Sociologia

Definição de Sociologia

A Sociologia é o estudo da sociedade. É uma ciência social – termo que por vezes é seu sinônimo – que usa vários métodos de investigação empírica e de análise crítica para desenvolver e aperfeiçoar um campo teórico de conhecimentos sobre a atividade social humana, por vezes com o objetivo de aplicar este conhecimento na busca do bem-estar social. Os temas que abordam variam de micro nível interações e intercâmbios até o macro nível de sistemas e estruturas sociais abstratas.
A sociologia é, metodologicamente e tematicamente, uma disciplina muito ampla. Seu foco tradicional inclui a estratificação social, as classes sociais, a mobilidade social, religião e secularismo, lei e dever. Todas as esferas da atividade humana são conformadas com a estrutura social e a ação do indivíduo. A sociologia gradualmente expandiu seu foco para incluir outros assuntos, como saúde, militarismo, instituições penais, a internet e mesmo as regras para a atividade social no desenvolvimento do conhecimento científico.
O escopo dos métodos científicos sociais também se expandiu bastante. Os pesquisadores de ciências sociais trabalham com grande variedade de técnicas, tanto qualitativas quanto quantitativas. A virada lingüística e cultural da metade do século XX levou ao crescimento de abordagem interpretativas, hermenêuticas e filosóficas na análise da sociedade. Ao mesmo tempo, nas décadas recentes, houve o surgimento de novas técnicas analíticas, matemáticas, computacionais e estatísticas, com rigor científico, como o modelo e análise de redes sociais.
Aqui no Consciência contamos comum vasto conteúdo sobre a Sociologia, incluindo resumos, textos dissertativos e trabalho acadêmicos, ebook completo de introdução a sociologia, resenhas de livros e explicaçoes sobre os principais conceitos e sociólogos. Navegue abaixo e bons estudos!

A SOCIOLOGIA EVOLUTIVA

A SOCIOLOGIA EVOLUTIVA


Ricardo Ernesto Rose


Jornalista, Graduado em Filosofia, Pós-graduado em Gestão Ambiental e Sociologia


1. A Sociologia Evolutiva


1. a) O que é a sociologia evolutiva e qual sua relação com a sociologia clássica?


A sociologia evolutiva é ciência recente. Surgiu com este nome há cerca de trinta anos, como sucessora da sociobiologia. Esta nova área de estudos da sociologia tem sua base científica tanto nas ciências sociais, quanto nas biológicas e no neodarwinismo; a teoria da evolução de Darwin associada às descobertas genéticas de Mendel, chamada de síntese evolucionária moderna. A expressão foi proposta pelo biólogo Julian Huxley, em seu livro Modern Synthesis (Síntese Moderna) publicado em 1942. Outra disciplina associada à sociologia evolucionista é a psicologia evolucionista, igualmente fundamentada nos corolários teóricos do neodarwinismo e voltada para o estudo da mente humana.

A CONCEPÇÃO DA EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA NA OBRA “DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO” DE JOHN DEWEY

Resumo

Este trabalho surge fundamentalmente com o objectivo de analisar o pensamento de John Dewey (1859-1952), no que concerne ao seu pensamento filosófico e pedagógico, de fundamentar o que Dewey entendeu por Educação Democrática e também avaliar a sua influência no que diz respeito à educação actual moçambicana.

Com a finalidade de atingir estes objectivos, procuramos fazer uma caracterização do seu pensamento filosófico, para depois emergir ao pedagógico, a partir do ambiente social americano do Pragmatismo, doutrina que preconiza que todo o aprendizado, todo o conhecimento deve ter um fim prático. Dewey foi o continuador do Pragmatismo filosófico iniciado por William James (1842 – 1910) e Charles Sanders Peirce (1839 – 1914), ambos também americanos. Contudo, Dewey para se distinguir do Pragmatismo concebido por James e Peirce, preferiu chamar sua doutrina como Instrumentalismo, doutrina segundo a qual, o valor da verdade, do pensamento, de uma teoria reside no seu carácter instrumental, isto é, no seu rendimento em acção. Entretanto, procuramos de uma forma sintética, apresentar as características desta corrente filosófica contemporânea surgida no século XIX.

Destacamos assim, o pensamento de Dewey no contexto do Pragmatismo americano, a fim de poder-se fazer a sua contextualização filosófica e sem deixar de lado o contexto histórico. Deste modo, o pensamento de Dewey procura centrar-se nas grandes necessidades que a sociedade americana da sua época se encontrava, é o caso da massiva industrialização encabeçada por intuitos políticos e também na existência de dois tipos de ensino, o Tradicional centrado no professor e o da Escola Nova, centrado no aluno, porém, Dewey propõe um novo tipo de ensino, o da Escola Progressista ou Democrática onde cada aluno aprende fazendo, learn by doing, e se enriquece com as experiências dos outros alunos.

A tese fundamental do pensamento deweyano parte da epistemologia que é o centro do Pragmatismo; portanto, nos cingimos neste trabalho, nas temáticas desenvolvidas na sua magna obra, “Democracia e Educação”, escrita em 1916, onde procuramos referenciar os temas que mais abordam, sugerem e sustentam a questão da Educação Democrática, tido como um tipo de Educação onde cada aluno se enriquece com a experiência do outro aluno, numa vida partilhada onde todos os alunos têm a mesma igualdade de oportunidades.

