{"id":733,"date":"2009-12-12T22:31:50","date_gmt":"2009-12-13T00:31:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=733"},"modified":"2009-12-21T22:19:28","modified_gmt":"2009-12-22T00:19:28","slug":"ditadura-informal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/ditadura-informal","title":{"rendered":"DITADURA INFORMAL"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAssim como existe uma economia informal, h\u00e1 tamb\u00e9m um regime pol\u00edtico por baixo do pano. Os dois sistemas se parecem, e se alimentam mutuamente. S\u00e3o realidades que colocam em fila, como nos pesadelos da s\u00e9rie Matrix, toda a popula\u00e7\u00e3o conectada diretamente aos sanguessugas, enquanto vivemos um mundo de apar\u00eancias, formatado pelo bombardeio pesado da nossa percep\u00e7\u00e3o. Isso parece uma excresc\u00eancia conceitual e te\u00f3rica, pois \u00e9 dif\u00edcil acreditar que todo o aparato legal, t\u00e3o reiterado pela corre\u00e7\u00e3o e a \u00e9tica, seja apenas a fachada de um esquema perverso, que permanece oculto e ao mesmo tempo presente.<\/p>\n<p>Verdades minuciosamente elaboradas s\u00e3o a superf\u00edcie de algo que rege nossas vidas pela lei do c\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite o gigantesco desvio de rumo dos neg\u00f3cios, mas os camel\u00f4s do Br\u00e1s conseguem abastecer a caixinha da corrup\u00e7\u00e3o em 800 mil reais por m\u00eas. Nem, claro, determina nada que lembre a ditadura, pois h\u00e1 consenso de que vivemos em pleno Estado de Direito. Mas as v\u00e1rias formas de crimes, como sonega\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o, notas frias, produtos falsos se repetem e funcionam em bloco. Assim como s\u00e3o expl\u00edcitas as v\u00e1rias formas de arb\u00edtrio, como arrocho financeiro, engessamento pol\u00edtico, assassinatos de jornalistas etc.<\/p>\n<p>O truque de esconde-esconde, que mascara as evid\u00eancias, \u00e9 abordar esses assuntos de forma circunstancial, aos peda\u00e7os, transformando-os em exce\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea somar a quantidade de situa\u00e7\u00f5es em que se v\u00ea envolvido pela economia informal, ver\u00e1 que ela, na pr\u00e1tica, n\u00e3o se situa na periferia. Na pol\u00edtica acontece o mesmo. Apesar da democracia pr\u00e9-estabelecida, os fatos geram o mesmo tipo de desabafo: \u201cMas isso \u00e9 do tempo da ditadura!\u201d. Privil\u00e9gios, m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda, viol\u00eancia continuam desfilando diante de n\u00f3s, como um filme j\u00e1 visto.<\/p>\n<p>Precisamos descobrir a fonte da Matrix. Nem \u00e9 preciso ir muito longe. O movimento das Diretas-J\u00e1, por exemplo, \u00e9 uma prova de que lutamos pela democracia, correto? Mas ele n\u00e3o foi derrotado no Congresso? Uma elei\u00e7\u00e3o indireta teria sepultado a ditadura, dando posse a um vice de uma chapa que nem tinha assumido? Ou simplesmente teria instaurando o fim da nossa moeda por sucessivos planos cruzados no queixo?<\/p>\n<p>Depois da primeira elei\u00e7\u00e3o direta, o dinheiro da conta corrente foi seq\u00fcestrado. Culpa do povo, que elegeu o sujeito, ou do sistema ordenado por pesquisas e marketing? Decretou-se ent\u00e3o o fim da infla\u00e7\u00e3o. Mas infla\u00e7\u00e3o agora \u00e9 em d\u00f3lar, j\u00e1 que n\u00e3o temos moeda de fato. E entregou-se o patrim\u00f4nio p\u00fablico acumulado em d\u00e9cadas de soberania, de m\u00e3o beijada, com grossa percentagem nas intermedia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estaria delirando? Ou o ex-tzar da economia da \u00e9poca \u00e1urea da ditadura n\u00e3o \u00e9 o consultor mais pr\u00f3ximo do atual governo? Ou as medidas provis\u00f3rias pertencem ao passado? Ou falar tanto em democracia, como nos anos de chumbo, perdeu a raz\u00e3o de ser diante da liberdade t\u00e3o arduamente conquistada? Noto tamb\u00e9m que os pr\u00f3ceres de 1964, quando enfim morrem, s\u00e3o enterrados com honras de chefes de estado. Talvez os verdadeiros ditadores tenham apenas se livrado dos militares, que estavam atrapalhando.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos negar a economia informal, pois ela sobra em todos os estamentos. \u00c9 mais f\u00e1cil negar a ditadura informal, porque \u00e9 duro aceitar a id\u00e9ia. Implica abrir m\u00e3o da nossa mais cara ilus\u00e3o, a de que derrotamos o arb\u00edtrio. Como assim, derrotamos, se houve continu\u00edsmo da pol\u00edtica econ\u00f4mica e nenhum poder pol\u00edtico, seja de qual partido for, consegue mud\u00e1-la?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como existe uma economia informal, h\u00e1 tamb\u00e9m um regime pol\u00edtico por baixo do pano. Os dois sistemas se parecem, e se alimentam mutuamente. S\u00e3o realidades que colocam em fila, como nos pesadelos da s\u00e9rie Matrix, toda a popula\u00e7\u00e3o conectada diretamente aos sanguessugas, enquanto vivemos um mundo de apar\u00eancias, formatado pelo bombardeio pesado da nossa percep\u00e7\u00e3o. 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