Consciência - Filosofia e Ciências Humanas

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O Eterno Retorno em Nietzsche deve ser entendido na sua acepção ética ou cosmológica?

    Ética, no contexto do amor fati (amor ao destino) Nietzscheano, o eterno eterno possibilita a aparição do übermensch (além-do-homem). O homem superior diz "sim" à vida, não guarda ressentimentos nem desejo de vingança em relação aos fatos da existência, já que é necessário "não querer nada de outro modo, nem para diante, nem para trás, nem em toda eternidade. Não meramente suportar o necessário, e menos ainda dissimulá-lo "todo idealismo é mendacidade diante do necessário", mas amá-lo" (EH). Este amor diferencia o eterno retorno do mero fatalismo e impulsiona o desejo de viver plenamente e intensamente o presente. Diante da aparição do gênio noturno, que revela que os momentos retornarão infinitas vezes, exclama o homem superior : "nunca ouvi nada mais divino". O pensamento cosmológico do eterno retorno serve apenas para fundamentar este sentido ético, não devendo ser tomado como verdade, mas como metáfora assustadora. (48%, 402 Votes)
    As duas acepções possuem igual força na obra do filósofo, sendo a primeira a consequência da segunda. (36%, 302 Votes)
    Cosmológica. O conceito é emprestado por Nietzsche das culturas antigas, desde os estóicos e pré-socráticos até os egipcíos, e lá já aparecia como parte da cosmologia. O tempo do universo é ciclico, e não há uma marcha temporal de um ponto a outro. Se o mundo tivesse um objetivo, este já teria sido alcançado. O número de configurações de força que compõe o cosmos é grande, porém não ilimitado. Já o tempo é infinito. Dessa forma, em um certo momento, tudo volta a ocorrer da exata forma que ocorreu antes. Tudo à nossa volta está se repetindo, em maior ou menor grau, e isso mostra a repetição e reafirmação do acaso, inerente à circularidade da natureza. Em algumas passagens, o próprio Nietzsche corroba a acepção cosmolófica, e não há porque considerar que ele quis usar esta teoria como uma mera metáfora. (16%, 133 Votes)

Total : 837

Estamos na pós-modernidade?

    Não, a "pós-modernidade" é um discurso insuficientemente definido e demasiadamente migratório. Como aponta Habermas, as tentativas de superação da filosofia do sujeito e da superação da metafísica caíram vítimas da aporia da contradição performativa: a razão e o discurso mostraram que são eles mesmos os únicos que podem fazer a própria crítica e isso já fazia parte do projeto da modernidade. Este está inacabado. Não devemos abrir mão dos efetivos ganhos emancipatórios que acompanham a história moderna, tais como a Declaração Universal dos Direitos do homem, a democracia e a esfera jurídica fundamentadas na razão dialógica, os avanços científicos e os direitos individuais reconhecidos de grupos minoritários. Além disso, a pós-modernidade encobre a ação unilateral e tendenciosa das articulações econômicas do capital, que cerceam a garantia de igualdade moderna, pois através da ação apropriatória da indústria cultural, do marketing e da mídia, a pós-modernidade se torna a lógica cultural do capitalismo tardio. (50%, 282 Votes)
    Sim, o diagnóstico feito por Lyotard em "A condição pós-moderna" do nosso estado de cultura como "pós-moderno" ainda é válido, por inúmeros fatores: a crise dos discursos unificadores, a fragmentação dos saberes, o fim das metanarrativas, a crise das utopias, o esvaziamento do conceito de verdade. Os filósofos chamados pós-modernos e pós-estruturalistas, como Derrida, Deleuze e Foucault souberam usar a herança da crítica nietzscheana à razão e ao paradigma do sujeito para repensar internamente o estruturalismo e desenvolver novas formas de abordagem na investigação da cultura, tais como a desconstrução, a microfísica, a transvaloração dos valores e o método genealógico aplicado na história. As correntes de vanguarda artística, como o cubismo e surrealismo e a expansão da consciência, a contra-cultura e a descentralização cultural possibilitada pela revolução digital e a Internet são a expressão viva que os parâmetros e ambições iluministas perderam sua abrangência e força. (50%, 277 Votes)

Total : 559

A filosofia está na moda?

    Sim, o esvaziamento ético e espiritual causado pela volaticidade da era consumista leva as pessoas a procurar abrigo em tradições mais amplas, não necessariamente religiosas. Nesse sentido a filosofia tem um sólido e importante legado a ser estudado por toda a sociedade, daí o crescimento do interesse popular e o de outras áreas. Obras de panorama, apresentação e introdução tornaram parte desse saber acessível ao público, e por isso são sucessos de tiragens, além de pensadores de alcance universal, como Platão e Nietzsche. O interesse inicial despertado por essas obras resulta num percentual de pessoas interessadas em se aprofundar, aumentando e diversificando a reflexão filosófica e a consciência cívica e cultural. (46%, 638 Votes)
    Não, a filosofia não pode estar em nenhuma moda, isso é contrário ao seu próprio conceito. A coruja de Minerva de Hegel alça seu vôo somente com o início do crepúsculo. A filosofia, não obstante sua ligação e intervenção na realidade direta, dialoga sobretudo consigo mesma e com sua tradição. Seu rigor exige um caminho difícil de ser trilhado por quem não tem a disciplina e disposição necessária. O que se difunde na grande escala é uma banalização e superficialização do saber filosófico, sem maiores consequências. As produções direcionadas ao grande público facilitam a incidência de falhas conceituais graves. (32%, 439 Votes)
    Não, pelo contrário, a filosofia está caminhando para uma direção cada vez mais periférica, na medida que a ciência vai se desenvolvendo e fazendo novas descobertas, que expõe o saber meramente especulativo da filosofia em sua fraqueza. Nesse quadro não é de real relevância o estudo de autores de centenas de anos atrás. A filosofia já perdeu o seu status privilegiado e hoje pode funcionar de forma acessória a outras áreas. (22%, 305 Votes)

Total : 1.382

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Categorias: Mitologia.