No fim, procuramos ver a importância do pensamento de Dewey sobretudo da Escola Progressita para a Educação moçambicana e as suas influências na concepção do novo curriculum, cujo agente essencial da Educação é o aluno, ao modo como concebeu Dewey na sua Escola Progressista e Democrática.

Palavras-chave: Dewey, Pragmatismo, Instrumentalismo, Escola Progressista, Educação Democrática.

DILEMMAS AND CHALLENGES OF THE TWENTY-FIRST CENTURY: A PRODUCTIVE RESTRUCTURING AND DEGRADATION OF WORK.

DILEMMAS AND CHALLENGES OF THE TWENTY-FIRST CENTURY: A PRODUCTIVE RESTRUCTURING AND DEGRADATION OF WORK. Prof. Dr. Felipe Luiz Gomes e Silva. State University. Summary: We intend this research to reflect on the subjective and objective degradation of work in the twenty-first century. We know that the crisis opened the Taylorist-Fordist system of production appears in […]

Tecnologia e dominação ideológica na Escola de Frankfurt

  Tecnologia e dominação ideológica na Escola de Frankfurt             Ricardo Ernesto Rose Jornalista, Graduado em Filosofia e Pós-Graduando em Sociologia             A Escola de Frankfurt foi formada por intelectuais cuja linha de pensamento estava fortemente influenciada pelas teorias de Karl Marx. No entanto, estes […]

CONSIDERAÇÕES SOBRE AS FACES DAS DESIGUALDADES ENTRE OS SERES HUMANOS

CONSIDERAÇÕES SOBRE AS FACES DAS DESIGUALDADES ENTRE OS SERES HUMANOS Francisco Fernandes Ladeira Especialista em: Brasil, Estado e Sociedade pela UFJF Email: franciscoladeira@bol.com.br Resumo: O presente trabalho apresenta breves considerações sobre as diversas faces das desigualdades entre os seres humanos. Para as concepções clássicas, as desigualdades sociais estão relacionadas, sobretudo, à distribuição irregular da renda […]

Japão: Desenvolvimento Socioeconômico, História e Geopolítica no início do século XX

Oliveira Lima NO JAPÃO* DIREÇÃO E INSPIRAÇÃO NACIONALISTA Destarte, quando chegou o momento em que o Japão teve, per fas aut nefas, de entreabrir seus portos à influência ocidental, a revolução nos espíritos, precursora da revolução pelas armas, estava parcialmente realizada, ainda que numa direção nacionalista, a qual veremos que não foi afinal sacrificada na […]

A evolução no pensamento de Comte


A evolução do pensamento de Auguste Comte


Ricardo Ernesto Rose Jornalista, Licenciado em Filosofia e Pós-Graduando em Sociologia



Em seu processo de desenvolvimento da ciência sociológica, o pensamento de Augusto Comte passou por três etapas. Na primeira fase, que vai aproximadamente de 1820 a 1826, Comte analisa a sociedade de seu tempo, avaliando o desenvolvimento da industrialização – a máquina a vapor havia sido recentemente introduzida no processo produtivo e era a grande novidade nos transportes; os aspectos sociais – migrações do campo para as cidades, surgimento de uma classe operária; e científico tecnológicos – a física vai ampliando sua área de conhecimento enquanto a química e a biologia dão seus passos iniciais. Comte chega à conclusão que um novo tipo de sociedade estava nascendo; científica e industrial, em oposição à sociedade que estava morrendo, a teológica, ainda ligada ao modo de pensar dos teólogos e sacerdotes. Através desta análise, Comte acaba concluindo que uma ordem social que chamou de teológico-militar estava em decadência, sendo substituída por outra que denominou científico-industrial.

MAX WEBER, AS REJEIÇÕES RELIGIOSAS DO MUNDO E SUAS DIREÇÕES

max weber

Resumo: O
texto propõe uma análise do pensamento Weberiano de uma Sociologia do
Racionalismo, calcado na gênese da razão a partir da subjetividade humana,
capazes de gerar éticas religiosas, e consequentemente pensamentos que
desencadeiam em reações práticas pela necessidade de coerência da própria razão
humana, gerando modos de vida a partir destas. A utilização da religiosidade
indiana como exemplo da gênese do processo que leva à racionalização da fé que
nega o mundo através do ascetismo foi uma das escolhas de Max Weber na
demonstração de que não é possível analisar a História sem antes reaver os
modos de pensar que geram fatos históricos. Modos de pensamento e de vida das
principais religiões do mundo foram analisados e podem ser observados pelas
consequências econômicas destes. Tomando como base a religiosidade indiana, e
passando ao monasticismo cristão é possível avaliar o início da racionalização
da fé e do pensamento religioso e como se dão suas consequências éticas,
históricas e econômicas para vários povos.

A FAMÍLIA COMO TECNOLOGIA DE CONTROLE


Saymon Mamede



Ao adentrar-se à seara do controle social pela família, há de se perpassar – visando
algumas consignações – por um instituto denominado
morale1.
Nesse mister, tomemos a moral, infestamente, sob o prisma religioso.



