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104.   Qualidades primárias e secundárias.

Sem
dúvida, nessa reprodução da realidade mesma nem todos os elementos psicológicos
têm igual valor ontológico. Assim, Locke distingue nas percepções que temos das
coisas, das substâncias, as qualidades que ele chama secundárias e as
qualidades que ele chama primárias. As qualidades secundárias são a cor, o
odor, a temperatura. Essas qualidades, evidentemente, não estão nas coisas
mesmas, não reproduzem realidades em si e por si, mas são modificações
totalmente subjetivas do espírito. Pelo contrário, as outras qualidades, que ele
chama primárias — que são a extensão, a forma, o movimento, a impenetrabilidade
dos corpos — são propriedades que pertencem aos corpos mesmos, à matéria mesma.
Não são, pois, puramente subjetivas como as qualidades secundárias.

Como
se vê, este trabalho de Locke é um ensaio muito esforçado para introduzir clareza
psicológica no amassilho do conhecimento. Nosso conhecimento é um conjunto
enorme de idéias, de pensamentos. Locke se aproxima desse conjunto; começa a
analisar, a dividir; vai tomando essas idéias, olhando-as uma por uma; as que
são complexas, como os modos, as substâncias, as relações, decompõe-nas em
idéias simples, e a cada uma das idéias simples assinala uma origem empírica,
bem na experiência externa, que é a experiência dos sentidos, bem na
experiência interna, que é o perceber-se a consciência a si mesma.

 

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