{"id":616,"date":"2009-12-12T14:40:52","date_gmt":"2009-12-12T16:40:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=616"},"modified":"2009-12-21T23:46:45","modified_gmt":"2009-12-22T01:46:45","slug":"o-que-e-o-genio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-que-e-o-genio","title":{"rendered":"O QUE \u00c9 O G\u00caNIO?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO g\u00eanio \u00e9 aquele que acerta sempre no exerc\u00edcio do seu of\u00edcio. Pode cometer falhas na vida pessoal, cair em armadilhas, promover injusti\u00e7as, magoar, ferir, se arrepender. O g\u00eanio pode ser, em quase tudo, uma pessoa normal, mas se destaca por esse detalhe: tudo o que produz \u00e9 perfeito, sem errar um s\u00f3 detalhe.<\/p>\n<p>Hoje, a tend\u00eancia \u00e9 fazer faz tabula rasa das pessoas. A mediocridade triunfante fareja o talento, esse mist\u00e9rio da sabedoria, para esbaga\u00e7\u00e1-lo de alguma forma. \u00c9 assim que mant\u00e9m seu poder. Ningu\u00e9m escapa. Quantas vezes n\u00e3o vemos algu\u00e9m negar que Shakespeare realmente existiu? Ou que as grandes descobertas devem ser atribu\u00eddas ao c\u00f4njuge, ao amigo, ao vizinho de um autor? Ou que o pintor definitivo usava a capacidade dos seus alunos para produzir seus quadros?<\/p>\n<p>Particularmente, implico com a palavra \u201cmenor\u201d ao lado de um criador de obras-primas. \u00c9 importante fazer um reparo: todo Kurosawa \u00e9 maior. N\u00e3o existe um s\u00f3 filme de <em>Akira Kurosawa<\/em> que possa ser classificado de outra forma. Nem vou falar dos mais expl\u00edcitos, como <em>Dersu Uzal\u00e1, Ran, Os Sete Samurais, Sanjuro, Yojimbo.<\/em> Mas de <em>O Barba Ruiva<\/em> (1965), em que Toshiro Mifune interpreta o doutor dos pobres, um s\u00e1bio que ensina, pelo exemplo, seu aprendiz arrogante.<\/p>\n<p>Ele prova que por tr\u00e1s de uma doen\u00e7a incur\u00e1vel h\u00e1 uma desgra\u00e7a provocada pela pobreza. A medicina \u00e9 apenas coadjuvante e n\u00e3o protagonista nesse processo complicado, profundo, irredut\u00edvel e imposs\u00edvel de ser solucionado de maneira simples. Pelo menos, enquanto forem mantidos os privil\u00e9gios de casta, a soberba dos mais novos, o medo dos idosos, a crueldade e o cinismo dos bandidos, a ins\u00e2nia das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Impressiona no Mestre a composi\u00e7\u00e3o das narrativas, em que os personagens cruzam paisagens hostis de neve, chuva, vento e terremotos, vestindo apenas um quimono. \u00c9 antol\u00f3gica a cena do desencontro do casal, que ao se despedir tenta reatar. Vemos, representadas visualmente, sem palavras, as idas e vindas, os olhares que n\u00e3o se encontram, as inten\u00e7\u00f5es que se anulam mutuamente, formulando uma coreografia dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Assim se expressa o g\u00eanio, que tanto nos faz falta. Ele \u00e9 gerado pelo humano para transcend\u00ea-lo. Criatura insond\u00e1vel, existe para nos salvar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Implico com a palavra \u201cmenor\u201d ao lado de um criador de obras-primas. \u00c9 importante fazer um reparo: todo Kurosawa \u00e9 maior. N\u00e3o existe um s\u00f3 filme de Akira Kurosawa que possa ser classificado de outra forma. Nem vou falar dos mais expl\u00edcitos, como Dersu Uzal\u00e1, Ran, Os Sete Samurais, Sanjuro, Yojimbo. Mas de O Barba Ruiva (1965), em que Toshiro Mifune interpreta o doutor dos pobres, um s\u00e1bio que ensina, pelo exemplo, seu aprendiz arrogante.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/616"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=616"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/616\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":618,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/616\/revisions\/618"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}