{"id":1215,"date":"2009-12-18T20:19:19","date_gmt":"2009-12-18T22:19:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1215"},"modified":"2009-12-20T19:11:09","modified_gmt":"2009-12-20T21:11:09","slug":"cultura-carnaval-e-cinzas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/cultura-carnaval-e-cinzas","title":{"rendered":"CULTURA, CARNAVAL E CINZAS"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>A m\u00e3o pesada do Estado na fonte do conceito e das a\u00e7\u00f5es da marginalidade<\/p>\n<p>A) Revolta da vacina<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo 19, o bra\u00e7o pesado do Estado num pa\u00eds ainda cindido pela heran\u00e7a de quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o, a servi\u00e7o de uma elite com os olhos voltados para o exterior, criou um conceito excludente de povo. A lei, o recrutamento militar for\u00e7ado, o voto seletivo &#8211; reservado aos que tinham posses -, uma inexistente distribui\u00e7\u00e3o de renda, entre outros motivos, acuaram a popula\u00e7\u00e3o pobre, for\u00e7ando-a gerar um universo pr\u00f3prio, avesso ao mundo oficial.<br \/>\nNa cidade do Rio de Janeiro, a pol\u00edtica de erradica\u00e7\u00e3o dos corti\u00e7os e a decis\u00e3o de sanear a cidade por meio, entre outras iniciativas, da vacina obrigat\u00f3ria, foi o estopim gerador do confronto entre o povo marginalizado e o poder. Esse embate deu-se por meio da arrua\u00e7a, da baderna, da guerrilha urbana espont\u00e2nea, que se aglutinava, muitas vezes, em torno dos criminosos, dos capoeiras, dos que detinham o poder nas ruas. Normalmente, esses eram os mesmos que, pela for\u00e7a, em \u00e9poca de elei\u00e7\u00f5es, definiam a vit\u00f3ria dos candidatos que pagavam seus servi\u00e7os<\/p>\n<p>O termo bilontra surge para definir o indiv\u00edduo que consegue sobreviver apesar da repress\u00e3o e se safa dessa presen\u00e7a estatal &#8211; ou consegue us\u00e1-la em proveito pr\u00f3prio &#8211; por meio da esperteza e da falta de escr\u00fapulos. Como foi dito em aula, o bilontra da virada do s\u00e9culo, o malandro que domina a cena carioca a partir dos anos 30 e o bandido que se consolida principalmente depois de 64 &#8211; que militarizou a sociedade &#8211; s\u00e3o, no fundo, o mesmo personagem. A fonte \u00e9 uma s\u00f3. Como nota Jos\u00e9 Murilo de Carvalho: \u201cA lei era desmoralizada de todos os lados, em todos os dom\u00ednios. Essa duplicidade de mundos, mais aguda no Rio, talvez tenha contribu\u00eddo para a mentalidade de irrever\u00eancia, de deboche, de mal\u00edcia. De tribofe\u201d (trapa\u00e7a, logro, segundo o dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio).<\/p>\n<p>O bestializado \u00e9 o termo usado pela elite intelectual, cevada no evolucionismo e no darwinismo social, para expressar seu desencanto em rela\u00e7\u00e3o ao povo dispon\u00edvel no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na express\u00e3o de Silvio Romero, era um povo \u201cap\u00e1tico, sem iniciativa, desanimado, que imitava o estrangeiro, sofria de apatia intelectual, irritabilidade, nervosismo e superficialidade\u201d. A id\u00e9ia de \u201cmelhorar\u201d a ra\u00e7a por meio da imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia \u00e9 antiga, data de 1831, quando o bi\u00f3logo franc\u00eas Louis Couty disse que \u201co Brasil n\u00e3o tinha povo\u201d e era preciso traz\u00ea-lo de fora.<\/p>\n<p>Quando o americano grita \u201cpower to the people\u201d, ele fala de \u201cn\u00f3s, as pessoas\u201d (people, sintomaticamente, tem esse duplo sentido unificador) . Quando falamos \u201cpovo\u201d, ocorre o contr\u00e1rio, estamos nos referindo a algo exterior a n\u00f3s. Queremos dizer \u201cpessoas pobres, marginalizadas\u201d, que fazem parte de um universo que n\u00e3o \u00e9 o nosso. O povo, no Brasil, \u00e9 formado pelos \u201cbrasileiros\u201d, que sempre s\u00e3o os outros.