{"id":716,"date":"2009-12-12T21:52:10","date_gmt":"2009-12-12T23:52:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=716"},"modified":"2009-12-21T23:36:08","modified_gmt":"2009-12-22T01:36:08","slug":"falso-pacifismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/falso-pacifismo","title":{"rendered":"FALSO PACIFISMO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>A ascens\u00e3o do candidato democrata Barak Obama na campanha eleitoral americana coincide, no cinema, com uma s\u00e9rie de filmes que pretendem enterrar a era Bush, a tirania gerada a partir do atentado de 11 de setembro de 2001. Existem filmes que se dedicam aos bastidores da m\u00eddia e da pol\u00edtica, como &#8220;Le\u00f5es e Cordeiros&#8221;, do militante Robert Redford, uma den\u00fancia do oportunismo alimentando os conflitos fora das fronteiras. Ou &#8220;War, Inc.&#8221;, de Joshua Seftel e roteiro de John Cusack, baseado no livro sobre economia de choque da jornalista canadense Naomi Klein, um escracho contra a manipula\u00e7\u00e3o corporativa da guerra do Iraque. Mas o tema mais recorrente \u00e9 a volta dos bravos rapazes de um front duvidoso para a Am\u00e9rica arrasada economicamente.<\/p>\n<p>Dois filmes, com antecedentes ilustres, marcam essa tend\u00eancia: \u201cStop Loss \u2013 A Lei da Guerra\u201d (2008), de Kimberly Peirce, sobre o Iraque, e \u201cHarsh Times -Tempos de Viol\u00eancia\u201d (2005), de David Ayer, sobre o Afeganist\u00e3o. Seus modelos s\u00e3o antigos sucessos, como \u201cNascido em 4 de julho\u201d (1989), de Oliver Stone e \u201cAmargo Regresso\u201d (1978), de Hal Ashby, sobre o Vietn\u00e3. Ex-combatentes desamparados mergulham em pesadelos e horrores. Se a guerra n\u00e3o se justifica (Vietn\u00e3), ou se \u00e9 \u201cnecess\u00e1ria\u201d (Iraque), o que essas obras destacam s\u00e3o a sobreviv\u00eancia dos valores da Am\u00e9rica em meio aos erros imperdo\u00e1veis dos mandat\u00e1rios.<\/p>\n<p>No fundo, os motivos da carnificina n\u00e3o importam. Os Estados Unidos continuam enviando tropas para onde bem entenderem, j\u00e1 que as cr\u00edticas coniventes acabam reiterando o que pretensamente condenam. O que vale \u00e9 cuidar dos rapazes, para n\u00e3o desmoralizar o sistema, acima das gest\u00f5es presidenciais. Os mariners que se afogam em \u00e1lcool e viol\u00eancia no filme de Kimberley Pierce precisam de apoio, de colo. N\u00e3o se deve dar as costas para os her\u00f3is, sen\u00e3o eles fatalmente v\u00e3o morrer no final, como acontece com o personagem Jim Davis, interpretado por Christian Dale em \u201cTempos de Viol\u00eancia\u201d. \u00c9 preciso encontrar motivos para a Am\u00e9rica n\u00e3o perder seu foco, o de exemplo mundial de corre\u00e7\u00e3o, poder e \u00e9tica.<\/p>\n<p>O perigo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de filmes como \u201cNo vale das sombras\u201d (2007), de Paul Haggis, com Tommy Lee Jones e Susan Sarandon. A hist\u00f3ria do bom rapaz que virou torturador, um assassino de cidad\u00e3os desarmados no Iraque, e que ao voltar \u00e9 assassinado pelos companheiros de quartel, \u00e9 uma den\u00fancia dif\u00edcil de engolir, para os padr\u00f5es imperiais. Significa que o mal est\u00e1 dentro de casa e n\u00e3o fora dela. Que existem interesses que passam por cima da cidadania e transformam pessoas pac\u00edficas em bandidos.<\/p>\n<p>O mesmo David Ayer, que em Harsh Times pune o protagonista suicida incapaz de retomar a guerra num novo ambiente, a Col\u00f4mbia, volta \u00e0 carga num impressionante relato sobre a pol\u00edcia de Los Angeles, \u201cOs reis da rua (Street Kings)\u201d. A exemplo de \u201cO Poderoso Chef\u00e3o III\u201d, de Francis Ford Coppola, que aponta o sistema legal como a maior de todas as m\u00e1fias, a nova obra de Ayer coloca o her\u00f3i americano a servi\u00e7o involunt\u00e1rio de grandes interesses. O verdadeiro poder que joga todo mundo na lama tem a cara inocente das pessoas confi\u00e1veis. Eles abanam do palanque e fingem identificar algu\u00e9m na multid\u00e3o. \u00c9 o velho truque dos demagogos.<\/p>\n<p>Quando apontam, sorridentes, para o indiv\u00edduo virtual, que n\u00e3o existe, est\u00e3o enxergando apenas a massa de manobra para o que jamais confessam inteiramente. O talento deve dar o flagrante com anteced\u00eancia para n\u00e3o lamentar depois que o estrago est\u00e1 feito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ascens\u00e3o do candidato democrata Barak Obama na campanha eleitoral americana coincide, no cinema, com uma s\u00e9rie de filmes que pretendem enterrar a era Bush, a tirania gerada a partir do atentado de 11 de setembro de 2001. Existem filmes que se dedicam aos bastidores da m\u00eddia e da pol\u00edtica, como &#8220;Le\u00f5es e Cordeiros&#8221;, do militante Robert Redford, uma den\u00fancia do oportunismo alimentando os conflitos fora das fronteiras. 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