{"id":78,"date":"2005-05-13T21:19:15","date_gmt":"2005-05-13T23:19:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=78"},"modified":"2009-12-21T20:10:29","modified_gmt":"2009-12-21T22:10:29","slug":"matrix-e-matrix-reloaded-a-vilania-do-software","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/matrix-e-matrix-reloaded-a-vilania-do-software","title":{"rendered":"MATRIX E MATRIX RELOADED &#8211; A VILANIA DO SOFTWARE"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Matrix e Matrix Reloaded s\u00e3o o apogeu de uma cultura nascida na revolu\u00e7\u00e3o digital e que nem em sonhos poder\u00e1 ser acessada totalmente por uma cultura obsoleta. Enquanto esses filmes atingem a velocidade da luz, a cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica continua na idade da carro\u00e7a. Matrix vinga-se como mega-sucesso e prepara mais surpresas para a terceira e \u00faltima parte da trilogia. J\u00e1 conseguiu um estrago razo\u00e1vel: colocou no chinelo todos os seus ep\u00edgonos e instaurou na cultura de massa a pol\u00eamica, at\u00e9 agora restrito aos meio acad\u00eamicos, sobre a realidade como vontade e representa\u00e7\u00e3o. Os dois Matrix coloca de maneira expl\u00edcita que os quadrinhos, a graphic novel, os jogos de computador , a Internet e todas as suas implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o propriedade intelectual de uma gera\u00e7\u00e3o que atinge agora seu esplendor cultural e por isso merece ser respeitada, como o foram as gera\u00e7\u00f5es passadas, com seus cinemas de vanguarda e suas literaturas experimentais. Mas, assim como nada nasce por acaso e \u00e9 fundamental relacionar paradigmas que n\u00e3o se tocam para evitar o obscurantismo do debate, pode-se dizer, como pura provoca\u00e7\u00e3o, que Matrix Releoad confirma o medo do sistema diante de uma tecnologia que n\u00e3o tem um centro, portanto, n\u00e3o est\u00e1 totalmente dominada. Esse pavor tinha sido explicitado no filme Superman III, onde o computador duela com o homem de a\u00e7o, que por possuir vis\u00e3o de raio X \u00e9 confundido com avi\u00e3o \u00e9 o s\u00edmbolo de uma tecnologia totalmente manipulada pelo sistema e concentrada nos monop\u00f3lios. Da\u00ed a refer\u00eancia expl\u00edcita de Neo no papel de Superman: o sistema precisa de um predestinado que seja a refer\u00eancia de um conhecimento e uma t\u00e9cnica totalmente d\u00f3ceis ao sistema. \u00c9 obvio que n\u00e3o \u00e9, j\u00e1 que a Internet foi criada exatamente para n\u00e3o ter centro por ser fruto da guerra fria, quando o medo de um ataque nuclear poderia destruir toda a rede se ela tivesse um ponto principal que dominasse todos os acessos. O fim da Guerra Fria inverte o processo e leva a Internet em dire\u00e7\u00e3o aos monop\u00f3lios e aos c\u00f3digos dominantes, mas a luta ainda n\u00e3o est\u00e1 vencida por nenhum dos lados &#8211; e \u00e9 nessa arena que Matrix tra\u00e7a seu design de exageros, soma das muitas transgress\u00f5es sofridas pelo cinema americano &#8211; desde os del\u00edrios do faroeste italiano at\u00e9 os v\u00f4os inveross\u00edmeis da coreografia inspirada nas produ\u00e7\u00f5es de Hong Kong. Matrix revela o principal p\u00e2nico do sistema: a \u201cverdadeira\u201d realidade \u00e9 ainda a da revolu\u00e7\u00e3o industrial ou seja, onde as m\u00e1quinas obedecem aos humanos. O centro desse sistema obsoleto, mas caro ao poder imperial americano, \u00e9 representado por Zion, a cidade subterr\u00e2nea garantida por m\u00e1quinas d\u00f3ceis e que est\u00e1 sendo amea\u00e7ada pelas m\u00e1quinas inteligentes, isto \u00e9, a tecnologia emergente que ainda escapa \u00e0 for\u00e7a do imp\u00e9rio. Colocar a vida cotidiana como uma ilus\u00e3o coletiva \u2013 o sistema de linguagem conhecido como Matrix, que \u00e9 acessado por meio da t\u00e9cnica do \u201csonhar\u201d revelada nos livros de Carlos Castaneda \u2013 \u00e9 a maneira encontrada pelo show biz (instrumento poderoso de manipula\u00e7\u00e3o de massa) para assustar o p\u00fablico. A mensagem, assim como a regra nas transmiss\u00f5es esportivas, \u00e9 clara: \u00e9 mais aut\u00eantico depender de um mundo \u201creal\u201d de ferros retorcidos e rodas dentadas do que uma realidade \u201cvirtual\u201d idealizado por um monstro desconhecido. Na pr\u00e1tica, sabemos qual \u00e9 o verdadeiro perigo que o sistema teme: a descentraliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, a revolu\u00e7\u00e3o e seu acervo de predestina\u00e7\u00f5es e lutas. O truque \u00e9 desmoralizar esse perigo, venc\u00ea-lo culturalmente, j\u00e1 que na refrega de guerra o sistema mostrou que \u00e9 indestrut\u00edvel. O medo diante da revolta tenta convencer o p\u00fablico &#8211; presa f\u00e1cil de teorias &#8220;mal intencionadas&#8221; &#8211; que a realidade que todos admiram \u00e9 fr\u00e1gil e pode ser apenas a inven\u00e7\u00e3o monstruosa de uma cabe\u00e7a doentia \u2013 o Arquiteto, de Matrix Reloaded. Para afastar a vilania do software, a linguagem que caiu em m\u00e3os erradas, \u00e9 preciso eliminar toda e qualquer oposi\u00e7\u00e3o ao sistema e jogar todas as fichas no her\u00f3i, a individualidade que decide e que nasceu para sobreviver no final. Se a vit\u00f3ria vai depender mais de predestina\u00e7\u00e3o e profecias do que de estrat\u00e9gia militar o terceiro filme dir\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matrix e Matrix Reloaded s\u00e3o o apogeu de uma cultura nascida na revolu\u00e7\u00e3o digital e que nem em sonhos poder\u00e1 ser acessada totalmente por uma cultura obsoleta. 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