<\/p>\n<p>S\u00f3 que esse Brasil mesti\u00e7o, \u00edndio e negro, escondido pelas veleidades europ\u00e9ias da elite brasileira, estava vivo, batucando, dan\u00e7ando e cantando nas rodas de capoeira, nas festas religiosas, no carnaval, nos botecos. \u201cEssa gente\u201d &#8211; como se refere ao povo, at\u00e9 hoje, a elite bestializada pela m\u00eddia &#8211; opunha bai\u00e3o, xote, fandango, moda, rancho, lundu, maracatu, toadas e cord\u00f5es ao universo sonoro branco das valsas, polcas, \u00f3peras. O batuque e o aboio tomavam conta do povo brasileiro enquanto a elite e os setores m\u00e9dios entregavam-se \u00e0s operetas de uma belle \u00e9poque tropical.<\/p>\n<p>Mas essa dissid\u00eancia n\u00e3o pode ser tomada ao p\u00e9 da letra. \u00c9 tamb\u00e9m uma \u00e9poca, como todas, de sincretismo e transi\u00e7\u00e3o. O universo sonoro popular, sintetizado na Fita Magn\u00e9tica n\u00famero 1, do curso, ao interpor valsa e opereta com preg\u00f5es e modinhas, nos alerta para essa diversidade na escuta, que se expressava e era absorvida de maneira simult\u00e2nea pelos artistas da \u00e9poca. Um exemplo do resultado s\u00e3o as polcas misturadas com lund\u00fas, e os tangos e valsas convivendo com cateret\u00eas na pesquisa de campo recolhida por Regis Duprat e reorquestrada por ele e Rog\u00e9rio Duprat. H\u00e1 neste LP, inclusive, uma polca lund\u00fa.<\/p>\n<p>Outros Lps escutados mostram o universo rural povoando as mentes urbanas, e os sentimentos de saudade e melancolia alternando-se com o ritmo das dan\u00e7as populares. O bilontra est\u00e1 mais relacionado com o batuque e o ritmo sincopado, mas seu isolamento \u00e9 tamb\u00e9m territ\u00f3rio prop\u00edcio para a nostalgia. \u00c9 o que atestam artistas como Maria Livia S\u00e3o Marcos tocando ao viol\u00e3o \u201cU Capim mais mimoso\u201d, de Catulo da Paix\u00e3o Cearense, Maria Lucia Godoy e Miguel Proen\u00e7a interpretando \u201cPeregrinos de Joazeiro\u201d, an\u00f4nimo e Modinha (Xisto Bahia), ou o Grupo de Serestas Jo\u00e3o Chaves, de Montes Claros interpretando modinhas como \u201cPerd\u00e3o Em\u00edlia\u201d, dom\u00ednio p\u00fablico e \u201cChu\u00e1 Chu\u00e1\u201d, de Pedro S\u00e1 Pereira e Ari Pav\u00e3o.<\/p>\n<p>O povo brasileiro expressou-se de maneira diferente do que esperava a elite da \u00e9poca, gerando um universo sonoro ao mesmo tempo avesso e complementar ao que fora importada atrav\u00e9s dos teatros, das partituras e dos artistas estrangeiros. Isso faz parte da natureza do bilontra, que finge ser um bestializado para acabar impondo, por vias transversas, a sua maneira de ver e lidar com o mundo.<\/p>\n<p>O bilontra \u00e9 a verdadeira face do bestializado. O bilontra \u00e9 o que v\u00ea (ou o que comp\u00f5e e canta) e o bestializado \u00e9 o que \u00e9 visto (ou o que apenas escutae cala). Essa dupla percep\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje assombra o universo ideol\u00f3gico e cultural do Brasil.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>CARVALHO, JOS\u00c9 MURILO DE &#8211; Cap\u00edtulos 4 &#8211; \u201cCidad\u00e3os inativos: a absten\u00e7\u00e3o eleitoral\u201d e 5 &#8211; \u201cBestializados ou bilontras?\u201d, in \u201cOs Bestializados\u201d, SP, Companhia das Letras, 1987, pgs 66-160<br \/>\nLEITE, DANTE MOREIRA &#8211; Cap\u00edtulo 9 \u201cRealismo e Pessimismo\u201d, in \u201cO Car\u00e1ter Nacional Brasileiro, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, SP, Atica, 1992, pg. 178-259.<br \/>\nLP M\u00daSICA POPULAR BRASILEIRA DO SEC XIX NO VALE DO PARA\u00cdBA &#8211; Regis e Rog\u00e9rio Duprat, Som Livre.<br \/>\nLP MODINHAS &#8211; Grupo de Serestas \u201cJo\u00e3o Chaves\u201d, de Montes Claros, Discos Marcus Pereira.<br \/>\nLP SAUDADES DO BRASIL &#8211; Maria Livia S\u00e3o Marcos, RGE-Fermata<br \/>\nALBUM DUPLO FRUCTUOSO VIANNA na interpreta\u00e7\u00e3o de Maria Lucia Godoy e Miguel Proen\u00e7a &#8211; Obra seleta para canto e piano e Obra seleta para piano solo. \u00c0rsis Promo\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas Ltda.