A preocupação em unir-se pessoas, visando um grupo – mormente com o fito de procriação – remonta aos textos bíblicos, logo nas passagens genesíacas, donde depura-se não

ser bom ao homem que esteja só, sendo-lhe necessária uma auxiliadora2, à qual une-se ele,
deixando alhures pai e mãe3.

A Revolução Industrial dos séculos XIX e XX

Tributação dos rendimentos pessoais nos eua em 1949

EDWARD   McNALL   BURNS
PROFESSOR DE  HISTÓRIA  DA  RUTGERS  UNIVERSITY

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
Volume II

Tradução de LOURIVAL GOMES MACHADO, LOURDES SANTOS MACHADO e LEONEL VALLANDRO

 

1. O COMPLEXO DE CAUSAS

A Revolução Industrial nasceu de uma multiplicidade de causas, algumas das quais são mais antigas do que habitualmente se pensa. Talvez convenha considerar em primeiro lugar os aperfeiçoamentos iniciais da técnica. As maravilhosas invenções dos fins do século XVIII não nasceram já completas, como Minerva da testa de Júpiter. Pelo contrário, já desde algum tempo havia um interesse mais ou menos fecundo pelas inovações mecânicas.[..]

O que é o Efeito Estufa e o Aquecimento Global?

greenhouse1

Resumo: O que é o Efeito Estufa? Será que o
aquecimento Global é o Fenômeno Natural ou é o Efeito da Atividade Humana? Outra
questão que se coloca é se o aquecimento global observado é natural ou
antropogênico? Muitas perguntas, Muitas respostas… Este artigo propõe
analisar sobre o aumento da temperatura global, a Intensificação do
efeito-estufa, as Limitações dos modelos de clima global a Variabilidade
climática natural e a responsabilidade pela natureza. Percebe-se que este
artigo trata-se de uma pesquisa analítica descritiva, com análise dos textos
pelos Estudos da linguagem e da Análise do discurso, buscando-se observar e
desenvolver a presença dos discursos utilizados nas matérias referentes ao
aquecimento global e seus usos de linguagem simples, destacada o contexto filosófico,
sociológico, histórico, geográfico e outras áreas afins, enfatizando as causas,
conseqüências e os interesses políticos integrados as organizações sociais,
políticas, econômicas, cultural e assim sucessivamente. Portanto, contextualizamos
e intertextualizamos uma pesquisa arraigada em livros, sites e revistas a fim
de expor um trabalho concreto e vir a esclarecer as dúvidas sobre este tema de
caráter social e polissêmico. Destaco Hans Jonas, porque tem como ponto de
apoio uma ontologia fundada numa finalidade da natureza.

 

Palavras chave: Aquecimento Global – variabilidade climática
– modelos climáticos – Efeito Estufa.

As Regras do Método Sociológico na composição de Algumas Formas Primitivas de Classificação de Durkheim

émile durkheim, pai da sociologia

 

Introdução

Auguste Comte, filósofo e
inaugurador da Sociologia, propõe em seu livro “Curso de Filosofia Positiva”, na
primeira metade do século XIX, que a história da humanidade é constituída por
três estágios. O estágio teológico, o metafísico e o positivo.

O estágio teológico tem
como característica básica a explicação da natureza mediante seres
sobrenaturais. Como no início dos tempos, a humanidade ainda não tinha ainda
tempo suficiente para observar a natureza. Desta falta de observação e
necessitando explicar os fenômenos a sua volta, o homem, entregue ao desespero
e à acomodação, tendeu a se projetar na natureza. Isto é, todas as ocorrências
naturais são fetiches: o Sol, a Lua, as marés, as montanhas ganham vida, estão,
agora, animadas. Ainda no estágio teológico a transmissão do conhecimento é
autoritária: o sacerdote é ponto de sapiência e reverência.

O estado metafísico é o
qual Comte tem menos apreço: este estado permuta a explicação dos seres
sobrenaturais por forças. O conhecimento gerado pelo espírito metafísico deve
ser argumentado e não simplesmente baseado na fé.  Etapa de transição entre o
estado teológico e o positivo, o estado em questão, ao mesmo tempo em que
antecipa características deste, retém outras tantas daquele.

Por fim, o estado positivo
é o estado final do desenvolvimento humano. Aqui não estamos mais preocupados
com as explicações causais dos objetos naturais. O homem com espírito positivo
é aquele que se prende às leis da natureza, ignorando suas causas imanentes. Por
exemplo, a física aristotélica baseava seus conhecimentos no modo teológico e
metafísico; ao passo que Newton, e posteriormente Einstein, explicam a queda
dos corpos de maneira indubitavelmente positiva.

FRANZ BOAS – críticas aos métodos da antropologia evolucionista, reação às teorias racialistas e objetivos da pesquisa antropológica

maravilhas das antigas civizações

 

Resumo

 

A antropologia evolucionista que
propunha uma única linha de desenvolvimento para a humanidade em geral e o
racialismo, teoria que faz julgamentos de valor dos indivíduos a partir de
características fenotípicas, eram dominantes até a primeira metade do século
XX, quando Franz Boas, através de artigos e conferências analisados no presente
texto, surge com críticas a essas teorias, propondo uma nova antropologia
fundamentada no conceito de cultura como o mais importante para a diversidade
humana, o relativismo metodológico, o método histórico e a necessidade de
estudar cada cultura como uma cultura em si.

