{"id":583,"date":"2009-12-12T13:10:15","date_gmt":"2009-12-12T15:10:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=583"},"modified":"2009-12-21T22:59:25","modified_gmt":"2009-12-22T00:59:25","slug":"jornalismo-no-cinema-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/jornalismo-no-cinema-ontem-e-hoje","title":{"rendered":"JORNALISMO NO CINEMA, ONTEM E HOJE"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Jerome Cady tinha 45 anos quando tomou uma dose excessiva de p\u00edlulas para dormir e morreu no seu iate em 1948, um pouco depois do lan\u00e7amento de <em><strong>Call Nightside 777<\/strong><\/em>. Ele foi o roteirista deste e de outros filmes, naquela \u00e9poca gloriosa em que os cr\u00e9ditos apareciam apenas por alguns segundos e n\u00e3o, como \u00e9 costume hoje, por quase um ter\u00e7o do tempo destacando um a um, desde o segurador do pau de luz at\u00e9 o penteador de cachorro. Jerry Cady, como era conhecido, era um escritor de sucesso e este filme, dirigido por Henry Hathaway, conta a hist\u00f3ria de uma reportagem investigativa que livra um prisioneiro de ficar a vida toda na cadeia.<em><br \/>\n<\/em><br \/>\nClint Eastwood refilmou este cl\u00e1ssico noir em 1999 com <strong><em>True Crime<\/em><\/strong>, substituindo o inocente polaco por um inocente negro, e fazendo com que a esposa acompanhe o marido condenado, ao contr\u00e1rio do original, em que a esposa, a pedido do marido preso, se divorcia e casa novamente. O encanto do filme em preto e branco \u00e9 total. Magn\u00edfica interpreta\u00e7\u00e3o deste grande sujeito que \u00e9 o James Stewart, que tinha uma cara de beb\u00ea e um corpo fino demais, de pernas tortas, meio troncho e que era um baita ator.<\/p>\n<p>Sua postura no in\u00edcio do drama denunciava a desconfian\u00e7a: como rep\u00f3rter ele n\u00e3o acreditava na inoc\u00eancia do condenado e faz de tudo para se livrar do encargo, repassado pelo editor, interpretado por Lee J. Cobb. Na vers\u00e3o de Clint, rep\u00f3rter e editor s\u00e3o inimigos mortais, disputam a mesma mulher e t\u00eam vis\u00f5es opostas da profiss\u00e3o. S\u00e3o dois momentos diferentes do jornalismo. Nos anos 40, a reportagem investigativa era a ess\u00eancia do jornal, incentivada pelos donos e seus representantes m\u00e1ximos na reda\u00e7\u00e3o. Na nossa \u00e9poca, um rep\u00f3rter desse naipe \u00e9 tratado como dinossauro e precisa contrariar todo mundo para poder provar que uma reportagem pode cumprir o seu destino e salvar um inocente.<\/p>\n<p>\u00c9 encantador ver como a prova definitiva \u2013 a amplia\u00e7\u00e3o de uma foto \u00e9 repassada por cabo de uma cidade a outra, processo que leva algumas horas \u2013 toma conta dos personagem e de n\u00f3s, espectadores. O suspense chega ao m\u00e1ximo quando enfim o rep\u00f3rter consegue provar que o a data estampada num exemplar de jornal, ao fundo da foto denunciadora, poderia livrar o condenado. Tudo \u00e9 feito de maneira segura, intensa, num crescendo sem hip\u00e9rboles, nada. Tudo termina num sopro. Nos dois filmes, o rep\u00f3rter salvador fica em segundo plano, enquanto o liberto reencontra a fam\u00edlia. No filme antigo, o acordo entre o pai separado e o novo marido da esposa. No de Clint, as compras de Natal da fam\u00edlia refeita faz com que o rep\u00f3rter solit\u00e1rio se reencontre, e n\u00e3o se sinta o in\u00fatil que todos acreditavam que era (inclusive ele pr\u00f3prio).<\/p>\n<p>Quando vi o filme de Clint, fiquei entusiasmado: havia cinema ainda. Quando vi o original, me dei conta: o segredo era da hist\u00f3ria, da trama bem amarrada. E da abordagem humana do cinema. Hoje, a ind\u00fastria audiovisual destaca a est\u00e9tica ea monstruosidade dos corpos. Naquela \u00e9poca, o corpo humano, com toda sua escassez e precariedade, estava no centro da S\u00e9tima Arte. Diferen\u00e7a brutal, que torna ainda mais maravilhoso o cinema que se fazia e que tinha talentos como Jerome Cady e Henry Hattaway por tr\u00e1s de tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerome Cady tinha 45 anos quando tomou uma dose excessiva de p\u00edlulas para dormir e morreu no seu iate em 1948, um pouco depois do lan\u00e7amento de Call Nightside 777. Ele foi o roteirista deste e de outros filmes, naquela \u00e9poca gloriosa em que os cr\u00e9ditos apareciam apenas por alguns segundos e n\u00e3o, como \u00e9 costume hoje, por quase um ter\u00e7o do tempo destacando um a um, desde o segurador do pau de luz at\u00e9 o penteador de cachorro. Jerry Cady, como era conhecido, era um escritor de sucesso e este filme, dirigido por Henry Hathaway, conta a hist\u00f3ria de uma reportagem investigativa que livra um prisioneiro de ficar a vida toda na cadeia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/583"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=583"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/583\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":585,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/583\/revisions\/585"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}