<\/p>\n<p>B) Ideologia da malandragem<\/p>\n<p>A ideologia da malandragem \u00e9 oposta \u00e0 ideologia do trabalho. O malandro \u00e9 o bilontra refinado, que substitui a viol\u00eancia pela manha, o isolamento pelo exibicionismo. Ele justifica seu comportamento porque a na\u00e7\u00e3o excluiu o trabalhador nacional e, como diz Wilson Batista em Len\u00e7o no Pesco\u00e7o, \u201ceu vejo quem trabalha andar no miser\u00ea\u201d. Seu sonho \u00e9 ganhar no jogo do bicho, uma contraven\u00e7\u00e3o que \u00e9 porta de entrada para a riqueza. Ele se op\u00f5e ao esfor\u00e7o disciplinador do governo em rela\u00e7\u00e3o ao trabalhadores, que precisam ser encaminhados para a rotina da produ\u00e7\u00e3o. Pelo menos at\u00e9 o Estado Novo &#8211; 1937-45, Wilson Batista e outros sambistas podiam sentir orgulho de ser vadio &#8211; e dizer isso em voz alta.<\/p>\n<p>Mas toda ascens\u00e3o social fundada na seletividade lot\u00e9rica \u00e9 fonte de tens\u00e3o. Wilson Batista sabe disso e portanto cai na real quando confessa que seu grande pr\u00eamio no jogo do bicho tinha sido apenas um sonho. Esse contraponto no final da m\u00fasica \u00e9 tamb\u00e9m um modo malandro de disfar\u00e7ar a vadiagem, j\u00e1 que o personagem de Acertei no Milhar \u00e9 chamado para o batente. Ou seja, o trabalhador tem um sonho malandro, mas continua preso \u00e0 ideologia do trabalho. Sinal de que Wilson Batista, na \u00e9poca em que comp\u00f4s essa m\u00fasica, 1940, j\u00e1 estava totalmente entregue aos ditames da censura. Dizer que tudo fora um sonho era uma maneira de driblar a censura.<\/p>\n<p>No mesmo o ano, ele comp\u00f4s \u201cGanha-se pouco mas \u00e9 divertido\u201d, onde conseguia colocar o universo da vadiagem no fim de semana. Sambar era permitido, desde que n\u00e3o atrapalhasse a rotina do trabalho. Vemos assim dois Wilson Batista. Um \u00e9 anterior ao Estado Novo, quando usava len\u00e7o no pesco\u00e7o, arrastava tamanco, levava uma navalha no bolso e passava gingando, provocando desafio &#8211; um retrato falando dos velhos capoeiras, do bilontra bruto do passado. J\u00e1 em Acertei no milhar e Ganha-se Pouco ele compactuava com a ideologia do trabalho, mas de maneira malandra, pois acabava passando o seu recado. O povo trabalha, mas gosta mesmo \u00e9 do fim-de-semana, pois o trabalho \u00e9 fonte de desprazer, de opress\u00e3o, de mis\u00e9ria. E tamb\u00e9m sonha em viver sem trabalhar, como os ricos. A loteria \u00e9 a maneira r\u00e1pida de adquirir o status que o oprime.<\/p>\n<p>Numa composi\u00e7\u00e3o interessante para esta an\u00e1lise &#8211; \u201cMalandro Medroso\u201d &#8211; Noel Rosa destaca a figura do malandro que tamb\u00e9m est\u00e1 presente em Len\u00e7o no Pesco\u00e7o. A letra enfoca o malandro que explora mulheres, joga fora o dinheiro com jogo e bebida e foge do \u201ccoronel\u201d &#8211; o protetor da mo\u00e7a. Gravado em 1930, esse samba ficou esquecido porque era o outro lado do mega- sucesso \u201cCom que roupa.\u201d. Diz Noel: \u201cEu devo, n\u00e3o quero negar\/ mas te pagarei quando puder\/ se o jogo permitir\/ se a pol\u00edcia consentir\/ e se Deus quiser. Em 1931, Jo\u00e3o de Barro p\u00f4s letra em outro samba de Noel, \u201cSamba da Boa Vontade\u201d, onde diz: \u201cViver alegre hoje \u00e9 preciso\/ conserva sempre o teu sorriso\/ mesmo que a vida esteja feia\/ e que vivas na pinimba\/ passando a pir\u00e3o de areia.\u201d<\/p>\n<p>Ou seja, at\u00e9 1937, o malandro pode aparecer. Come\u00e7a ent\u00e3o a atrapalhar o projeto modernista, que n\u00e3o contava com o surgimento da malandragem na manipula\u00e7\u00e3o que fazia do universo sonoro popular. O malandro escapava da ingenuidade, mat\u00e9ria-prima para a erudi\u00e7\u00e3o modernista. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o descaramento do malandro, que anunciava sua vadiagem, assumindo a imagem grotesca que a elite fazia do povo.