{"id":644,"date":"2009-12-12T15:16:12","date_gmt":"2009-12-12T17:16:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=644"},"modified":"2009-12-21T23:34:01","modified_gmt":"2009-12-22T01:34:01","slug":"morros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/morros","title":{"rendered":"MORROS"},"content":{"rendered":"<p><strong> Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>Casa e morro s\u00e3o mistura de pedra e barro, s\u00f3 que nenhum deles foi feito para suportar o dil\u00favio. Menos ainda quando as imposi\u00e7\u00f5es da laje e do concreto substituem a cobertura vegetal, oferecendo ao relento as piores perspectivas, confirmadas pela trag\u00e9dia que despencou em Santa Catarina. Aqui \u00e9 a terra dos morros e das casas do Brasil profundo, aquelas vistas \u00e0 dist\u00e2ncia que despertam a vontade de morar nelas. O aspecto buc\u00f3lico, silencioso, pac\u00edfico dos recantos que bordam as estradas desta paisagem \u00e9 o alvo dos sonhos produzidos pelos estressados da hiper-urbanidade.<\/p>\n<p>Quem vem de S\u00e3o Paulo, por exemplo, abandona um pesadelo de fuligem e metais, cruza a BR-116 por uma serra hostil, e enfim \u00e9 recepcionado pelas rendas enfileiradas de cordilheiras baixas. Essa pintura derreteu quando os laborat\u00f3rios da \u00e1gua conseguiram separar poeira e brita e jogaram uma parede de espantos na cidadania em p\u00e2nico. O morro, s\u00edmbolo do ambiente amig\u00e1vel, tornou-se sepultura de gente, casas, ruas, bairros, cidades inteiras. Pois n\u00e3o houve apenas inunda\u00e7\u00e3o, enchentes. Houve a grande surpresa: uma parte importante do cart\u00e3o postal implodiu, e rolou sobre pessoas e pistas.<\/p>\n<p>No lugar de um terreno, um brejo; de uma edifica\u00e7\u00e3o, ru\u00ednas; de um caminho, pared\u00f5es surgidos do nada, com estrondo. Como se as entidades que segurassem os morros cometessem suic\u00eddio coletivo. Como se fosse uma emboscada, em que os atentados seriam de esp\u00edritos sinistros de outras dimens\u00f5es a fazer tabula rasa da geografia, eliminando um por um esses sentinelas de vales, esses seguradores de vilas, esses guardi\u00f5es de praias.<\/p>\n<p>Morros que segredam trilhas, conduzem barcos, escondem ninhos, geram vagalumes. Morros que servem de ref\u00fagio, onde os duendes meditam, as fadas se inspiram, os poetas se abrigam. Por tr\u00e1s dos morros existia a imensid\u00e3o do mundo desconhecido. Em muitos pontos do estado marcado pela dor, agora n\u00e3o existe mais nada. Nasce um novo temor, o do morro que amea\u00e7a, a prometer avalanches quando deveria apenas reproduzir o eco de nossos acenos.<\/p>\n<p>Sobram ainda muitos, que merecem tratamento melhor, \u00e0 altura do que enxergamos neles: a paz, que nos falta, a emo\u00e7\u00e3o, que foge para longe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casa e morro s\u00e3o mistura de pedra e barro, s\u00f3 que nenhum deles foi feito para suportar o dil\u00favio. Menos ainda quando as imposi\u00e7\u00f5es da laje e do concreto substituem a cobertura vegetal, oferecendo ao relento as piores perspectivas, confirmadas pela trag\u00e9dia que despencou em Santa Catarina. Aqui \u00e9 a terra dos morros e das casas do Brasil profundo, aquelas vistas \u00e0 dist\u00e2ncia que despertam a vontade de morar nelas. O aspecto buc\u00f3lico, silencioso, pac\u00edfico dos recantos que bordam as estradas desta paisagem \u00e9 o alvo dos sonhos produzidos pelos estressados da hiper-urbanidade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/644"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=644"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1817,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/644\/revisions\/1817"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}