 

Palavras-chave:
Franz
Boas, antropologia evolucionista, teorias racialistas

A FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO NA MODERNIDADE:

maravilhas das antigas civizações

O
escopo desse artigo é desenvolver uma análise sobre a formação do indivíduo na
sociedade moderna tal como esta é concebida pelo sociólogo alemão Norbert
Elias. Este autor fundamenta sua teoria na relação indissociável entre o
indivíduo e a sociedade e nos processos interacionais e históricos resultantes
da civilização que configuram a personalidade e as ações do indivíduo ao mesmo
tempo em que moldam a sociedade.

 

Palavras-chave: Norbert
Elias; Indivíduo; Sociedade; Civilização

A compreensão das ações econômicas na modernidade

maravilhas das antigas civizações

A
obra História Geral da Economia foi uma tentativa de Weber ajudar seus alunos a
compreenderem os seus conceitos em Economia e Sociedade. O objetivo era mostrar
a maneira que a sociologia por meio das ciências sociais analisa fenômenos
socioeconômicos, introduzindo uma dimensão social numa análise voltada para os
interesses (Swedberg, Max Weber e a idéia de sociologia econômica, p. 45).

Ebook de Introdução à Sociologia – CONCLUSÃO

Introdução a Sociologia –

Professor A. Cuvillier (1939).

CONCLUSÃO

Há uma conclusão a tirar, parece-nos, de tudo o que fica dito: aquela mesma já indicada sumariamente ao estudarmos a forma por que se determinaram, no decurso da sua história, os problemas que a sociologia apresenta. É que, para ser uma verdadeira ciência, esta não necessita de pôr de lado nenhum dos elementos propriamente humanos da realidade social.

AS HIPÓTESES FUNDAMENTAIS DA SOCIOLOGIA

Introdução a Sociologia – PRIMEIRA PARTE OS PROBLEMAS SOCIOLÓGICOS Capítulo I

Professor A. Cuvillier (1939).

 

Capítulo VI AS HIPÓTESES FUNDAMENTAIS DA SOCIOLOGIA

A sociologia não é uma filosofia da história: não supõe uma explicação unilateral dos fenômenos sociais, mas, pelo contrário e como já dissemos, o sentido das interferências e das interações múltiplas cuja reunião forma a vida social. Se, contudo, não quisermos cair num círculo vicioso, que consistiria em explicar os fenômenos sociais sucessivamente uns pelos outros, essas ações recíprocas supõem, necessariamente, uma ação primordial, ou, como dizia Durkheim, um "substrato" fundamental. A sociologia necessita, portanto, como sucede com todas as outras ciências, de uma hipótese diretriz, de uma hipótese de trabalho, incidindo aqui sobre a natureza desse substrato.

I. —O "substrato" biológico

Será esse "substrato" de ordem biológica? E será a sociologia, neste sentido, um apêndice das ciências naturais? Esta interpretação pode apresentar-se — fora das vagas analogias do organicismo, de que já tratamos — sob duas formas principais.

1. O fator racial: a antropossociologia. — A primeira é a teoria da raça ou antropossociologia, a qual, como veremos adiante, é muito antiga. Mas é sabido que, na sua forma atual, ela tem, sobretudo, por origem um livro de Arthur de Gobineau, Essai sur l’inégalité des races humaines (1853-1855). Desenvolveu-se em França, nos fins do século passado, graças aos trabalhos de Vacher de Lapouge. A própria revista L’Année Sociologique, nos seus três primeiros volumes, julgou dever, ainda que com prudentes reservas acerca, do fundo da doutrina, consagrar uma rubrica à antropossociologia.

OS PROBLEMAS SOCIOLÓGICOS – OS MÉTODOS SOCIOLÓGICOS – Introdução à Sociologia

I. — O "MÉTODO" MONOGRÁFICO

Nestas condições, se é preciso tomar como ponto de partida os fatos, o concreto, não será o melhor método o que descreve atenta e minuciosamente casos especiais e convenientemente escolhidos, isto é, o "método monográfico"?

Foram, sobretudo, a escola de Le Play e a sua filial, a escola da "Ciência Social", que preconizaram este método como o sistema fundamental da sociologia. O que fará, diz Paul Bureau, eminente representante desta escola, na sua Introduction à la méthode sociologique, um mineralogista que pretenda estudar um terreno? Não irá estudar aqui e além certos estratos, não multiplicará as análises parciais e fragmentárias. Colherá uma amostra do jazigo que pretende conhecer e dela fará uma análise completa, levando-a até ao fim.

É sabido que, na realidade, as investigações de Le Play incidiram, principalmente, sobre as monografias de famílias operárias. Estabeleciam o orçamento de uma família normal, numa profissão, lugar e época determinados, e fixavam suas diversas despesas, consagradas à alimentação, ao vestuário, à habitação, à saúde, à instrução, aos divertimentos e à economia. Para estas monografias Le Play constituiu quadros que foram desenvolvidos por Henri de Tourville numa Nomenclature detalhada, em que os fenômenos sociais são agrupados em vinte e cinco grandes classes, subdivididas, por sua vez, em 326 elementos. Le Play estabeleceu, igualmente, um quadro para a monografia de uma nação, que aplicou na sua "Constituição da Inglaterra": Emile Cheys-son, um quadro para as monografias de oficina, etc.