<\/p>\n<p>O malandro, portanto, foi o personagem que transformou uma desvantagem numa esp\u00e9cie de virtude. Vale destacar que a maneira de cantar, debochada, refor\u00e7ada pela oscila\u00e7\u00e3o do som dos metais como eterno contraponto definiu o clima de uma \u00e9poca, praticamente batizou Lamartine babo, salpicou de molho a voz de M\u00e1rio Reis e chegou at\u00e9 n\u00f3s, feitas as devidas ressalvas, atrav\u00e9s de Jo\u00e3o Gilberto. H\u00e1 malandragem no tom que Jo\u00e3o usa para cantar.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m falar que o tema ocupou a m\u00fasica popular at\u00e9 recentemente, com a \u201c\u00d3pera do Malandro\u201d, de Chico Buarque e Ruy Guerra, com o samb\u00e3o-j\u00f3ia dos anos 70, com o sambinha ch\u00f4cho de Jo\u00e3o Nogueira etc. Hugo Carvana, autor de dois filmes chamados \u201cVai Trabalhar Vagabundo I e II\u201d, confessou que n\u00e3o teria ambiente nem clima para repetir a dose porque os anos 90 acabaram com a figura do malandro. \u00c9 que ele foi substitu\u00eddo pelo traficante, pelo bandido com AR-15, que dita a lei na favela abandonada pelo Estado. O malandro tamb\u00e9m tentou fugir do bra\u00e7o pesado do Estado, mas quem partiu para a guerra foi o traficante.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>MATOS, CL\u00c1UDIA &#8211; \u201dO Samba e Seu Lugar\u201d In \u201cAcertei no Milhar &#8211; Malandragem e Samba no Tempo de Get\u00falio. RJ, Paz e Terra, 1982, pgs. 25-59.<br \/>\nLP O FINO DA MALANDRAGEM &#8211; com a m\u00fasica \u201cAcertei no Milhar\u201d (Wilson Batista) cantada por Jorge Veiga. Warner.<br \/>\nCD NOEL ROSA &#8211; FEITI\u00c7O DA VILA &#8211; com a m\u00fasica \u201cMalandro Medroso\u201d (Noel Rosa), Selo Revivendo.<br \/>\nCD NOEL ROSA &#8211; IN\u00c9DITO E DESCONHECIDO\u201d &#8211; com a m\u00fasica \u201cSamba da Boa Vontade\u201d Noel Rosa, Est\u00fadio Eldorado M, s\u00e9rie Mem\u00f3ria. em A M<\/p>\n<p>C) O g\u00eanio da chanchada<\/p>\n<p>A par\u00f3dia era um instrumento teatral comum no Brasil do s\u00e9culo 19. A carnavaliza\u00e7\u00e3o do poder manifestava-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica e aos costumes. A m\u00fasica sempre ocupou posi\u00e7\u00e3o de destaque nesse mimetismo debochado da cultura importada da Europa. As grandes companhias teatrais francesas, que estocavam a moral da \u00e9poca com suas ousadias, deixavam um rastro de ambig\u00fcidade num mercado cultural movimentado. Esse aspecto do teatro foi transplantado para o cinema, que dele importou artistas e id\u00e9ias. A chanchada brasileira nasce dessa heran\u00e7a do teatro de costumes, dos espet\u00e1culos circenses e do carnaval.<\/p>\n<p>A cena de Romeu e Julieta com Oscarito e Grande Otelo \u00e9 um exemplo t\u00e3o impactante do talento como isso foi feito que chega a ofuscar muitas outras cenas c\u00e9lebres da dupla. Praticamente, toda vez que se enfoca a chanchada, essa cena \u00e9 obrigatoriamente lembrada. Parodiando Shakespeare &#8211; ou melhor, debochando do espet\u00e1culo dito s\u00e9rio sobre Shakespeare (do qual o filme de Franco Zefirelli, embora feito muitas d\u00e9cadas depois, \u00e9 um exemplo t\u00edpico) Oscarito e Grande Otelo come\u00e7am introduzindo um elemento vital para a carnavaliza\u00e7\u00e3o: o homem vestido de mulher. Grande Otelo no papel de Julieta, al\u00e9m do mais, \u00e9 negro, contrariando assim &#8211; muito tempo antes que os politicamente corretos entrassem na moda &#8211; os fetiches da cultura branca, que tem em Shakespeare seu monstro sagrado.<\/p>\n<p>O homem negro no papel da Julieta branca introduz tamb\u00e9m outro elemento detonador: a personagem mulher com opini\u00e3o pr\u00f3pria. \u201cEla\u201d contraria seu amado num bate boca, esculhambando de vez uma cena pretensamente amorosa. O tombo do falso casal, os trejeitos exagerados, as vozes estridentes completam a palha\u00e7ada. \u00c9 importante destacar que, no contexto do filme, os dois personagens eram marginalizados do mundo teatral e faziam essa cena para provar que entendiam do riscado, pois queriam ser aproveitados no espet\u00e1culo que estava sendo encenado. Fica assim evidente que o povo, fora do circuito da cultura, for\u00e7a a barra por meio da carnavaliza\u00e7\u00e3o para se impor. \u00c9 a sua sa\u00edda.