{"id":942,"date":"2009-12-13T22:37:03","date_gmt":"2009-12-14T00:37:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=942"},"modified":"2009-12-21T22:26:00","modified_gmt":"2009-12-22T00:26:00","slug":"baleias-e-baloes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/baleias-e-baloes","title":{"rendered":"BALEIAS E BAL\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Alertado sobre uma fam\u00edlia de baleias que fazia evolu\u00e7\u00f5es na praia de Ingleses, onde moro, aproveitei a manh\u00e3 de sol para mais um passeio com minha neta Maria Clara.<\/p>\n<p>Pensei: que bela oportunidade para a crian\u00e7a usufruir da natureza, vendo essas gl\u00f3rias da cria\u00e7\u00e3o ainda existentes. E elas est\u00e3o pertinho de n\u00f3s, praticamente na beira. Puxei a neta e vislumbrei dorsos cinza-esverdeados se sobressaindo no mar azul de inverno.<\/p>\n<p>No mesmo instante em que nos som\u00e1vamos a centenas de espectadores do espet\u00e1culo, com direito a esguichos e caudas que administravam espumas em gestos graciosos, eis que tr\u00eas grupos de bal\u00f5es multicoloridos amarrados davam sopa bem no limite entre a areia e a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Maria Clara ficou encantada com a maravilha da natureza que s\u00e3o os bal\u00f5es pipocando ao sabor do quebra-mar. &#8220;Bal\u00e3o, bal\u00e3o&#8221;, disse, exigente, com passos apressados e dedos decididos. Estava completamente alheia ao centro do picadeiro, uma exibi\u00e7\u00e3o rara at\u00e9 mesmo em viagem de navio. Fui atr\u00e1s, av\u00f4 obediente que sou. Mas n\u00e3o conseguia alcan\u00e7ar nenhum dos tufos de bal\u00f5es, que brincavam de pegar comigo.<\/p>\n<p>Uma senhora, condo\u00edda, se atreveu a me ajudar, n\u00e3o sem esfor\u00e7o. Depois de muita luta, ela alcan\u00e7ou um dos ramos de borracha vermelha e amarela, o que deixou Maria Clara pronta para voltar. Pois a id\u00e9ia era prender os fugitivos num lugar seguro. Para ela, o principal do passeio estava feito: a captura daquela prenda surpreendente, que inventou de rolar bem na nossa frente, fazendo sombra ao que eu achava ser a coisa mais importante da temporada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o desisti. A toda hora, chamava a aten\u00e7\u00e3o da garota, que dava voltas ao redor dos seus bal\u00f5es. Quando ela atendia o meu pedido e se dignava a olhar os gigantes, contra o sol, eles tinham mergulhado por alguns segundos. Ela se virava, mas s\u00f3 via o de sempre: o mar infinito, a ilha l\u00e1 adiante, navios no horizonte e na ponta direita da praia, a montanha, ou o morro, como queiram. Coisas banais de todo dia. O que \u00e9 raro \u00e9 bal\u00e3o pedindo para ser colhido, fazendo concorr\u00eancia ao foco das aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De m\u00e3os dadas com a neta, fiquei bastante tempo admirando a tranq\u00fcilidade das criaturas, que devem gostar mesmo \u00e9 de praia. Sentem talvez uma vontade imensa de viver em terra, e essa, quem sabe, deve ser a explica\u00e7\u00e3o de tantas vezes escolherem o encalhe no lugar do alto mar.<\/p>\n<p>Mas aquelas baleias n\u00e3o amea\u00e7avam chegar at\u00e9 n\u00f3s. Ficavam praticamente no mesmo lugar, gozando as del\u00edcias dos remansos da ba\u00eda. Havia o vento t\u00e9pido e uma s\u00fabita sintonia se estabeleceu entre gente e bicho. De quebra, ainda t\u00ednhamos na m\u00e3o os bal\u00f5es ariscos, soprados num tamanho ideal, para que n\u00e3o estourassem.<\/p>\n<p>Agora eles decoram a cabaninha improvisada no quintal, onde Maria Clara se dedica a alguns afazeres, coisas que n\u00e3o atinamos e que s\u00f3 ela, no seu mundo secreto, sabe do que se trata.<\/p>\n<p>Manh\u00e3 de baleias e bal\u00f5es: s\u00e3o muitas as atra\u00e7\u00f5es desta vida. Depende de cada um perceber onde est\u00e1 o verdadeiro valor de uma miragem, uma surpresa, um presente, prendas de um dia inigual\u00e1vel deste lugar ainda habit\u00e1vel, tanto para gente, quanto para outras manifesta\u00e7\u00f5es da natureza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mesmo instante em que nos som\u00e1vamos a centenas de espectadores do espet\u00e1culo, com direito a esguichos e caudas que administravam espumas em gestos graciosos, eis que tr\u00eas grupos de bal\u00f5es multicoloridos amarrados davam sopa bem no limite entre a areia e a \u00e1gua.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/942"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=942"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1716,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/942\/revisions\/1716"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}