Por outro lado, os geógrafos da escola de Vidal de la Blache preconizaram, por oposição ao método analítico e comparativo dos sociólogos, as monografias regionais, de que podemos encontrar modelos nos estudos, já antiquados, de Demangeon sobre a Picardia, de Blanchard sobre a Flandres, de Vacher sobre o Berry, de Jules SION sobre os camponeses da Normandia oriental, ou no notável e

ainda recente estudo de Demangeon e Febvre acerca do Reno. Em vez de tomar por base um elemento social, como a habitação (formas da casa, distribuição das aglomerações, etc), o povoamento, a irrigação, a localização das indústrias, etc, e de lhe estudar as variações no tempo e no espaço, escolhem uma região geograficamente delimitada e estudam todos os fenômenos que nela ocorrem e as relações entre esses fenômenos e ela.

Este método permitiria, a acreditar em seus partidários, estudar a sociedade na sua evolução, na sua vida, no seu dinamismo, enquanto que todos os outros conduziriam a uma sociologia estática. É assim que P. Bureau critica Durkheim por estudar com os seus métodos não o "já feito" e o "acabado", mas "o envelhecido e o velho, o que amanhã será caduco e depois de amanhã desusado", e desconhecer as "instituições sociais que se elaboram e se experimentam, tímida e, por vezes, dolorosamente, ainda muito modestas e desprezadas pelas "pessoas de qualidade" para terem direito de cidadania e se exprimirem nessas sentenças imperativas que tão bem ficam às pessoas que venceram na vida".

Lionel Bataillon julga, igualmente, poder afirmar que "a diferença de atitude (entre partidários do método analítico e partidários do método monográfico regional) provém de uma diferença de concepção das reações recíprocas do homem e do meio". Os primeiros imaginariam "os homens passivos diante das forças naturais", ao passo que os segundos estariam penetrados da idéia de que "o homem atua sobre a natureza tanto como a natureza atua sobre o homem".

Em boa verdade, não é esta a questão. É possível que os sociólogos durkheimianos não tenham posto suficientemente em relevo a reação do homem sobre a natureza. Mas disso voltaremos a tratar no último capítulo. Mas nunca a negaram. De resto, o "método monográfico" não evita de modo algum os inconvenientes da sociologia estática. Para o provar basta-nos a seguinte observação de Wilbois: as nossas sociedade modernas, diz êle, estão em evolução permanente; nelas se criam sem cessar novas tendências, que ainda não têm órgãos apropriados. Poderão essas tendências, essas novas necessidades, ser interpretadas por meio das monografias? "Por mais preciosas que sejam essas monografias, só indireta e inexatamente respondem à pergunta que fazemos. O que delas se deduz não é uma tendência, ou, mais precisamente, uma "necessidade", se chamarmos necessidade a uma tendência aplicada a um objeto; é, como observou Schmoller, um "pedido": ora, uma necessidade pode ser imperiosa e, por falta de dinheiro, aquele que a sente nem sequer pensar em exprimir o pedido com que a satisfaria: os operários das grandes cidades têm, evidentemente, necessidade de férias ao ar livre, e contudo só recentemente se encontram ligeiros vestígios dessa despesa no seu orçamento".

Na realidade, a questão é puramente metodológica. O que devemos perguntar é se, efetivamente, a monografia constitui um método, que possa levar a uma determinação e a uma interpretação satisfatória dos fatos sociais. Seja-nos permitido recordar aqui alguns princípios elementares que, parece-nos, têm andado muito perdidos de vista nesta discussão:

1.° O singular não é objeto de ciência. Em primeiro lugar, a monografia, pelo simples fato de se referir a um único exemplo, nunca pode esgotar o assunto. Era já essa a objeção formulada por

Durkheim nas Régles: "Inventariar todos os caracteres de um indivíduo é um problema insolúvel. O indivíduo é, só por si, um infinito, e o infinito não pode esgotar-se". Além disso, a descrição pura, tal como é aqui possível, coloca-nos apenas em presença de um conjunto confuso, no qual nada se pode distinguir, aproximadamente como se um físico tivesse a fantasia de Rescrever o estado total de um sistema, misturando, ao mesmo tempo, o que diz respeito aos seus estados mecânico, térmico, elétrico, magnético, higrométrico, etc. "Supondo mesmo — escrevia Simiand, na polêmica a que atrás fizemos referência — que as regiões consideradas são, realmente, unidades ao mesmo tempo geográficas e humanas (com preferência, de resto, mais humanas que geográficas), começar por estudar o todo dessa região, querer compreender e explicar, ao mesmo tempo, tudo o que nela existe, é pretender começar pelo mais difícil, por aquilo que, quando muito, se pode considerar como o fim da ciência: porque é, com efeito, pretender explicar um indivíduo em toda a sua individualidade completa e inteira, em vez de começar, como em todas as ciências, pela análise das relações gerais mais simples".

Por conseqüência, a monografia pode, no máximo, fornecer-nos — e, repetimos, de maneira incompleta — um "dado" que então se apresenta com a complexidade e, também, com a ambigüidade da realidade. "Complexo indivisível", diz-nos Hauser. Indivisível, portanto incompreensível. Porque, se é verdadeiramente rebelde à análise, não pode ser cientificamente conhecido.

