Consciência - Filosofia e Ciências Humanas

SOBRE A SENTENÇA DE NIETZSCHE: O SUPER-HOMEM É O SENTIDO DA TERRA.


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06/16/07

Sobre a sentença de Nietzsche
“O super-homem é o sentido da terra”

Roberto S. Kahlmeyer-Mertens [1]

Resumo

A questão do texto é perguntar sobre o conceito de “sentido da terra” tal como vemos formulado no livro Assim Falou Zaratustra de F. W. Nietzsche. Nosso objetivo é esclarecer a compreensão que o autor tem deste, bem como ele se relaciona com outros conceitos específicos na referida obra. Para tanto, partiremos da passagem na qual estas noções se apresentam de maneira articulada, a saber: “O super-homem é o sentido da terra. Fazei a vossa vontade dizer que: ‘o super-homem seja o sentido da terra”. Usaremos também de comentários de estudiosos que poderão colaborar com nossa reflexão.

Palavras-chave: Metafísica, Nietzsche, “Assim Falou Zaratustra”.

O texto propõe, inicialmente, uma interpretação do conceito de “sentido da terra”, tal como vemos formulado no livro Assim falou Zaratustra, de F. W. Nietzsche. Entretanto, esta questão nos serve apenas como pretexto para nos esclarecermos do lugar que o pensamento de Nietzsche ocupa na História da Filosofia. Embora, partamos da tarefa de analisar um conceito oriundo da obra de Nietzsche, nos apoiaremos, para a delimitação proposta, em um conjunto de reflexões feitas sobre Nietzsche, reflexões capazes de fornecer os subsídios necessários para nosso exercício. Dado a empreenderem uma avaliação crítica e posterior ao advento da filosofia deste autor. Portanto, optamos por utilizar os estudos de Heidegger sobre Nietzsche, além de outros estudiosos que se ocupam da mesma tarefa, seguindo a linha interpretativa inaugurada por este primeiro autor.

Após esta breve apresentação, cabe a advertência que o aqui proposto não pretende palavra final, antes se propõe como tentativa, uma investida, certamente incapaz de ser levada a um bom termo no corpo de tão reduzido artigo, mas ainda assim, válida enquanto provocação e exercício. Destarte, nosso texto constará de dois momentos: 1) uma delimitação do tema em vista do conteúdo histórico da filosofia, à luz da interpretação heideggeriana; 2) a interpretação do conceito de sentido da terra, a partir do texto de Nietzsche, no qual procuraremos ordenar passagens para esclarecer-nos sobre o tema e seus propósitos.

No Prólogo III de seu Assim Falou Zaratustra, Nietzsche profere aquela que, dentre outras, afigura-se como, talvez, a mais enigmática passagem de todo seu livro. Diz ele: “que o super-homem seja o sentido da terra. Fazei a vossa vontade dizer que o super-homem seja o sentido da terra”. (NIETZSCHE, 1994, p.30)

O que significa dizer que o super-homem é o ‘sentido da terra’? Pergunta que poderia também ser formulada como: o que, no horizonte do pensamento de Nietzsche, significa sentido da terra? Que tipo de problema está em jogo nesta afirmação? Seria esta proposição um mero discurso estético, ou um efeito retórico numa obra literária de um escritor do século XIX? Estamos certos de que não. Assim, no intuito de uma primeira delimitação do terreno no qual deverá mover-se o esclarecimento destas perguntas, citamos Danilo Cruz Véles, quando este, tecendo considerações sobre a produção crítica que aborda Nietzsche, grifa aquele que seria o centro e real interesse do pensamento do autor alemão:

