{"id":74,"date":"2005-05-13T21:15:33","date_gmt":"2005-05-13T23:15:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=74"},"modified":"2009-12-21T20:25:13","modified_gmt":"2009-12-21T22:25:13","slug":"wonder-boys-o-comodismo-da-revolta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wonder-boys-o-comodismo-da-revolta","title":{"rendered":"WONDER BOYS: O COMODISMO DA REVOLTA"},"content":{"rendered":"<p><img src=\"..\/..\/..\/neiduclos\/imagens\/fotos\/wonderboys1.jpg\" alt=\"\" align=\"left\" \/><\/p>\n<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Happy end \u00e9 a vit\u00f3ria da tradi\u00e7\u00e3o redefinida &#8211; na sua apar\u00eancia &#8211; pelo conflito. Este, funciona no cinema americano como atualiza\u00e7\u00e3o permanente dos princ\u00edpios do que eles chamam Am\u00e9rica &#8211; o sonho que s\u00f3 existe na tela e que na realidade revela-se como pesadelo. Wonder boys (1999), de Charles Hanson, mostra que nenhuma intensidade do conflito poder\u00e1 jamais abalar a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 neste filme todo tipo de &#8220;insanidade&#8221; que, no fim, adere ao leito normal: o professor\/autor puxador de fumo e travado na criatividade, a reitora\/amante que sonha largar o marido intelectual (estranho guardi\u00e3o de um casaco de Marilyn Monroe), o aluno freak armado em surto permanente, a aluna aplicada que pretende seduzir o mestre, o editor picareta que assedia meninos. Todos se acertam no final porque a Am\u00e9rica precisa seguir em frente, intacta, alimentada pela diversidade dos desvios tornados in\u00f3cuos<\/p>\n<p><img src=\"..\/..\/..\/neiduclos\/imagens\/fotos\/wonderboys2.jpg\" alt=\"\" align=\"left\" \/> Era assim nos filmes rom\u00e2nticos em que o casal imposs\u00edvel acabava se casando, e nos outros em que o pai de fam\u00edlia em fuga voltava ao lar. O cinema americano mostra que a inclus\u00e3o n\u00e3o se importa com a origem ou a natureza do problema, mas sim a contribui\u00e7\u00e3o do caos para a estabilidade da Am\u00e9rica. O importante \u00e9 que no fim o migrante jure a bandeira estrelada e com listas (que aparece obrigatoriamente em cem por cento dos filmes, j\u00e1 que o cinema reitera virtualmente a Am\u00e9rica para justific\u00e1-la como dona do mundo), o marido volte a se apaixonar pela esposa, o negro se abrace com o advers\u00e1rio branco.<\/p>\n<p>O radicalismo assim serve ao poder como pimenta em prato sem gosto. A Am\u00e9rica como s\u00edntese do mundo serve para substitu\u00ed-lo. O resto s\u00e3o espa\u00e7os sem forma, como o vasto territ\u00f3rio que come\u00e7a no Rio Grande e termina na Terra do Fogo, onde todos tocam maracas, usam bigodes e chap\u00e9us e fogem para o Rio depois de dar um golpe. Os Estados Unidos mant\u00e9m a exclus\u00e3o como fonte inspiradora da inclus\u00e3o imposta internamente via ind\u00fastria &#8220;cultural&#8221;. No seu universo, n\u00e3o existem povos, existem biotipos. O lationoamericano divide-se entre o chicano traficante, o porto-riquenho policial de boa \u00edndole, o bandido mexicano e as putas hisp\u00e2nicas. Existem hoje os palestinos vil\u00f5es no lugar que d\u00e9cadas atr\u00e1s era exaustivamente ocupada pelos alem\u00e3es.<\/p>\n<p>O truque de mais profunda repercuss\u00e3o \u00e9 o do her\u00f3is solit\u00e1rio, em luta com uma contrafa\u00e7\u00e3o do governo, uma imita\u00e7\u00e3o maligna do poder: a quadrilha liderada por um ex-combatente, um ex-agente da CIA (num ciclo recorrente do coronel Kurz, de Conrad\/ Coppola). O her\u00f3i, que aparentemente est\u00e1 decepcionado com o governo (o que o identifica com a gang que o ataca) acaba fazendo todo o jogo sujo: enfrenta a imita\u00e7\u00e3o de governo para destru\u00ed-la sozinha, antes que chegue o xerife. \u00c9 um m\u00e9todo de introduzir a Am\u00e9rica virtual na a\u00e7\u00e3o individual (met\u00e1fora fajuta da liberdade).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 sa\u00eddas no cinema americano. H\u00e1 happy end. Os her\u00f3is que acabam dizendo alguma coisa morrem no final, como os easy riders.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Happy end \u00e9 a vit\u00f3ria da tradi\u00e7\u00e3o redefinida &#8211; na sua apar\u00eancia &#8211; pelo conflito. 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