{"id":695,"date":"2009-12-12T21:37:04","date_gmt":"2009-12-12T23:37:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=695"},"modified":"2009-12-21T23:31:25","modified_gmt":"2009-12-22T01:31:25","slug":"qual-democracia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/qual-democracia","title":{"rendered":"QUAL DEMOCRACIA?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de democracia est\u00e1 a reboque dos consensos forjados. O objetivo \u00e9 impor os cem por cento de aprova\u00e7\u00e3o para quem usufrui do topo da pir\u00e2mide. E ter o cuidado de chamar de ditadura a posi\u00e7\u00e3o de quem se insurge contra certezas tornadas, subitamente, eternas. Para que essa m\u00e1gica funcione, \u00e9 preciso instrumentar a cartola e providenciar os coelhos. Pesquisa de opini\u00e3o, por exemplo, substitui perfeitamente o resultado da urna. Pela l\u00f3gica do espet\u00e1culo circense, n\u00e3o se deve criticar os \u00edndices pluviom\u00e9tricos de aceita\u00e7\u00e3o ou recusa sobre esse ou aquele candidato.<\/p>\n<p>Fala-se tanto em voto de cabresto como se fosse algo pertencente ao passado. Mas o voto \u00fatil, por exemplo, mais expl\u00edcito no segundo turno, \u00e9 o mesmo velho h\u00e1bito das elei\u00e7\u00f5es antigas, s\u00f3 que atualizado por meio de argumentos, digamos, cient\u00edficos. O engessamento da opini\u00e3o, que existe a partir de conglomerados de pensamentos prontos para o uso (mas embalados num charme pseudofilosofante), \u00e9 a grande trag\u00e9dia do atual est\u00e1gio pol\u00edtico brasileiro. Reflete a imposi\u00e7\u00e3o de proibi\u00e7\u00f5es, mascaradas sob a \u00f3tica dos nichos.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o for identificado como especialista, n\u00e3o pode debater pol\u00edtica ou economia, pois esses s\u00e3o outros departamentos. Fica mais f\u00e1cil. Os argumentos navegam em vasos comunicantes e todos ficam satisfeitos. Se voc\u00ea \u00e9 cidad\u00e3o, s\u00f3 fala de baixo para cima, no m\u00e1ximo como consumidor consciente e jamais como uma pessoa pol\u00edtica completa, capaz de peitar estadistas. Cada um deve conhecer o seu lugar, como determinava a m\u00e1xima racista. Expropria-se, assim, a grandeza dos eleitores, representados por carregadores de bandeiras a soldo dos candidatos.<\/p>\n<p>A contund\u00eancia do verbo decididamente de oposi\u00e7\u00e3o migrou da pol\u00edtica (que prefere a baixaria pura e simples) e refugia-se nas rodas improvisadas pela popula\u00e7\u00e3o nos lugares onde ainda existem cal\u00e7adas. Erma de um ambiente adequado e de insumos te\u00f3ricos que s\u00f3 a leitura e a reflex\u00e3o podem proporcionar, a cultura emp\u00edrica \u00e9 hoje o \u00faltimo reduto da imagina\u00e7\u00e3o e da liberdade pol\u00edtica. Estas, foram erradicadas dos n\u00edveis estratosf\u00e9ricos onde o debate sobre \u201cprojetos\u201d em \u00e9poca eleitoral costuma acabar em CPIs.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fala-se tanto em voto de cabresto como se fosse algo pertencente ao passado. Mas o voto \u00fatil, por exemplo, mais expl\u00edcito no segundo turno, \u00e9 o mesmo velho h\u00e1bito das elei\u00e7\u00f5es antigas, s\u00f3 que atualizado por meio de argumentos, digamos, cient\u00edficos. O engessamento da opini\u00e3o, que existe a partir de conglomerados de pensamentos prontos para o uso (mas embalados num charme pseudofilosofante), \u00e9 a grande trag\u00e9dia do atual est\u00e1gio pol\u00edtico brasileiro. 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