<\/p>\n<p>Se em Romeu e Julieta Oscarito era apenas um \u201cescada\u201d de Grande Otelo, em \u201cMelvis Prestes\u201d ele \u00e9 a estrela principal. O alvo dessa dan\u00e7a alucinada de um ator com mais de 50 anos \u00e9 a ind\u00fastria cultural, que importava m\u00fasica, modismos, \u00eddolos sem nenhuma barreira. Melvis Prestes \u00e9 uma par\u00f3dia que afirma a nacionalidade. O estrangeiro \u00e9 exposto ao rid\u00edculo, ao mesmo tempo em que o brasileiro que imita o americano tamb\u00e9m \u00e9 colocado no miolo do deboche.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode chamar isso de arte vulgar. \u00c9 arte da cultura da escassez, \u00e9 sofistica\u00e7\u00e3o exposta sob o inv\u00f3lucro do improviso, \u00e9 profundidade n\u00e3o reconhecida &#8211; o que \u00e9 mais um elemento para a par\u00f3dia e o deboche. N\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m popularesca porque n\u00e3o \u00e9 alienada na sua apela\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. Ela \u00e9 cr\u00edtica apelando para o excesso, ela desdramatiza o consumo usando o distanciamento ator\/personagem, que \u00e9 feito de maneira consciente por esse g\u00eanio que \u00e9 o Oscarito. A cultura acad\u00eamica deve, portanto, render-se a ele e jamais acus\u00e1-lo, procurar entender sua arte e seu talento e n\u00e3o reneg\u00e1-lo como artista menor.<\/p>\n<p>A chanchada &#8211; um dos tantos termos criado pelos inimigos e que foi incorporada pelos que eram criticados &#8211; era um modelo a ser destru\u00eddo pelo chamado cinema de arte do Cinema Novo. Lembro at\u00e9 hoje a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico que foi assistir Deus e o Diabo na Terra do Sol na minha cidade, nos anos 60 (interior do Rio Grande do Sul). Era um p\u00fablico cativo da chanchada e que foi assistir mais um filme brasileiro. S\u00f3 que saiu berrando no meio das sess\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi uma oposi\u00e7\u00e3o brutal que espantou as plat\u00e9ias, as mesmas que nos anos 40 e 50 lotavam os cinemas. O Cinema Novo foi uma revanche do modernismo tra\u00eddo pela malandragem, que via na carnavaliza\u00e7\u00e3o um elemento de domina\u00e7\u00e3o das elites e dos estrangeiros sobre um povo indefeso e ing\u00eanuo. Isso n\u00e3o tira o m\u00e9rito do melhor filme brasileiro de todos os tempos, Deus e o Diabo na Terra do Sol.<\/p>\n<p>As chanchadas musicais parodiavam o cinema americano, mas era um produto tipicamente nacional. Muitas delas at\u00e9 hoje conservam a gra\u00e7a original. Muitas eram grossas, apelativas e sofriam de uma cr\u00f4nica indig\u00eancia intelectual. Mas grandes artistas, como Oscarito e Grande Otelo, souberam, em alguns momentos, colocar a chanchada entre a grande arte da cultura brasileira.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>Chanchadas vistas nos anos 50 no Cine-Teatro Carlos Gomes, de Uruguaiana (RS) e aulas expositivas do curso.<\/p>\n<p>D) Tom e os etnoc\u00eantricos<\/p>\n<p>Quando Tom Jobim morreu, as televis\u00f5es americanas e europ\u00e9ias destacaram o compositor brasileiro que tinha se inspirado na selva amaz\u00f4nica para fazer can\u00e7\u00f5es conhecidas em todo o mundo. Esse enfoque, tipicamente etnoc\u00eantrico, revela como a cultura dos pa\u00edses mais ricos \u00e9 impenetr\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 complexidade cultural existente fora dos seus dom\u00ednios, especialmente no Brasil. Tom Jobim foi o \u00fanico compositor com quem Frank Sinatra &#8211; fetiche da m\u00eddia internacional &#8211; arriscou fazer um \u00e1lbum exclusivo. Sua m\u00fasica, a Bossa Nova, influenciou a m\u00fasica americana, um fato reconhecido pelos pr\u00f3prios artistas de l\u00e1. Mas na hora do necrol\u00f3gio, ele \u00e9 apenas o \u00edndio que cruzou o mar.