Por uma ou outra razão, esta [produção crítica] tem dirigido sua atenção preferencialmente à periferia de sua obra, desconsiderando o centro de sua filosofia. Este é um centro metafísico. (…) Há de se ver Nietzsche, pois, no horizonte dessa metafísica. O dito centro é a raiz donde brota toda sua obra, a raiz que nutre cada um de seus conceitos, cada uma de suas imagens, cada um de seus símbolos e de seus mitos. (…) Depois vieram as interpretações biológicas, sociológicas, éticas, religiosas e políticas. Entre elas há algumas de grande valor. Contudo, todas se movem na periferia do fenômeno chamado Nietzsche. (…) Pois, ademais e sobretudo, Nietzsche é um fenômeno metafísico, e há de ser visto no horizonte da metafísica. (VÉLES, 1993, p. 12-13)

 

Esta citação restringe o âmbito no qual deverá mover-se nossa interpretação. Trocando em miúdos, ela nos diz o seguinte: o Nietzsche do qual devemos nos ocupar é o filósofo. Por filósofo, entendemos aquele que se ocupa com questões filosóficas, estas, que não são quaisquer questões, mas que pertencem a uma certa tradição, de certo modo, ainda vigente no pensamento ocidental, a saber: a metafísica.

Nesses termos, compreendemos, desde já, a filosofia como metafísica, procedimento de determinação do fundamento de todo ente. Processo que engendra o curso histórico de seu próprio fenômeno, bem como o destino que toma. Com isso, temos que Nietzsche, tal como tratado aqui, será compreendido como um pensador comprometido com as questões da tradição metafísica. Diante dessas considerações, conclui-se, a partir da delimitação proporcionada pela passagem do comentador (que chega assegurar que é desta metafísica que brota o centro da filosofia de Nietzsche), que a temática do sentido da terra, bem como as perguntas formuladas sobre este problema, enunciadas em nosso texto, viriam fazer menção, de uma forma ou de outra, à metafísica. O que nos permite atestar que este problema apontaria à questões concernentes ao processo metafísico em sua história.

Nesse ponto, algumas objeções poderiam ser apresentadas, naturalmente questionando a autoridade legada a Véles (e mesmo uma possível arbitrariedade em sua escolha) dado a esta ser apenas mais uma em um universo de outras tantas, de tantos outros autores, aos quais não podemos desconsiderar. Poderíamos tentar justificar esta opção pela boa oportunidade que esta nos proporciona de pensar o tema e ao dar continuidade ao nosso argumento. Entretanto, isso ainda seria pouco, pois ainda não esclarece a vinculação de Nietzsche com o processo metafísico; não dando conta de calar as requisições de pensar Nietzsche como um opositor da metafísica.

Cremos poder afirmar que falar em Nietzsche como alguém comprometido com o processo metafísico, não é só a avaliação do autor citado, nesta avaliação encontramos enunciado um traço da interpretação feita por Heidegger (o que justifica o propósito de uma delimitação, tendo em vista que encontramos uma interseção com o autor cuja interpretação optamos por tratar). Interpretação controversa e que possui diversas divergências com outros autores contemporâneos.[2] Contudo, a leitura de Heidegger (e indiretamente a de Véles) traz a contribuição de admitir Nietzsche como uma figura filosófica completa, atuando em um período da metafísica; esta, compreendida por Heidegger como essencialmente história do ser. Por isso Nietzsche seria um fenômeno metafísico.

Agora munidos das posições prévias apresentadas acima, e, portanto, considerando que Nietzsche faria parte do processo metafísico (ainda que recusasse o modo sistemático e ordenador com que a metafísica opera, e partindo de um domínio das idéias que é regido por uma disciplina da razão), nos pomo diante de novas indagações: Concordando que Nietzsche é um fenômeno metafísico, e que há de ser visto no horizonte da metafísica, em que momento da metafísica o pensamento deste autor se apresentaria? Que posição ocuparia Nietzsche nessa história?