2.° Na realidade, a análise é indispensável. E isto é tão verdadeiro que, apesar de a possuírem, os partidários do método monográfico introduzem, naquilo que pretendem ser uma simples exploração dos fatos sociais, hipóteses, pré-concepções, classificações, quadros lógicos, que implicam já uma interpretação completa. Mas essa interpretação é tanto mais perigosa quanto é inconsciente e, muitas vezes, provém, simplesmente, dessa "metafísica do senso comum" que, em 1903, Simiand assinalava como constituindo "os ídolos da tribo dos historiadores".

Vejamos, por exemplo, por que razão Le Play se dedicou, de preferência, às monografias de famílias cie operários. Êle próprio explica-o no seu livro Ouvriers européens. A família burguesa ou rica, diz, tem, em larga escala, a faculdade de se subtrair à influência do meio. "Não sucede assim com a classe operária: a imprevidência que implica um estado habitual de penúria, ou a previdência que a economia aconselha nas despesas, colocam cada família na necessidade de prover às suas necessidades pelas combinações mais diretas e mais simples. Os meios de existência do operário estão, portanto, essencialmente subordinados às influências reunidas do solo e do clima.. . Nestas condições, obtém-se como que um reflexo da constância e da regularidade que os naturalistas constatam entre os indivíduos da mesma espécie". E mais claramente ainda, na Introdução da mesma obra, Le Play declarava: "Apliquei à observação das sociedades humanas regras análogas às que o meu espírito utilizava no estudo dos minerais e das plantas. Construí um mecanismo científico".

Não se pode confessar com maior ingenuidade uma concepção fixista e mecanista da vida social.

Por outro lado, por que razão se há de fazer incidir o estudo especialmente sobre a família? O seu discípulo Paul Bureau não no-la deixa ignorar:

Capítulo VII – A MEDIOCRACIA – O Homem Medíocre – José Ingenieros

O Homem Medíocre (1913)

José Ingenieros (1877-1925)

 

Capítulo VII – A MEDIOCRACIA

I. O clima da mediocracia. — II. a pátria. — III. a política das piaras. — IV. os arquetipos da mediocracia.— V. a aristocracia do mérito.

I — O clima da mediocridade

Em raros momentos, a paixão caldeia a história, e se exaltam os idealismos; quando as nações se constituem, e quando elas se renovam. Antes, é secreta ânsia de liberdade, luta pela independência; mais tarde, crise de consolidação institucional a seguir e, depois, veemência de expansão, ou pujança de energias. Os gênios pronunciam palavras definitivas; os estadistas plasmam os seus planos visionários; os heróis põem o seu coração na balança do destino.

A VELHICE NIVELADORA – ebook de O homem medíocre

O Homem Medíocre (1913)

José Ingenieros (1877-1925)

Capítulo VI – A VELHICE NIVELADORA

i. as cãs. — ii. etapas da decadência. — iii. a bancarrota dos engenhos. — iv. a psicologia da velhice. — v. a virtude da impotência.

I — As cãs

Encanecer é coisa muito triste; as cãs são u’a mensagem da Natureza, que nos adverte da proximidade do crepúsculo. E não há remédio. Arrancar as primeiras — e quem não o faz? — é como tirar o badalo ao sino que toca o Angelus, pretendendo, com isso, prolongar o dia.

As cãs visíveis correspondem a outras mais graves, que não vemos; o cérebro e o coração, todo o espírito e toda a ternura encanecem ao mesmo tempo, com a cabeleira .

A alma do fogo, sob as cinzas dos anos, é uma metáfora literária desgraçadamente incerta. A cinza afoga a chama, e protege a brasa. O engenho é chama; a brasa é a mediocridade.

Introdução à Sociologia – OS POSTULADOS DA SOCIOLOGIA

Capítulo IV

OS POSTULADOS DA SOCIOLOGIA

Depois de havermos visto como os problemas sociológicos chegaram a apresentar-se sob a forma científica, procuraremos, agora, definir os postulados que exige a existência da sociologia como ciência.

i. — a realidade social

Analisamos, primeiro, como a sociologia se esforçou por subtrair-se às preocupações normativas, para se elevar ao estado de um conhecimento objetivo da realidade social. Não exigirá essa objetividade da ciência uma separação entre a teoria e a prática, primitivamente confundidas, ou, pelo menos, uma certa disjunção entre os dois pontos de vista do conhecimento e da ação?

1. Teoria e prática. — Observemos desde já que, nesta matéria, como de resto em todas as outras, é impossível apresentar como absoluta uma distinção de tal natureza. Com efeito, em sociologia, o objeto da investigação é a ação humana coletiva, a ação dos homens vivendo em grupo. Seja qual fôr o aspeto da vida social de que se trata: da vida econômica, política, religiosa, doméstica, etc, encontramo-nos sempre em presença de certas maneiras de agir. Aqui, o homem deixa de ser simples espectador, como o pode ser em presença de um fenômeno físico ou biológico, para ser, ao mesmo tempo, espectador e ator.

A INVEJA – Capítulo V de O Homem Medíocre de Ingenieros

O Homem Medíocre (1913)

José Ingenieros (1877-1925)

Capítulo V – A INVEJA

I. a paixão nos medíocres. —II. psicologia dos invejosos. — III. os roedores da glória. — IV. uma cena dantesca: o seu castigo.