<\/p>\n<p>Essa eterna vis\u00e3o do para\u00edso \u00e9 que est\u00e1 presente no depoimento de Henry Barraud no filme sintomaticamente intitulado \u201c\u00cdndio de Casaca\u201d. O mais chocante \u00e9 que ele pensa estar elogiando Villa-Lobos, um compositor que n\u00e3o pode se equiparar a uma for\u00e7a da natureza, j\u00e1 que sua vasta obra, numerosa e complexa, \u00e9 fruto de uma civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o reconhecida no chamado Primeiro Mundo. Comparar a apari\u00e7\u00e3o de Villa-Lobos \u00e0 carro\u00e7a de feno do filme Le Chien Andalous \u00e9 de uma limita\u00e7\u00e3o atroz. Um franc\u00eas n\u00e3o poderia levantar a hip\u00f3tese de que Villa-Lobos n\u00e3o estava na carro\u00e7a de feno &#8211; nem com ela se confundia. Ele estaria entre os convidados &#8211; usando, talvez, um bom chinelo para amenizar a gota.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 reconhecido \u00e9 que existem artistas do Terceiro Mundo capazes de fazer um trabalho de apropria\u00e7\u00e3o e de alta elabora\u00e7\u00e3o erudita a partir de uma vasta mat\u00e9ria-prima da realidade e da cultura popular. Isso, naturalmente, na vis\u00e3o etnoc\u00eantrica, \u00e9 exclusivo de quem nasceu e foi criado numa na\u00e7\u00e3o rica. Quem, do lado de baixo do Equador, resolver trabalhar o folclore como fez Villa-Lobos, acaba sendo confundido com o pr\u00f3prio material que magistralmente manipula.<\/p>\n<p>O tom respeitoso dos folcloristas rom\u00e2nticos &#8211; matriz dessa vis\u00e3o etnoc\u00eantrica &#8211; estava relacionado apenas com os pr\u00f3prios povos e, em parte, com os povos do Oriente, reconhecidamente detentores de uma cultura muito mais antiga e complexa. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica, respeitava-se apenas a diversidade da fauna e da flora. \u00cdndio, povo ou elite tupiniquim jamais poderiam alcan\u00e7ar status cultural. A antropologia ainda n\u00e3o tinha irrompido com suas an\u00e1lises relativistas.<\/p>\n<p>O toque essencialmente brasileiro dessa pequena trag\u00e9dia \u00e9 que Villa-Lobos assumiu o papel que lhe imputaram na Fran\u00e7a &#8211; na \u00e9poca, ainda uma esp\u00e9cie de capital da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Villa-Lobos tinha ber\u00e7o: era filho de classe m\u00e9dia pobre, tinha tocado em cinema para sobreviver e tamb\u00e9m fazia parte, portanto, desse universo brejeiro do Brasil do come\u00e7o do s\u00e9culo, de um povo que procurava fugir das amarguras por meio da m\u00fasica. Ele gostava de assustar as senhoras francesas descrevendo o prazer que sentia em comer as m\u00e3os dos macacos &#8211; uma alegoria da antropofagia exaltada mais tarde por Oswald de Andrade. A\u00ed est\u00e1 um compositor erudito misturado com o mais refinado deboche popular.<\/p>\n<p>Talvez Villa reconhecesse a ironia de ser tratado como \u00edndio quando tinha um sentimento de ascend\u00eancia sobre o povo, como todo elitista. Ele confessou sentir inveja dos outros pa\u00edses que conseguiam disciplinar as massas e chegou a desenvolver e a implantar um projeto &#8211; o do canto orfe\u00f4nico &#8211; que revelava essa preocupa\u00e7\u00e3o. Mas era tamb\u00e9m de natureza amb\u00edgua. Ele conhecia o povo e se identificava com ele. Sua defesa apaixonada da intelig\u00eancia dos compositores populares, numa cena mostrada no curso &#8211; quando reconheceu que eles n\u00e3o eram cultos, mas tinham criatividade &#8211; revela esse fato.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a mem\u00f3ria emocionada de D. Nelma, da Mangueira, lembrando que ele sentava no barraco para escutar samba, \u00e9 sinal dessa identifica\u00e7\u00e3o. Era uma identifica\u00e7\u00e3o aut\u00eantica , pois Villa tem for\u00e7a e perman\u00eancia. O verdadeiro g\u00eanio n\u00e3o \u00e9 fundado na mentira.