Compreendendo a metafísica tal como em Heidegger, no já aludido processo ou errância, em que a questão do fundamento (e o fundamento mesmo, enquanto o ser) se desdobra em história, Nietzsche ocuparia nesta história uma posição bem específica e, portanto, nada casual. Exatamente aquele momento no qual alguns autores chamariam de ‘fim da filosofia’ (ou acabamento da metafísica). De modo simplório poderíamos trocar em algumas palavras este momento assim: a metafísica por ser um processo operado continuamente, acaba; acabamento este caracterizado pela determinação daquele que seria o fundamento de tudo que é.

Segundo Heidegger, no acabamento estariam implicados tanto Hegel como Nietzsche. Entretanto, no que concerne a Nietzsche, a metafísica tem fim não porque ele a rejeita ou se volta contra ela, (HEIDEGGER, 2000, p.63) mas porque na avaliação de Heidegger: “Com a metafísica de Nietzsche, a filosofia acaba. Isto quer dizer: ela já percorreu todo o âmbito das possibilidades que lhe foram pressignadas”. (HEIDEGGER, 2000, p.72) Todavia, fim é acabamento não no sentido de uma realização de um ideal supremo (HEIDEGGER, 2000, p.58) (como seria na filosofia de Hegel, quando este leva consuma o projeto de determinação do fundamento e essência de todos os entes, ao formulá-lo como consciência absoluta, resultado obtido a partir da radicalização da noção de ‘subjectum’ enquanto ‘cogito’, isto é, sujeito autônomo, cunhado por Descartes), mas ao contrário, por criar condições para que este processo experimente o que Heidegger chama do surgimento da última configuração de uma determinada instância na forma de uma inserção da inessência mais extrema em sua essência. (HEIDEGGER, 2000, p.58) O que constitui, para Heidegger, o traço característico do pensamento que define o fim da metafísica como o preparo para um novo começo da metafísica, e não configura, ainda, uma plenificação dessa perspectiva.

Para Heidegger, o pensamento de Nietzsche, intensifica a perspectiva metafísica abrindo a possibilidade dessa ser interpretada como niilismo, na medida em que parte da negação do fundamento como essência e torna possível compreender a verdade dos entes como construção de algo que Heidegger chama de “vontade de vontade”, conceito que vem significar um ímpeto incondicionado por assegurar-se do modo de ser dessa verdade, da verdade como fundamento, como o ser. O niilismo possibilitado por Nietzsche seria, portanto, o mais elevado triunfo da subjetividade, pois a sua condição de sujeito torna-se incondicionada no niilismo. Assim, diante desta vontade de assegurar-se o saber torna-se o cálculo que sempre vem à tona, e a vontade, força de comando que não se esgota, de modo que o devir, enquanto continuidade, é transformado em valor supremo. (HEIDEGGER, 2000, p.58). Em vista disso, Heidegger avalia: “(…) se o homem conquista sua essência em meio ao querer e enquanto o ‘eu quero’ no sentido da vontade de poder [compreendida agora como esta, vontade de vontade] ele ultrapassará sua essência até aqui: animal racionale”. (HEIDEGGER, 2000, p.58)

O pensamento de Nietzsche, assim como, aquele que se configura no momento final das possibilidades da metafísica, insere-se também neste processo, apenas como mais uma determinidade categórica desta essência agora determinada. Entretanto, não mais como o ‘ego sum’ (isto é, um sujeito que qüiditativamente, é, aos moldes cartesianos), mas agora, como um ‘ego volo’, ou seja, um sujeito cujo modo de ser consiste num ato volitivo, num ato de vontade, a ponto desta colocar-se no lugar do fundamento.

