de todos. Aqui, o tronco sarad\u00e3o tatuado sobre pernas curtas (o antigo e popular \u201ccachorro em p\u00e9\u201d), o baticum insuport\u00e1vel em todos os cantos, os bon\u00e9s, o empurra-empurra, a divis\u00e3o \u00e9tnica e geogr\u00e1fica em infind\u00e1veis nichos, o comportamento coletivo visigodo, a brutalidade no tr\u00e2nsito definem o Brasil agora. Insisto: n\u00e3o que essas barras n\u00e3o existam na Argentina. S\u00f3 que l\u00e1, acredito, n\u00e3o tomaram conta da imagem da na\u00e7\u00e3o, aquela s\u00f3lida autopercep\u00e7\u00e3o de uma sociedade nacional.<\/p>\n<p>Quando vejo argentinos em grupos, vejo uma na\u00e7\u00e3o. Vejo o admir\u00e1vel cinema que fazem, talvez hoje um dos melhores do mundo, vejo os panela\u00e7os que expulsaram sucessivos presidentes, vejo a cobran\u00e7a contra a \u00e9poca da ditadura, j\u00e1 que l\u00e1 eles n\u00e3o se iludiram de que se livraram da tirania. Mais uma vez: n\u00e3o que sejam perfeitos ou \u00f3timos ou essa coisinha de Jesus que imaginam ser. Mas \u00e9 que todas essas a\u00e7\u00f5es fazem parte de uma alma comum, uma viv\u00eancia compartilhada, um reconhecimento m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Claro que essas constata\u00e7\u00f5es s\u00e3o altamente contest\u00e1veis. Os pr\u00f3prios argentinos talvez n\u00e3o acreditem mais nisso. Mas \u00e9 bom pensar que nossos vizinhos provaram que existe a chance de serem um pa\u00eds \u00edntegro, n\u00e3o esbaga\u00e7ado em crueldades e vilezas, longe de governantes impunes e fac\u00ednoras ocupando sucessivamente posi\u00e7\u00f5es de destaque. A Argentina n\u00e3o vale o que ostenta, dizem seus desafetos. Mas vale pelo exemplo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os argentinos s\u00e3o uma classe m\u00e9dia que resistiu \u00e0s press\u00f5es para desinvent\u00e1-la. Diferente da nossa, que foi para o ralo. N\u00e3o em termos econ\u00f4micos, j\u00e1 que hoje existe no Brasil mais gente nessa faixa entre a riqueza e a mis\u00e9ria do que d\u00e9cadas atr\u00e1s. Mas em comportamento, fruto de uma cultura, antes apoiada e hoje inspirada numa estabilidade. <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/573"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=573"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1861,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/573\/revisions\/1861"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}