{"id":1980,"date":"2010-02-10T19:04:11","date_gmt":"2010-02-10T21:04:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=1980"},"modified":"2010-02-10T19:04:11","modified_gmt":"2010-02-10T21:04:11","slug":"guerras-opostas-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/guerras-opostas-no-cinema","title":{"rendered":"GUERRAS OPOSTAS NO CINEMA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois tipos de guerra no cinema. Uma, dos filmes sobre batalhas entre na\u00e7\u00f5es nos grandes conflitos mundiais, que podem ser, eventualmente (normalmente s\u00e3o) financiados por governos. E a outra, dos lan\u00e7amentos cacifados pela CIA, FBI ou For\u00e7as Armadas americanas, em que agentes com licen\u00e7a para matar acabam com a vida de imigrante mafiosos, \u00e1rabes mal intencionados e toda esp\u00e9cie de povo do terceiro mundo. S\u00e3o duas guerras opostas. A primeira procura ter um p\u00e9 na Hist\u00f3ria, mas n\u00e3o abre m\u00e3o do espet\u00e1culo (e portanto, das manipula\u00e7\u00f5es). Mas \u00e9 muito melhor do que o outro tipo, puro blockbuster, que serve para anestesiar e fazer a cabe\u00e7a da opini\u00e3o p\u00fablica, inoculando o \u00f3dio a tudo o que n\u00e3o for americano.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira esp\u00e9cie pertencem os considerados cl\u00e1ssicos, como O Mais longo dos dias, e os contempor\u00e2neos, como O resgate do soldado Ryan, ambos a favor (ou seja, viva a guerra e seus resultados positivos, apesar dos sofrimentos). Tamb\u00e9m fazem parte os filmes de den\u00fancia como os antigos Gloria feita de sangue, ou o nem tanto Nascido para matar, ambos de Stanley Kubrick, que desmascaram a guerra como jogo comercial entre pot\u00eancias, devorando a inoc\u00eancia \u00fatil de quem \u00e9 convocado pelo patriotismo. H\u00e1 tamb\u00e9m filmes contempor\u00e2neos admir\u00e1veis como C\u00edrculo de fogo, sobre a batalha de Stalingrado, ou a Batalha de Passchendaele, sobre o envolvimento canadense na primeira guerra mundial.<\/p>\n<p>Filmes sobre agentes da Cia transformados em her\u00f3is s\u00e3o feitos por pilantras como Ridley Scott, diretor de Body of Lies, em Leonardo de Capri detona no Oriente M\u00e9dio mas, obviamente, come uma nativa; e Luc Besson, roteirista de Taken, Busca Implac\u00e1vel, em que Liam Neeson, matador profissional que trabalhava para o governo americano resgata a filha sequestrada por horrorosos albaneses, franceses corruptos e decadentes sheiks milion\u00e1rios ped\u00f3filos. Quero comentar aqui o filme canadense e este \u00faltimo citado, dirigido por um franc\u00eas, Pierre Morel.<\/p>\n<p>Vi parte do making of de Busca Implac\u00e1vel e fiquei, como sempre impressionado com a cara de pau nas entrevistas. Como se n\u00e3o houvesse link com a guerra anti-terror sem escr\u00fapulos, em que vale torturar, matar, tudo em nome da seguran\u00e7a das fam\u00edlias americanas. Os franceses nesse filme, na dire\u00e7\u00e3o e no roteiro, s\u00e3o coniventes com a campanha de cal\u00fanias contra a Fran\u00e7a desde a Era Bush, quando houve a recusa de invadir o Iraque. O filme \u00e9 competente na a\u00e7\u00e3o, prende a aten\u00e7\u00e3o, mas repassa todo tipo de recado perverso. A garota chegando inc\u00f3lume (virgem!) em Los Angeles (home) \u00e9 mortal.<\/p>\n<p>O truque \u00e9 apresentar o assassino como um homem correto a servi\u00e7o do Imp\u00e9rio e que foi abandonado pela fam\u00edlia. Assim, toda a aten\u00e7\u00e3o se concentra nele, s\u00f3 e abandonado, querendo se aproximar da filha, que est\u00e1 nas garras de um padrasto escroque. Um canalha que vive de grandes negociatas internacionais, exatamente o contr\u00e1rio do asceta guerreiro, treinado para quebrar o pesco\u00e7o de quem se aproximar. \u00c9 de vomitar.<\/p>\n<p>O filme de guerra canadense \u00e9 emocionante. Acho um desplante que at\u00e9 o Canad\u00e1 fa\u00e7a filme de guerra enquanto n\u00f3s desconhecemos nossa participa\u00e7\u00e3o nos conflitos mundiais, achando que n\u00e3o passamos de uns bananas que jamais lutaram. Lutamos como c\u00e3es raivosos por s\u00e9culos, conquistando cada palmo do territ\u00f3rio, por gera\u00e7\u00f5es. Lutamos na Europa contra o nazi-fascismo e l\u00e1 deixamos enterrada parte da juventude brasileira dos anos 40. O povo inteiro lutou para ter um lugar onde sobreviver. Nem \u00e9 preciso fazer filme a favor da guerra, n\u00e3o \u00e9 isso. Mas entender a grandeza da participa\u00e7\u00e3o na luta, que apesar de todos os equ\u00edvocos permanece com epis\u00f3dios exemplares.<\/p>\n<p>A Batalha de Passchendaele \u00e9 um filme pacifista. Denuncia a sacanagem dos brit\u00e2nicos e celebra o hero\u00edsmo do major que voltou para o front de uma guerra in\u00fatil em nome do amor. For\u00e7ado, claro, mas bonito demais. Filme bom de ver. Longe das armadilhas ideol\u00f3gicas dos americanos sacanas que tentam nos seduzir com suas mega-produ\u00e7\u00f5es, onde n\u00f3s, dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, fazemos o papel de macacos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s H\u00e1 dois tipos de guerra no cinema. Uma, dos filmes sobre batalhas entre na\u00e7\u00f5es nos grandes conflitos mundiais, que podem ser, eventualmente (normalmente s\u00e3o) financiados por governos. 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