Esta transição do sou ao quero é identificada como fase culminante de uma das principais manifestações do pensamento moderno: o Idealismo Alemão. Neste, vemos o conceito de vontade ganhar relevo, como nos descreve Benedito Nunes: “Foi na Teoria da Ciência de Fichte, que o Eu penso se desdobrou no eu quero. Schelling, antes de Hegel, identificaria a vontade ao saber. Depois Schopenhauer reduziria a coisa em si kantiana à vontade universal, ao mesmo tempo impulso que move as coisas e a força que as produz.” (NUNES, 2000, p. 26) Com esta conceituação, teríamos uma situação capaz de ser observada na figura de uma ‘pirâmide’, explicamos: em sua base encontraríamos Fichte; ascendendo por uma das faces, Schelling; Hegel, no topo; em seguida Schopenhauer, como marca de um primeiro declínio e Nietzsche, como aquele que fala no fim, no momento do acabamento do processo metafísico. Ponto no qual, em diametral oposição a Hegel (Hegel no pico e Nietzsche em uma das bases da pirâmide) parte o próximo passo necessário à filosofia.

Com base no apresentado até aqui, tendo efetuado a delimitação prevista no primeiro momento de nosso texto, poderíamos começar a nos esclarecer gradativamente dos sentidos dos termos que compõem a enigmática frase que dá início a nosso trabalho, dando, assim, entrada na segunda parte de nosso texto.

No posicionamento da filosofia de Nietzsche na história, observamos no processo metafísico descrito, o ultrapassamento da condição essencial da noção de homem enquanto ‘animal racional’ para ‘animal volitivo’ o que configuraria apenas mais uma denominação de sua essência, ainda que parta do radical dissídio e mesmo inversão da primeira. Com isso, poderíamos caracterizar provisoriamente o super-homem como o que está ordinalmente depois ou, mais além, do homem em sua compreensão tradicional (animal racionale). Assim, dizendo com Heidegger:

 

O conceito geral, ainda que não exaustivo de super-homem alude antes de tudo a essência niilistico-histórica da Humanidade que se pensa a si mesma de modo novo, o que quer dizer, aqui, que a humanidade se quer a si mesma. [neste sentido o super-homem seria a] (…) negação incondicionada recolhida expressamente em uma vontade, da essência que o homem tem a cada momento. (HEIDEGGER, 2000, p.3)

 

Interpretando desta forma, o super-homem seria aquele que, vindo depois da compreensão de animal racional, poderia volitivamente dizer que é o sentido da terra, isto é, neste momento, seria aquele que, ao deparar-se com o fim do processo de determinação do fundamento último de todas as coisas, impor-se-ia através da vontade de vontade ao lugar ocupado anteriormente por este mesmo fundamento. Assim, o super-homem passaria a ser o sentido da terra, por estar na posição determinante da verdade ou fundamento de tudo que é.

Ora, deste modo não teríamos solucionado o problema da frase que dá início ao nosso texto? Não teríamos, assim, respondido a pergunta pelo que significa afirmar que “o super-homem é o sentido da terra”? Afinal, seguindo a ordem necessária deste argumento, dizer que “o super-homem é o sentido da terra” não seria afirmar que o homem, no final do processo de determinação do fundamento, põe-se no lugar deste fundamento (que na linguagem figurada de Nietzsche seria referido como um ‘Deus’ já ‘morto’) finalmente determinado? Será que poderíamos afirmar isso? Será que essa explicação reproduziria a idéia de Nietzsche contida na referida sentença? Estas indagações redundariam em uma terceira mais abrangente: Seria a filosofia de Nietzsche apenas uma indicação de que uma voluntariedade, marcada pela égide do niilismo, ocuparia o lugar do fundamento de tudo que é?

Em resposta à essas perguntas chamamos atenção que as afirmações acima, passíveis de serem feitas a partir das interpretações de Heidegger sobre o conceito de super-homem, revelam-se discrepantes ao próprio texto de Nietzsche. Em verdade, elas parecem mais fazer menção ao que Nietzsche chama de “último homem” (isto é, à compreensão metafísica de homem ainda marcada pelo humanismo judaico-cristão, que concebe o homem como essencialmente dado) do que a experiência que entendemos por super-homem, sendo aquele que mais que um momento após o ‘animal racional’, ainda pertence a uma perspectiva metafísica; afigura-se como quem a superou, isto é, transcendeu essa dimensão essencial possuindo outro modo constitutivo de ser e compreender-se.