I — A paixão nos mediocres

A inveja é uma adoração que as sombras sentem pelos homens, que a mediocridade sente pelo mérito. É o rubor da face sonoramente esbofeteada pela gloria alheia. É a grilheta que os fracassados arrastam. É o áloc que os impotentes mastigam. É um humor veneno-no que se expele das feridas abertas pelo desengano da própria insignificância.

Por suas forças caudinas passam, cedo ou tarde, os que vivem como escravos da vaidade; desfilam, lívidos de angústia, trovos envergonhados da sua própria tristeza, sem suspeitarem que o seu ladrar envolve uma con sagração inequívoca do mérito alheio. A inextinguível hostilidade dos néscios sempre foi o pedestal de um mo numento.

É a mais ignóbil das torpes cicatrizes que afetam os carácteres vulgares. Aquele que inveja, rebaixa-se, sem o saber; confessa-se subalterno; esta paixão é o estig ma psicológico de uma humilhante inferioridade, senti da reconhecida.

Não basta ser inferior para invejar, pois todo ho mem o é de alguém, num sentido ou noutro; é necessá rio sofrer em conseqüência do bem alheio, da felicidade alheia, de qualquer enaltecimento alheio. Nesse sofrimento está o núcleo moral da inveja; morde o coração, como um ácido; carcome-o, como polilha; corrói, como a ferrugem, ao metal.

A domesticação dos medíocres – O Homem medíocre de José Ingenieros

O Homem Medíocre (1913)

José Ingenieros (1877-1925)

 

Capítulo IV

i. homens e sombras. — ii. a domesticação dos medíocres. — iii. a vaidade. — iv. a dignidade

I — Homens e sombras

Desprovidos de azas e de penacho, os caracteres medíocres são incapazes de voar até um píncaro, ou de lutar contra um rebanho. Sua vida é uma perpétua cumplicidade com a vida alheia. São hósteis mercenários do primeiro homem firme que sabia colocá-lo sob seu jugo.

Atravessam o mundo cuidando da sua sombra, ignorando a sua personalidade. Nunca chegam a se individualizarem; ignoram o prazer de exclamar "eu sou!", em face dos demais. Não existem sozinhos. Sua amorfa estrutura os obriga a se apagarem numa raça, num povo, num partido, numa seita, num bando: sempre a fingir que são outros.

A ESPECIFICIDADE DO SOCIAL: O PONTO DE VISTA PROPRIAMENTE SOCIOLÓGICO Introdução à Sociologia

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I. Os Historiadores II. — A SOCIOLOGIA “FORMALISTA”. III. — A sociologia de Durkheim. IV – A SOCIOLOGIA MARXISTA.

Introdução a Sociologia – PRIMEIRA PARTE – OS PROBLEMAS SOCIOLÓGICOS

Professor A. Cuvillier (1939).

 

Capítulo III – A   ESPECIFICIDADE   DO   SOCIAL: O PONTO DE VISTA
PROPRIAMENTE SOCIOLÓGICO

 

 

Faltava percorrer uma última
etapa. Era ainda preciso abrir caminho à noção de um determinismo propriamente sociológico,
quer dizer, irredutível a fatores puramente biológicos ou mesmo psicológicos,
e no qual, contudo, o homem aparecesse como ator.

 

I.
— os historiadores

Os historiadores, muitas vezes,
têm sido levados, pelas necessidades da explicação histórica, a enunciar certas proposições gerais que
tomam o aspecto de leis. Bouglé
mostrou-o
luminosamente no no seu trabalho Qu’est-ce que la Sociologie? e, mais recentemente ainda (1934), nos Annales Sociologiques.
Quando
um Guizo explica certos caracteres do regime feudal (ociosidade do senhor no
seu castelo, o que criava o espírito de aventura, respeito pela mulher,
obediência às tradições, etc.) pelo fenômeno do
"isolamento"; quando um Renan nota a influência da vida da tenda sobre as tribos do deserto ou quando
enuncia a lei: "Um poder absoluto é tanto mais vexatório quanto mais
restrito fôr o grupo sobre que é exercido"; quando um fustel de Coulanges afirma que "as
desigualdades sociais são sempre em proporção inversa da força da autoridade"
— todos eles fazem mais sociologia que história.

OS VALORES MORAIS | O Homem medíocre, de José Ingenieros

Capítulo III – OS VALORES MORAIS

I. a moral de tartufo. — II. O homem honesto. — III. os transfugas da honestidade. — IV. função social da virtude. — V. a pequena virtude e o talento moral. — VI. o gênio moral: a santidade.

I — A moral de Tartufo

A hipocrisia é a arte de amordaçar a dignidade; ela faz emudecer os escrúpulos nos espíritos incapazes de resistir à tentação do mal. É falta de virtude para renunciar a éste, e de coragem para assumir a sua responsabilidade. É o guano que fecunda os temperamentos vulgares, permitindo-lhes prosperar na mentira: como essas árvores cuja ramagem é mais frondosa, quando crescem nas imediações dos lodaçais.

