{"id":1146,"date":"2009-12-17T17:14:13","date_gmt":"2009-12-17T19:14:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1146"},"modified":"2009-12-20T23:32:15","modified_gmt":"2009-12-21T01:32:15","slug":"o-mestre-parte-para-eternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-mestre-parte-para-eternidade","title":{"rendered":"O MESTRE PARTE PARA ETERNIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Tel\u00ea Santana morreu depois de longa agonia. Tinha a voz travada, os movimentos inseguros, o olhar vago. Exatamente o contr\u00e1rio do que sempre foi: firme, determinado, decisivo. A fam\u00edlia acusou o mart\u00edrio de ser fruto de erro m\u00e9dico. Ficamos assim com o mutismo absoluto desse brasileiro raro que sempre poder\u00e1 ser chamado de Mestre. Ele resolveu a falsa contradi\u00e7\u00e3o entre futebol for\u00e7a e futebol arte, apesar de ter pagado caro por perder a Copa de 82, acusado de ter enfeitado demais com um time dos sonhos. Tel\u00ea n\u00e3o dava a m\u00ednima para o estrelismo e exigia que cada jogador exercitasse os fundamentos do futebol: chutar direito, cruzar, cabecear, dominar a bola. Rog\u00e9rio Ceni, que hoje brilha no escandaloso ostracismo da sele\u00e7\u00e3o nacional, \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o e o fruto desse aprendizado: o atleta completo, que n\u00e3o se conforma com seus limites e chega na \u00e1rea, venha de onde vier.<\/p>\n<p>H\u00e1 in\u00fameras cr\u00edticas \u00e0s suas estrat\u00e9gias, mas ningu\u00e9m jamais poder\u00e1 tirar-lhe o m\u00e9rito de que foi um reinventor do futebol brasileiro. Depois que nulidades como Cl\u00e1udio Coutinho e outros burocratas se renderam ao futebol burro, que faz parte do sistema que destruiu a na\u00e7\u00e3o, ele trouxe de volta a efici\u00eancia como fonte da alegria, revelando um punhado de craques inesquec\u00edveis, que com ele conheceram a gl\u00f3ria. Errou muitas vezes, como tudo o que \u00e9 humano erra, mas fica sua li\u00e7\u00e3o permanente de corre\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o, seriedade e sobriedade. Por coincid\u00eancia, o tempo em que ficou mudo conviveu com o falastrionismo do futebol, dos treinadores hist\u00e9ricos que sempre se acham com raz\u00e3o, dos cartolas que deitam e rolam com seus arreganhos extrativistas, que jogaram a arte brasileira nas m\u00e3os estrangeiras, e que provocaram o \u00eaxodo sem fim dos craques que o Brasil gera com sua tradi\u00e7\u00e3o e sua cultura.<\/p>\n<p>Calou-se o Mestre enquanto afundamos nessa espiral de horrores, em que os perna-de- paus viraram titulares e nossas j\u00f3ias foram se entregar ao papel pintado das pot\u00eancias. Se ele perdeu em 1982, foi com honradez e n\u00e3o como em 1998, quando na final paramos em campo num epis\u00f3dio que clama at\u00e9 hoje por explica\u00e7\u00f5es, diante daqueles franceses arrogantes, que levaram a Copa porque ficamos imobilizados, derrotados, comprados, enquanto eles faziam a festa em cima da nossa subsmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>CENA &#8211; Nunca esque\u00e7o uma das cenas mais emocionantes que vi na televis\u00e3o. O Morumbi lotado levantava os bra\u00e7os e entoava o c\u00e2ntico dos c\u00e2nticos: &#8220;Ol\u00ea ol\u00ea ol\u00ea ol\u00ea Tel\u00ea Tel\u00ea&#8221;. Era a milion\u00e9sima vez que o Mestre decidia um t\u00edtulo. Ele ent\u00e3o se levanta, de maneira n\u00e3o muito confort\u00e1vel pois n\u00e3o est\u00e1 acostumado a esse tipo de demonstra\u00e7\u00e3o, anda um pouco para dentro do gramado e faz sua sauda\u00e7\u00e3o, com uma s\u00f3 m\u00e3o para cima acompanhando o ritmo da cantoria. Era a homenagem em vida ao homem que deu tantas alegrias aos seus torcedores e que destacou-se como um brasileiro maior, nesta galeria cada vez mais escassa, no pa\u00eds que perdeu sua soberania. Era o Brasil que o admirava, acima de camisas, hinos ou paix\u00f5es. Era o tributo \u00e0 honradez e \u00e0 vida de Tel\u00ea Santana, impregnada do esp\u00edrito nacional que jamais poder\u00e1 nos abandonar, sob pena de perdermos tudo o que conquistamos por s\u00e9culos e gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Morumbi lotado levantava os bra\u00e7os e entoava o c\u00e2ntico dos c\u00e2nticos: &#8220;Ol\u00ea ol\u00ea ol\u00ea ol\u00ea Tel\u00ea Tel\u00ea&#8221;. Era a milion\u00e9sima vez que o Mestre decidia um t\u00edtulo. 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