Daí, se concordarmos com a hipótese de interpretação anteriormente levantada (de que o super-homem seria o sentido da terra, por impor-se como mais uma figura essencial), ainda nos restaria uma última pergunta: O pensamento de Nietzsche em vista da história da metafísica, seria algo mais que a figura que consuma a metafísica? Temos motivos para crer que sim. Lembremos, por exemplo, da metáfora do próprio Nietzsche, que aponta que foi este mesmo pensamento, personificado em Zaratustra, que “(…) deixou sua terra natal e o lago de sua terra natal e foi para montanha. Gozou ali, durante dez anos, de seu próprio espírito em solidão sem deles se cansar”, após, ao descer a montanha, só e mudado, não trouxe nenhum laivo de náusea na boca e caminhava como um dançarino. (NIETZSCHE, 1994, p.28)

A passagem citada não é um gracejo de seu autor. Pois ela nos descreve uma etapa necessária que o próprio pensamento de Nietzsche experimentou, transformação efetuada de maneira ciente, isto é, sabendo ser o acabamento da metafísica e não só isso; sabendo abrir a possibilidade de um discurso voluntarioso mas, mesmo tempo, sabendo que: “o mais terrível, agora, é delinqüir contra a terra e atribuir mais valor às entranhas do imperscrutável do que ao sentido da terra”, (NIETZSCHE, 1994, p.30) mas não só isso; sabendo que por configurar-se na completude do projeto da metafísica, é capaz de ao seu final, perguntar criticamente pelos procedimentos e valores que a impulsionaram. Nesses termos: a figura do super-homem para Nietzsche é aquela que é capaz de saber-se como existência para jogar luz sobre as estruturas que impulsionaram este processo à sua determinação. Prezando por uma postura como a “(…) daqueles que para o seu ocaso e sacrifício, não procuram, primeiro, um motivo atras das estrelas, mas sacrificam-se à terra, para que a terra, algum dia se torne super-homem.” (NIETZSCHE, 1994, p.32) Sabendo, finalmente (respondendo a principal indagação de nosso texto), que o pensamento que está no lugar do super-homem é o sentido da terra por fazer-se em sintonia com o modo com que se expressa a própria vida, enquanto vontade de poder[3] e que é super-homem não só no sentido de vir após a concepção essencial de homem, mas por ‘superar’ esta concepção arcando com os riscos da contingência e devir próprios de quem compreende-se desde a tensão da vontade de poder, quando enuncia: “Quero ensinar aos homens o sentido de seu ser: que é o super-homem, o raio que rebenta da nuvem negra chamada homem.(…) Ainda sou para os homens, um ponto intermediário entre um doido e um cadáver.” (NIETZSCHE, 1994, p.37)

Podemos, assim, compreender o pensamento de Nietzsche também como superação da metafísica, e é somente ciente dessas circunstâncias que devemos entender para proferir com legitimidade a sentença: “que o super-homem seja o sentido da terra. Fazei a vossa vontade dizer: ´que o super-homem seja o sentido da terra’”. (NIETZSCHE, 1994, p.30)

 

Abstract

The subject of the text is to ask on the concept of ‘’sense of the earth” just as we see formulated in the book Thus Spoke Zaratustra of F.W. Nietzsche. Our objective is to explain the understanding that the author has of this, as well as this links with other specific concepts in the referred work. For so much, we will leave of the passage in the which these notions come in an articulate way; to know: ”The superman is the sense of the earth. Make your will to say that: ‘the superman is the sense of the earth.”. We will be worth ourselves also of specialists ‘comments that can collaborate with our reflection.

 

KEYWORDS: Metaphysiscs, Nietzsche, „Thus spoke Zaratustra“.

