{"id":982,"date":"2009-12-14T00:03:54","date_gmt":"2009-12-14T02:03:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=982"},"modified":"2009-12-21T20:45:57","modified_gmt":"2009-12-21T22:45:57","slug":"inteligencia-e-emocao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/inteligencia-e-emocao","title":{"rendered":"INTELIG\u00caNCIA \u00c9 EMO\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o se emociona com o que n\u00e3o compreende. Ignorar gera resist\u00eancia e muitas vezes \u00f3dio. Mas entender acaba tocando o cora\u00e7\u00e3o. A emo\u00e7\u00e3o portanto n\u00e3o \u00e9 cega e n\u00e3o basta a si mesma. Ela \u00e9 o resultado da inten\u00e7\u00e3o de entender. Quem se emociona n\u00e3o \u00e9 obrigatoriamente inteligente, mas expressa recados claros da mente. Por isso, se voc\u00ea tem a inten\u00e7\u00e3o de emocionar, n\u00e3o aposte na burrice do receptor, naquilo que parece ser infal\u00edvel para fazer verter l\u00e1grimas. As pessoas choram porque conseguem ver o que estava oculto, enxergar o que parecia inacess\u00edvel, aprender o que jamais tinha sido sequer sugerido.<\/p>\n<p>Mas o que acontece \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de chav\u00f5es que fazem as pessoas se emocionarem, poder\u00e3o dizer. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o engano. As pessoas n\u00e3o se emocionam sempre pelos mesmos tipos de enredos ou desfechos. Elas se emocionam porque em algum lugar da obra, da narrativa, do exemplo, eles encontram a chave para o entendimento. Por isso parece ser t\u00e3o incompreens\u00edvel porque filmes ou livros que aparentemente nada possuem, a n\u00e3o ser um amontoado de solu\u00e7\u00f5es prontas, fazem o maior sucesso. \u00c9 que em cada uma dessas obras, se destacam as revela\u00e7\u00f5es que atingem o cora\u00e7\u00e3o pelo caminho aberto da mente.<\/p>\n<p>O que se repete \u00e9 o esclarecimento. Na com\u00e9dia rom\u00e2ntica, por exemplo, a descoberta do amor vem pelo insight sobre o parceiro que esteve sempre ao lado e jamais foi percebido de maneira clara. Sempre funciona: o amante em potencial n\u00e3o enxergava o que estava expl\u00edcito e s\u00f3 quando ele v\u00ea de maneira clara \u00e9 que corre, no final do filme, para encontrar seu grande amor. Mas isso vira um truque! pode-se contra-argumentar. N\u00e3o concordo. Cada pe\u00e7a, filme, romance, precisa palmilhar o caminho do entendimento dos personagens para poder emocionar. N\u00e3o se trata de empilhar as situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 consagradas. Mas de refazer o trajeto, que aparentemente \u00e9 sempre o mesmo.<\/p>\n<p>Fica ent\u00e3o dif\u00edcil saber porque as pessoas se emocionam com algo que j\u00e1 foi explorado at\u00e9 a exaust\u00e3o. \u00c9 porque o lugar comum tem outro significado: o comum, no caso, \u00e9 o que acontece a todos, mas em cada hist\u00f3ria tem sua identidade pr\u00f3pria. O comum n\u00e3o \u00e9 o batido, o Mesmo execr\u00e1vel. Quando a mesmice assoma, ningu\u00e9m gosta. O sucesso vem quando o autor palmilha o \u00e1rduo caminho do entendimento na sua narrativa. Quando as hist\u00f3rias se parecem, mas mant\u00e9m sua especificidade, fica ainda mais encantador. Porque nos reconhecemos em hist\u00f3rias parecidas, mas nunca iguais. Praticamente relembramos a fonte da emo\u00e7\u00e3o: saber primeiro, para chorar depois<\/p>\n<p>H\u00e1 emo\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 intelig\u00eancia, em qualquer n\u00edvel. N\u00e3o se trata da tal intelig\u00eancia emocional, como se o entendimento estivesse a reboque do romantismo. Costuma-se dizer que s\u00f3 podemos entender quando sentimos. \u00c9 uma percep\u00e7\u00e3o pelo avesso. \u00c9 exatamente o contr\u00e1rio. S\u00f3 podemos sentir quando entendemos. Grandes poetas n\u00e3o perdem tempo em gerar emo\u00e7\u00e3o se derramando em versos. Mas fazem como Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto: limpam a palavra at\u00e9 o osso, mant\u00eam a dureza do of\u00edcio, buscam a engenharia no lugar do a\u00e7\u00facar e o resultado \u00e9 devastador. Sempre me emociono com Jo\u00e3o Cabral, porque ele aposta na compreens\u00e3o dos processos para tocar fundo o leitor.<\/p>\n<p>Alguns roteiristas j\u00e1 viram esse n\u00f3 de maneira muito clara e por isso estendem at\u00e9 o limite a elasticidade das situa\u00e7\u00f5es. O que desencadeou este texto foi o filme Mais estranho do que a fic\u00e7\u00e3o, do roteirista Zach Helm, dirigido por Marc Forster, com Emma Thompson, Dustin Hoffman, Will Ferrer, Maggie Gyllenhaal e Queen Latifah. \u00c9 sobre literatura: um personagem escuta a voz feminina de uma narradora, que descreve a vida dele, personagem. A escritora est\u00e1 em crise criativa, pois ficou prisioneira de uma obra assassina, que mata seus personagens. O protagonista inventado acaba sendo real e se insurge contra a pr\u00f3pria morte.<\/p>\n<p>O filme narra a jornada de um imbecil at\u00e9 o entendimento, para usar o t\u00edtulo de uma pe\u00e7a de Pl\u00ednio Marcos. E revela a transforma\u00e7\u00e3o da escritora, prisioneira dos horrores de Dostoiewski, que se liberta para uma hist\u00f3ria em que seu personagem se salva n\u00e3o por se insurgir contra sua pr\u00f3pria morte anunciada, mas porque deixou exposto o truque narrativo ao se conformar com seu fim. \u00c9 poupado porque esclarece a autora sobre sua crise criativa e ganha a chance do amor ao se entender com algu\u00e9m exatamente oposta a ele. Um belo filme, inteligente, que por isso mesmo emociona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais estranho do que a fic\u00e7\u00e3o, do roteirista Zach Helm, dirigido por Marc Forster, com Emma Thompson, Dustin Hoffman, Will Ferrer, Maggie Gyllenhaal e Queen Latifah, narra a jornada de um imbecil at\u00e9 o entendimento, para usar o t\u00edtulo de uma pe\u00e7a de Pl\u00ednio Marcos. E revela a transforma\u00e7\u00e3o da escritora, prisioneira dos horrores de Dostoiewski, que se liberta para uma hist\u00f3ria em que seu personagem se salva n\u00e3o por se insurgir contra sua pr\u00f3pria morte anunciada, mas porque deixou exposto o truque narrativo ao se conformar com seu fim. \u00c9 poupado porque esclarece a autora sobre sua crise criativa e ganha a chance do amor ao se entender com algu\u00e9m exatamente oposta a ele.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=982"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1619,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982\/revisions\/1619"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}