{"id":1972,"date":"2010-02-10T18:54:13","date_gmt":"2010-02-10T20:54:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=1972"},"modified":"2010-02-10T18:54:13","modified_gmt":"2010-02-10T20:54:13","slug":"inversao-de-papeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/inversao-de-papeis","title":{"rendered":"INVERS\u00c3O DE PAP\u00c9IS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Algu\u00e9m me adiciona no Twitter. Visito ent\u00e3o o perfil de quem fez o gesto e noto, algumas vezes, que \u00e9 preciso enviar uma solicita\u00e7\u00e3o para ser adicionado. Quando me parece algu\u00e9m s\u00e9rio, me submeto ao tr\u00e2mite. Resultado: l\u00e1 aparece a mensagem me dando as boas vindas. Bem-vindo o cacete, essa seria minha fala nessa situa\u00e7\u00e3o. Outro exemplo: o sujeito me envia spam do seu blog e me chama de \u201cleitor\u201d. Leitor \u00e9 a progenitora.<\/p>\n<p>Lembro sempre aquela piada da chanchada brasileira em que o grandalh\u00e3o diz: \u201cFico o tempo que eu quiser\u201d, ao que a perua adverte: \u201cNem um minutinho a mais, viu?\u201d A invers\u00e3o dos pap\u00e9is atinge assim o estado de arte. Custa a cair a ficha: aquele paparico em cima de voc\u00ea \u00e9 para te cobrar, te arrancar alguma coisa ou te fazer de subalterno. Na hora em que voc\u00ea morde a isca, est\u00e1 perdido. Te chamam de um grande coisa. No dia seguinte te cobram por esse papel que voc\u00ea n\u00e3o reinvindicou: \u201cJ\u00e1 que voc\u00ea \u00e9 um grande coisa, por que disse isso ou cometeu tal erro?\u201d<\/p>\n<p>Voc\u00ea acha que virou vitrine, mas \u00e9 apenas vidra\u00e7a. Prepare-se.Sendo o que dizem ser, voc\u00ea acaba \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da press\u00e3o alheia sobre desempenho de pap\u00e9is, que \u00e9 sempre o avesso do que foi imaginado. Quando existe envolvimento f\u00edsico, ent\u00e3o, \u00e9 a trag\u00e9dia total. Te pedem um favor: levar em m\u00e3os alguma coisa para determinado lugar. De boa vontade, voc\u00ea vai. Chegando l\u00e1, \u00e9 tratado como servi\u00e7al. Tempos depois, est\u00e3o querendo que voc\u00ea repita o gesto: ei, v\u00ea se d\u00e1 uma varridinha, ou alcance o cafezinho.<\/p>\n<p>Vizinhos promovem a maior muvuca em frente da sua casa. Prudente, voc\u00ea vai dar uma espiada. Logo que sua fu\u00e7a assoma no port\u00e3o, algu\u00e9m mete as m\u00e3os na cintura e dirige o queixo bem espichado para voc\u00ea. O intruso n\u00e3o \u00e9 ele. Voc\u00ea \u00e9 o invasivo, por querer saber o que fazem na porta da rua. Mas \u00e9 que todos tem o direito de foder com a vida alheia. Est\u00e3o garantidos. Nunca errados.<\/p>\n<p>Tenho ido pouco \u00e0 praia. Janeir\u00e3o cheio de morma\u00e7o, sol venenoso, chuva e ventania. Foi-se a \u00e9poca do tempo firme no in\u00edcio do ano. Mas a pouca freq\u00fc\u00eancia na areia n\u00e3o diminui os transtornos. Uma coisa que me surpreende \u00e9 a capacidade de grupos dominarem todos os espa\u00e7os. Voc\u00ea se acomoda placidamente num canto e de repente est\u00e1 rodeado de urros, uivos, gargalhadas est\u00e9reis, conversas compulsivas, patadas na areia, respngos de corpos fedidos, gotas de sorvetes que pingam de bocas \u00e1vidas. Voc\u00ea chegou antes, mas deve se retirar.<\/p>\n<p>A voracidade com que devoram milho, picol\u00e9, caipirinha, cerveja, sandu\u00edches na praia impressiona. L\u00ednguas em intensa atividade, bocas escancaradas, ansiedade total. Parece que n\u00e3o h\u00e1 tempo para mais nada. Aproveitar ao m\u00e1ximo \u00e9 a lei. Depois de nos livrarmos do Apocalipse de Nostradamus (ningu\u00e9m fala mais no sujeito) na virada do mil\u00eanio (palavra que deu para bola) agora vem o apocalipse maia em 2012. O fim dos tempos deixa todo mundo desarmado diante do que realmente est\u00e3o fazendo:transformam cidad\u00e3os em pessoas medrosas,enraivecidas, prepotentes.<\/p>\n<p>Amor h\u00e1, mas pouco se manifesta. \u00c9 preciso inverter a balan\u00e7a sinistra e deixar que o prato do amor tenha mais presen\u00e7a. Sen\u00e3o nos devoraremos todos em churrascos ruidosos dos \u00faltimos fins-de-semana.<\/p>\n<p>N.B.: Bastou escrever o texto pesado acima para fazer uma bela tarde de sol e descobrir o \u00f3bvio: o mar \u00e9 sempre maior e na praia tem muita gente tranquila. Mudamos de humor e de sintonias conforme a terra vai reagindo a tanta atgress\u00e3o. Nada como o ver\u00e3o em sua forma cl\u00e1ssica para inverter os pap\u00e9is: o pessimismo some diante do crep\u00fasculo, pontuado pelas ondas e o cantinho de areia inventado pela montanha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Algu\u00e9m me adiciona no Twitter. 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