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11 Comentários to “Enquetes”

  1. 1
    Daniel Says:

    A pergunta sobre a clonagem parece estar tendenciosa para o não, as opções do sim dão a impressão de uma resposta infantil.
    Eu responderia que sim, sendo feita com ética e responsabilidade, poderia a clonagem ser benéfica de algum modo para o ser humano, se não for não há sentido de fazê-la. Aliás os ciêntistas não gastariam anos de pesquisa e recursos financeiros, emocionais e logistica humana para satisfazer-lhes apenas a sua vaidade. E ninguém brinca de Deus, se o homem chega a algum tipo de conhecimento é por estar preparado, já imaginou em 1500 a bomba atomica fosse uma realidade, estaríamos aqui?. Se chegamos a algum ponto é pois estarmos com um mínimo de moral para seguir adiante.
    E outra coisa, ainstein era um ser unico, mesmo seu clone não seria como ele, a inteligencia não é apenas mecânicaou seja o cerebro, existem outras bases para essa inteligencia existir, pode ser que um clone herde uma caracteristica mecanica, mas não a sabedoria de desenvolver a inteligencia de sua matriz.

  2. 2
    Miguel (admin) Says:

    Olá Daniel, que pena que você achou isso da enquete e ficou sem ter no que votar. As opiniões do sim foram pensadas para reproduzir o senso comum, que nem sempre traz um conhecimento científico, mas pega de forma geral idéias que se propagam. Não é necessariamente infantil.

    Proponho que você envie uma alternativa para “sim” que ache adequada, compatível com o do tamanho das outras, daí nós colocaremos no ar. Claro que vai começar com uma grande desvantagem, já que esta questão da enquete começou já há anos…

  3. 3
    Hebert Periara Guedes Says:

    Olá a respeito do livro mais importante para a filosofia, é o de Nietzsche, pois vejo que este tem uma influência cada vez mais marcante em nossa sociedade, que se volta ao ateísmo, bem como ao agnosticismo.

  4. 4
    Luciane Says:

    Eu li a página em que comenta sobre escravidão, por favor escrever que os negros aqui no Brasil não sofriam castigos, justificar a escravidão negra porque lá em África já existia, deve-se entender que são conceitos diferentes de escravidão…Sou professora de História e jamais me basearia num texto horrível feito este para ensinar meus alunos…e ainda o nome do site é consciência..por favor..acredito que vocês devem ler mais sobre a escravidão no Brasil…

  5. 5
    Miguel (admin) Says:

    @Luciane: Trata-se de um livro didático dos anos 1950, publicado e tudo mais pelo notório professor Borges Hermida, que é o principal nome em livros didáticos deste período. Se a historiografia mudou, é outra questão. No mínimo é um registro histórico importante. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião editorial do site Consciência.

  6. 6
    ANGELA MARIA Says:

    É UMA COISA MUITO BOA MAIS TEM Q MELHORAR UM POUCO ?

  7. 7
    Nelson Says:

    De fato, há uma certa “imposição involuntária” motivada pelas circunstâncias da modernidade que leva o “Homem” a buscar no passado, nas linhas da Filosofia e/ou Sociologia a buscar algumas respostas, argumentos pelos eventos que estão ocorrendo no dia-a-dia da sociedade consumista e que se encontra sem um ponto de referência para seus própósitos sociais, econômicos, políticos, etc.; em tudo que abrange na forma de “pensar”, “sentir”, comportamentos.

  8. 8
    Catarina Says:

    a filosofia é uma disciplina dificil para as crianças do 2º ciclo entenderem.

  9. 9
    beatriz muniz Says:

    Concordo com o Daniel essa pergunta sobre clonagem tambémm pra mim tá dando impresão
    na própria resposta que tá INFANTIL !!!!

  10. 10
    bruna Says:

    eu acho que vocês (Daniel e beatriz ) estão totalmente certos eu também concordo com vocês !!!
    acho aquele pergunta sobre clonagem muito INFANTIL acho que deviam ler nossoa comentários do “Enquetes”!!!!

  11. 11
    Nickoss Says:

    Sobre: A filosofia está na moda?
    Não votei porque as três proposições colocadas são imprecisas.
    Ex. A afirmativa: “Sim, o esvaziamento ético e espiritual causado pela volaticidade da era consumista leva as pessoas a procurar abrigo em tradições mais amplas, não necessariamente religiosas.”

    Comentário: Não se pode generalizar que a era comunista tenha provocado o esvaziamento ético e espiritual dos indivíduos. Nos EUA, Inglaterra e até na Alemanha nazista, sempre houveram indivíduos éticos e não éticos e religiosos e não religiosos.
    Essas deficiências só seram resolvidas quando a grande maioria dos indivíduos tiverem escola de boa qualidade, e não obrigatoriedade, por força de lei, para o ensino de religião. Só assim terão discernimento próprio.
    Abraços
    Nickoss


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