{"id":881,"date":"2009-12-13T20:13:00","date_gmt":"2009-12-13T22:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=881"},"modified":"2009-12-21T22:56:10","modified_gmt":"2009-12-22T00:56:10","slug":"a-proxima-chance","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/a-proxima-chance","title":{"rendered":"A PR\u00d3XIMA CHANCE"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>E se fosse o contr\u00e1rio, o Nilo como d\u00e1diva do Egito? E se as cheias peri\u00f3dicas depositando h\u00famus para a lavoura n\u00e3o fossem obra do acaso, mas dos homens fartos do deserto? E se a grandiosidade do rio fosse o resultado de paciente e intermin\u00e1vel trabalho de gera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o queriam mais ficar \u00e0 merc\u00ea da sede e da fome?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que a natureza, tal como a conhecemos, e que est\u00e1 quase totalmente destru\u00edda, com suas cachoeiras deslumbrantes, cercadas por pedras lisas e horizontais estrategicamente colocadas para o deleite dos banhistas, tenha sido projetada por ra\u00e7as ancestrais. Elas moldaram montanhas, orientaram nascentes em dire\u00e7\u00e3o aos leitos, que cavaram na areia, e assim levantaram n\u00e3o apenas pir\u00e2mides, mas florestas.<\/p>\n<p>Seus vest\u00edgios est\u00e3o por toda a parte. Ta\u00e7as gigantes de granito que se erguem em conjunto com enormes ab\u00f3badas ou arcos. Ru\u00ednas n\u00e3o catalogadas, cheias de sinais extravagantes \u00e0 espera de um Champollion. O que dizem tra\u00e7os, figuras, cenas, sinais gravados eternamente, cercando ba\u00edas mansas, escondendo-se em cordilheiras indevass\u00e1veis, brotando em cerrados e planaltos? Foram os \u00edndios, ou isso \u00e9 obra da chuva, dos ventos e do tempo, dizem os acad\u00eamicos c\u00e9ticos. \u00c9 a Atl\u00e2ntida, dizem os sonhadores empedernidos.<\/p>\n<p>Descobriram h\u00e1 pouco tempo enormes estruturas quadradas no ch\u00e3o do Acre desmatado, formadas por canais, que se repetem por quil\u00f4metros. A verdade \u00e9 que a abund\u00e2ncia dos vest\u00edgios \u00e9 assimilada de maneira tosca pela escassez das teorias. Nada temos a descobrir nas pedras empilhadas do litoral e interior, nas esfinges que grudam em cost\u00f5es ou pontuam paisagens no ermo. Tudo est\u00e1 catalogado como mist\u00e9rio intranspon\u00edvel e qualquer especula\u00e7\u00e3o \u00e9 recebida com bocejo ou gargalhada.<\/p>\n<p>Acostumados a esse tipo de tratamento, alguns estudiosos de f\u00f4lego maior continuam com suas descobertas e, para n\u00e3o assustar os leigos, circunscrevem esse tesouro a espa\u00e7os temporais conhecidos ou a id\u00e9ias rudimentares e mansas. Mas no fundo eles sabem. Habitamos a terra lavrada pelo g\u00eanio dos antigos, de tal maneira que toda a natureza se voltava para a sobreviv\u00eancia. Fizeram do habitat um lugar apraz\u00edvel, j\u00e1 que cansaram de serem chicoteados pelas tempestades, terremotos e nevascas.<\/p>\n<p>Para se defenderem, imitaram o Criador. Ou seja, no planeta b\u00e1rbaro geraram o \u00c9den, com suas \u00e1guas providenciais, os bichos sob controle, o clima favor\u00e1vel. Dizem que a Ilha da P\u00e1scoa se transformou num deserto pela falta dos seus habitantes, que destru\u00edram os insumos para persistirem vivos. Ou que antes da Amaz\u00f4nia t\u00ednhamos o deserto. E que antes do Saara, t\u00ednhamos a floresta. Na tentativa e erro, as popula\u00e7\u00f5es ergueram e destru\u00edram suas obras que se confundiram com a natureza.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 obra do homem e sua loucura. Estamos cercados por planetas inabit\u00e1veis. Fomos tamb\u00e9m assim e nos dirigimos para esse destino. Herdamos o para\u00edso e acabamos com ele. Sentimos saudades do trabalho de fazer brotar a flor provis\u00f3ria, a \u00e1rvore imortal, a cascata em forma de v\u00e9u de noiva. Perdemos a pista de como se faz. O \u00fanico caminho para resgatar esse saber ser\u00e1, parece, acabar com tudo. Nus diante do horror, teremos que recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. J\u00e1 tivemos nossa chance. Haver\u00e1 uma pr\u00f3xima? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se fosse o contr\u00e1rio, o Nilo como d\u00e1diva do Egito? E se as cheias peri\u00f3dicas depositando h\u00famus para a lavoura n\u00e3o fossem obra do acaso, mas dos homens fartos do deserto? 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