Referências

  • NIETZSCHE, F.W. Sämtlhiche Werke. (Org.) G. Colli e Mazzino Montinari. Munique: DTV/ De Gruyter, 1998.
  • ___________. Assim Falou Zaratustra. 7.a. ed. Trad. Mário da Silva. Rio de Janeiro: Bertrand,1994.
  • HEIDEGGER, Martin. Nietzsche. (vol I,II,III,IV) San Francisco: Harper Collins PBK,1991.
  • ___________. Nietzsche: Metafísica e Niilismo. Trad. Marco Antônio Casanova.
  • Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000.
  • ____________. El superhombre. In: Heidegger en Castelhano. www.brinkster.com/Heidegger Trad. Juan Luiz Vermal. Barcelona: Destino, 2000.
  • FIGAL, Günter. Nietzsche. Eine philosophische Einführung. Stuttgart: Reclam,1998.
  • FINK, Eugen. Nietzsches Philosophie. Stuttgart/Berlin/Köln/Mainz: Kohlhammer, 1986. In: A Filosofia de Nietzsche, Lisboa: Presença, 1983.
  • MÜLLER-LAUTER, Wolfgang. Nietzsche – Seine Philosophie der Gegensätze ums Gegensätze seiner Philosophie. Berlin/ NovaYork: De Gruyter,1971.
  • NUNES, Benedito. O Nietzsche de Heidegger. Rio de Janeiro: Pazulin, 2000.
  • VÉLES, Danilo Cruz. El Puesto de Nietzsche en la História de la Filosofia. In: LEFREBVRE, H. Nietzsche. México: Fondo de Cultura Econômica,1993.

  • [1] Doutorando em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ. Professor dos cursos de Direito, Serviço Social e Educação do Centro Universitário Plínio Leite/UNIPLI. Autor de Filosofia Primeira – Estudos sobre Heidegger e outros autores. www.studium-kahlmeyer.com.br.

    [2] O melhor exemplo de divergência de interpretação é no diálogo com Müller-Lauter, quando este autor discorda da tese de Nietzsche como metafísico, diante da vulgarização que esta tese proporciona, inclinando-se à uma interpretação comum. O esforço de Müller-Lauter é estabelecer o que significa metafísica, e o que poderíamos entender pelo que Heidegger chama posteriormente de acabamento da metafísica. cf:. MÜLLER-LAUTER, 1971, p.189.

    [3] O conceito de Vontade de Poder em Nietzsche é o que configura a abertura de vida e sua configuração no instante e em uma cadência de instantes. Assim, Vontade de Poder diz respeito à toda e qualquer dimensão do acontecimento de realidade, narrando a assunção fundamental da vida em suas possibilidades, cadência, instauração e vigência. Pois, vida é o movimento sempiterno de diferenciação da vontade, determinado em sua circularidade no instante. Entretanto, neste só é capaz de se concretizar uma possibilidade por vez (uma a cada instante), o que acarreta um combate entre possibilidades que se determinam junto ao modo de sua urgência e necessidade.

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4 Comentários para “SOBRE A SENTENÇA DE NIETZSCHE: O SUPER-HOMEM É O SENTIDO DA TERRA.”

  1. 4
    Jose Gilardo Carvalho:

    Sou licenciado e especialista em Filosofia, fiquei de boca aberta com tanta lucidez. Realmente não sei nada de filosofia.Parabéns!

  2. 3
    Marcele Vespasiano:

    Muito bom texto!
    Só burro não o entende!

  3. 2
    Marcus Paulo:

    Fala Pedro Paulo,

    Este comentário é de nietzschano de churrasco. Pára de falar abobrinha e vá ler o Nietzsche.
    A propósito: é “rompe” e não “rompre”.

  4. 1
    Pedro Alves de Castro:

    Foi infeliz, indagar Nietzsche, com o olhar de Heidegger, pois o primeiro rompre com qualquer plano metafisico e busca uma nova base para o conhecimento. Não apenas uma superação sim um descaso e deboche de Nietzsche em qualquer forma de sabedoria. Talvez a loucura de Nieztzche, tenha sido a melhor coisa que aconteceu com ele.

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