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>ORTIZ, RENATO &#8211; Notas Hist\u00f3ricas Sobre o Conceito de Cultura Popular in \u201cCultura Popular &#8211; Rom\u00e2nticos e folcloristas\u201d, SP, PUC\/SP, 1985, pgs. 1-29.<br \/>\nRENAULT, DELSO &#8211; A Transi\u00e7\u00e3o Social &#8211; O Fluminense Foge \u00e0 Amarguras in \u201cRio de Janeiro: A Vida da Cidade Refletida nos Jornais\u201d. RJ, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira,1978, pg. 15-27.<br \/>\nLP VILLA-LOBOS &#8211; OS DOZE ESTUDOS PARA VIOL\u00c3O &#8211; Suite Populaire Br\u00e9silienne, com Julien Brean, RCA.<br \/>\nLP VILLA-LOBOS E AS CRIAN\u00c7AS VOLs.1 e 2 &#8211; Alberto Boavista, piano. Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Disco- MEC\/Funarte\/ INM, EMI-Odeon. LP TONI BESSES PIANO VILLA-LOBOS, RGE-Fermata.<\/p>\n<p>E) Z\u00e9 K\u00e9ti foi \u00e0 luta<\/p>\n<p>Em 1989, Z\u00e9 K\u00e9ti tinha um sonho: remontar o show Opini\u00e3o. Chegou at\u00e9 a apresentar algumas sess\u00f5es da vers\u00e3o tardia daquele que foi um marco da cultura brasileira. Mas Z\u00e9 K\u00e9ti n\u00e3o tinha mais dinheiro, apoio ou prest\u00edgio, apesar de estar com a gaveta e a mem\u00f3ria cheia de novas composi\u00e7\u00f5es &#8211; que mant\u00eam aquela for\u00e7a antiga, que foi esquecida pelas gravadoras e pelo p\u00fablico. Tentava mesmo arranjar financiamento. Quando ligava para as empresas, se identificava:<\/p>\n<p>&#8211; Aqui \u00e9 o Z\u00e9 K\u00e9ti.<br \/>\n&#8211; Da onde? perguntava mecanicamente a secret\u00e1ria.<br \/>\n&#8211; Da m\u00fasica popular.<\/p>\n<p>Para um empres\u00e1rio a quem foi visitar numa feira de neg\u00f3cios, apresentou-se cantando M\u00e1scara Negra. O timbre poderoso da sua voz, nos ensaios para sua vers\u00e3o do show, lembrava: \u201cFoi o jornal que me disse&#8230;\u201d \u00c0s vezes convidam Z\u00e9 K\u00e9ti para dar depoimentos, mas ele n\u00e3o gosta de ser Hist\u00f3ria, ele gosta de fazer. Por isso \u00e9 malcriado, como aconteceu num especial da Cultura durante o carnaval.<\/p>\n<p>Z\u00e9 K\u00e9ti n\u00e3o pertence \u00e0 p\u00f3s-modernidade dos anos 90. Ele foi um artista engajado, cantou musica de protesto, colocou a cara para bater no palco na \u00e9poca da ditadura, quando os que hoje se dizem democratas nem eram nascidos ou se eram, estavam calados.<\/p>\n<p>No meio de uma feijoada, Z\u00e9 K\u00e9ti confessou-se duro, sem dinheiro e levou as m\u00e3os ao rosto.<\/p>\n<p>&#8211; Minha vida \u00e9 muito sofrimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o jornal que me disse. Foi o que aconteceu naquele ano, v\u00e9spera da grande crise desencadeado por Collor, que acabou sepultando todas as esperan\u00e7as de financiamento para o show de Z\u00e9 K\u00e9ti, da m\u00fasica popular.<br \/>\nMas o show n\u00e3o podia ser remontado. Faz parte de uma \u00e9poca (1964-65), quando surgiu a m\u00fasica de protesto. Opini\u00e3o, sucesso de Z\u00e9 K\u00e9ti, tinha sido feita antes e foi aproveitada de maneira que n\u00e3o correspondia ao seu sentido original. O personagem que canta a m\u00fasica n\u00e3o muda de opini\u00e3o porque n\u00e3o quer sair do morro. Ele vive pertinho do c\u00e9u, numa esp\u00e9cie de para\u00edso, ou seja, longe do bra\u00e7o pesado do Estado. Desse n\u00e3o-lugar ele n\u00e3o sai, porque uma vez, no s\u00e9culo passado e in\u00edcio deste, ele foi arrancado do seu corti\u00e7o e foi preciso subir o morro para escapar da pol\u00edcia. Agora ele n\u00e3o muda mais, tornou-se im\u00f3vel.<br \/>\nA cultura da esquerda identificou-se com essa imobilidade. Permanecer no mesmo lugar, n\u00e3o ser deslocado por um poder il\u00edcito, que se imp\u00f4s pela for\u00e7a, \u00e9 sinal de resist\u00eancia e de luta. Mas a m\u00fasica de Z\u00e9 K\u00e9ti faz parte da linhagem rom\u00e2ntica da m\u00fasica popular. Como em \u201cAve Maria do Morro\u201d (Herivelto Martins), ele vive pertinho do c\u00e9u. Mas a m\u00fasica era apenas um mote para o protesto que vinha no resto da pe\u00e7a, que era dito, gritado, colocado com todas as letras.