Gela, por onde ela passa, todo nobre germe de ideal: é o evento rijo e frio que destrói o entusiasmo. Os homens rebaixados pela hipocrisia vivem sem sonho, ocultando suas intenções, disfarçando seus sentimentos, dando saltos como uma fera; têm a íntima certeza, embora inconfessada, de que seus atos são indignos, vergonhosos, nocivos, arrufinados, irremissíveis. Por isso, sua moral é dissolvente: envolve sempre uma simulação.

Os hipócritas não são impelidos por fé alguma; não suspeitam o valor das crenças retilíneas. Esquivam a responsabilidade das suas ações, são audazes, na traição, e, tímidos, na lealdade. Conspiram, e agridem na sombra, espeçonhentas, e difamam com aveludada suavidade. Nunca ostentam um galardão inconfundível: cerram todas as frinchas do seu espírito, pelas quais poderia escapar-se, ou revelar-se, a sua personalidade nua, sem roupagem social da mentira.

É seu anelo simular as aptidões e qualidades que consideram vantajosas, para acentuar a sombra que projetam no seu cenário. Assim como os engenhos exíguos macaqueiam o talento intelectual, sobrecarregan-do-se de requintados artifícios, subterfúgios e defesas, os indivíduos de moralidade indecisa parodiam o talento moral, ouropelando de virtude a sua insípida honestidade. Ignoram o veredicto do próprio tribunal interior; aspiram o salvo-conduto outorgado pelos cúmplices dos seus prejuízos convencionais.

A MEDIOCRIDADE INTELECTUAL – Capítulo II de “O Homem Medíocre” de José Ingenieros

A
MEDIOCRIDADE INTELECTUAL
Capítulo II de “O Homem Medíocre de José Ingenieros”

I.    o homem rotineiro. —II.    os estigmas da mediocridade intelectual. — III. a maledicência:  uma alegoria de botticelli — IV.      a senda da glória.

 

I
— O homem
rotineiro

 

A rotina é um esqueleto fóssil, cujas
peças resistem à carcoma do século. Não é filha da experiência; é a sua
caricatura. A primeira é fecunda, e engendra verdades; a outra é estéril, e as
mata.

Na sua órbita giram os espíritos
medíocres. Evitam sair dela, e cruzar espaços novos; repetem que é preferível
o mau conhecido ao bom ignorado. Ocupados em desfrutar o existente, alimentam
horror a toda inovação que perturbe a sua tranqüilidade, e lhes traga
desassossegos. As ciências, o heroísmo, as originalidades, as invenções, a
própria virtude, parecem-lhes
instrumentos
do mal, posto que desarticulam o edifício dos seus erros: como nos selvagens,
nas crianças nas classes incultas.

ÁUREA MEDIOCRITAS – Capítulo I de “O Homem Medíocre de José Ingenieros”

I.
ÁUREA MEDIOCRITAS ?
— II.
OS HOMENS
SEM PERSONALIDADE. — III. EM TORNO DO HOMEM MEDÍOCRE. —
IV. CONCEITO SOCIAL DA MEDIOCRIDADE. — V. o ESPÍRITO
CONSERVADOR. — VI. PERIGOS SOCIAIS DA MEDIOCRIDADE. — VII.    a VULGARIDADE.

I
Áurea mediócritas?

Há uma certa hora em que o pastor ingênuo se
assombra diante da natureza que o circunda. A penumbra se adensa; a côr das
coisas se uniformiza no cinzento homogêneo das
silhuetas, as primeiras humidades crepusculares levantam, de
todas as ervas, um vago perfume; aquieta-se o rebanho para dormir; o sino
remoto tange o seu aviso vesperal. A impalpável
claridade
lunar vai se esbranqui çando,
ao
cair sobre as coisas;
algumas estrelas inquietam o firmamento com a sua
titila ção, e um longínquo rumor de arroio brincando nas brenhas,
parece
conservar sobre misteriosos temas. Sentado
sobre a pedra menor áspera que encontra à beira do
caminho, o pastor contempla e emudece. convidando
em vão a meditar pela convergência do sítio e da hora. Sua admiração primitiva
é simples estupor. A poesia natural que o rodeia, ao
refletir-se em sua imaginação, não se converte em poema. Êle é,
apenas , um objeto no quadro, uma pincelada: como a pedra, a árvore a ovelha, o
caminho; um acidente na penumbra. Para
êle, todas as coisas foram sempre as assim
continuarão a ser, desde a terra que pisa até o rebento que apascenta.

A MORAL DOS IDEALISTAS – Introdução de “O Homem Medíocre” de José Ingenieros

O Homem Medíocre

José Ingenieros (1877-1925)

INTRODUÇÃO – A
MORAL DOS IDEALISTAS

i.    a emoção 
do  ideal.  —  ii.    de  um  idealismo  com
fundamento na experiência. — iii.    os temperamentos  idealistas.  — iv.    o  idealismo  romântico.  — v. o idealismo estóico. — vi.     símbolo.

 

I
A emoção do ideal

Quando orientas a proa visionária em
direção a uma estrela, e desdobras as azas para atingir tal excelsitude
inacessível, ansioso de perfeição rebelde à mediocridade, levas em ti o impulso
misterioso de um Ideal. É áscua sagrada, capaz de te preparar para grandes
ações. Cuida-a bem; se a deixares apagar, jamais
êle se reacenderá. E se ela morrer em ti, ficarás inerte: fria bazófia
humana.

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