<\/p>\n<p>Carcar\u00e1, de Jo\u00e3o do Vale, \u00e9 mais expl\u00edcita. O gavi\u00e3o do sert\u00e3o n\u00e3o morre de fome, ele pega, mata e come. Ou seja: \u00e9 um recado para o povo revoltar-se, pegar em armas, tomar posse do que \u00e9 seu. Comer os borregos da baixada \u00e9 como saquear um supermercado, a\u00e7\u00e3o que aconteceu de fato nos anos 80 em todo o Brasil.<\/p>\n<p>A m\u00fasica de protesto inaugura uma fase idealista revolucion\u00e1ria na m\u00fasica popular, convocando as pessoas para a luta. Na \u00e9poca da ditadura, era proibido manifestar-se. A pol\u00edtica estava erradicada da cidadania, que s\u00f3 podia se existir no teatro fechado. Mobilizar as massas pela can\u00e7\u00e3o era a sa\u00edda. Por isso que a can\u00e7\u00e3o, met\u00e1fora de luta, durante o resto da d\u00e9cada serviu para esse prop\u00f3sito, at\u00e9 explodir com \u201cCaminhando\u201d, de Geraldo Vandr\u00e9, um hino-s\u00edntese desse movimento. O dia vir\u00e1 pela for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o da massa, que se concentra em torno da m\u00fasica de protesto.<\/p>\n<p>Can\u00e7\u00e3o \u00e9 luta e foi a m\u00fasica popular que serviu para mobilizar a massa nos anos 80, na \u00e9poca das Diretas J\u00e1, quando cantou-se \u201cCaminhando\u201d at\u00e9 a exaust\u00e3o. E a can\u00e7\u00e3o realmente abriu caminho para a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Essa an\u00e1lise contradiz frontalmente o texto de Walnice Galv\u00e3o &#8211; \u201cSaco de Gatos \u201c. Ela sustenta que a mitifica\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma aliena\u00e7\u00e3o e uma falsidade ideol\u00f3gica. \u201cQuem sabe o canto da gente seguindo na frente prepare o dia da alegria\u201d, previu Vandr\u00e9 e por essa previs\u00e3o pagou caro. O dia certo e preciso de toda a gente cantar (\u201cLouva\u00e7\u00e3o\u201d, de Gilberto Gil), a can\u00e7\u00e3o que chama a primavera (tamb\u00e9m de Gil) \u00e9 a\u00e7\u00e3o, \u00e9 proposta de luta.<\/p>\n<p>O dia que viria, anunciado e preparado pela can\u00e7\u00e3o popular, chegou. Mas a can\u00e7\u00e3o de protesto continua ativa. Quando morre Paulo Freire, canta-se \u201cCaminhando\u201d. E o l\u00edder dos Sem Terra prop\u00f5e para o povo pegar, matar e comer (n\u00e3o com essas palavras, mas com o mesmo sentido). Esse \u00e9 um universo sonoro que ainda pede uma an\u00e1lise mais detalhada e mais atualizada. Ele \u00e9 mais complexo do que ao primeiro ouvido pode parecer.<br \/>\nPara come\u00e7ar, quem vai abrir a gaveta do Z\u00e9 K\u00e9ti? As novas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o de arrepiar.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>GALV\u00c3O, WALNICE NOGUEIRA &#8211; MMPB: Uma an\u00e1lise Ideol\u00f3gica\u201d in \u201cSaco de Gatos &#8211; Ensaios Cr\u00edticos. SP, Duas Cidades, 1976, pg. 93-119.<br \/>\nConversas pessoais com Z\u00e9 K\u00e9ti, 1989.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bilontra da virada do s\u00e9culo, o malandro que domina a cena carioca a partir dos anos 30 e o bandido que se consolida principalmente depois de 64 &#8211; que militarizou a sociedade &#8211; s\u00e3o, no fundo, o mesmo personagem. (Revolta da vacina, Ideologia da malandragem, O g\u00eanio da chanchada, Tom Jobim e os etnoc\u00eantricos e Z\u00e9 K\u00e9ti foi \u00e0 luta s\u00e3o os temas de um trabalho que analisa a m\u00e3o pesada do Estado na fonte do conceito e das a\u00e7\u00f5es da marginalidade).<br \/>\nTexto apresentado na cadeira de Hist\u00f3ria da Cultura, do professor Arnaldo Contier, da USP.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14,15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1215"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1215"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1217,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1215\/revisions\/1217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}