{"id":2096,"date":"2010-05-17T22:11:18","date_gmt":"2010-05-18T01:11:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2096"},"modified":"2010-05-17T22:11:18","modified_gmt":"2010-05-18T01:11:18","slug":"lugar-certo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/lugar-certo","title":{"rendered":"LUGAR CERTO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nH\u00e1 elementos de cr\u00f4nica na reportagem que reivindica o perfil de \u201chumana\u201d. \u00c9 quando o in\u00edcio do texto tenta seduzir o leitor para o conforto de uma situa\u00e7\u00e3o reconhec\u00edvel, preparando-o para algo mais intenso a seguir. Na economia, especialistas gostam de citar um trecho liter\u00e1rio, com perfil de cr\u00f4nica, para dourar a p\u00edlula amarga de um tema como juros. E na pol\u00edtica, o elemento pontual, t\u00edpico dos cronistas, usado na abertura de um discurso, \u00e9 um ant\u00eddoto para a desaten\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia.<\/p>\n<p>Como todos se servem dela, \u00e9 inevit\u00e1vel que a cr\u00f4nica tamb\u00e9m se sinta no direito de trafegar por outros g\u00eaneros. Como cair na tenta\u00e7\u00e3o do mini-ensaio liter\u00e1rio, da resenha de filmes ou do artigo de fundo, quando ao espa\u00e7o dado compete apenas a presen\u00e7a desse g\u00eanero t\u00e3o consolidado, mas assim mesmo t\u00e3o propenso a equ\u00edvocos.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que existem limites bem definidos para a cr\u00f4nica, apesar dos recursos emergentes como o hipertexto ou as bossas da p\u00f3s modernidade, \u00e0 vontade nas desconstru\u00e7\u00f5es de vanguarda. Fugir desses par\u00e2metros pode at\u00e9 dar melhores resultados, mas acaba caindo na vala comum dos \u201cescritos\u201d, se for cometido o erro de aspirar ao mesmo status daquilo que se tenta superar. Felizmente, a desmoraliza\u00e7\u00e3o dos conceitos, que pegou fundo no imagin\u00e1rio geral e pretende causar impactos passageiros com sacadas espertas, nada pode contra a cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 f\u00e1cil de conceituar. \u00c9 tudo (ou quase tudo) aquilo o que Rubem Braga fez e pertence a uma linhagem costurada por Machado de Assis e Olavo Bilac nas respectivas milit\u00e2ncias na imprensa, incrementada por presen\u00e7as poderosas, como a de Carlos Drummond de Andrade. Os mestres ensinam, \u00e9 bom que se diga nesta \u00e9poca de ilus\u00e3o, quando se acredita que a sabedoria brota como cogumelo do ventre das tecnologias.<\/p>\n<p>Esse v\u00edcio medra na febre de palavras recorrentes, como \u201cferramentas\u201d. Como se o mundo virtual, por n\u00e3o fazer barulho, adotasse o perfil de uma serralheria. Pois n\u00e3o h\u00e1 martelo soft, ma\u00e7arico de bytes nem torqu\u00eas de laser que tire a cr\u00f4nica do seu lugar certo. Ela come\u00e7a suave e termina num sopro. Quando se entrega a bobagens, permanece fiel at\u00e9 o fim. N\u00e3o cria armadilhas para tomar o poder. Isso ela deixa para a poesia e o romance, que gostam de tambores e clarins. Prefere alimentar os pombos, num outono qualquer, l\u00e1 onde deveria haver uma pra\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 4 de maio de 2010, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s H\u00e1 elementos de cr\u00f4nica na reportagem que reivindica o perfil de \u201chumana\u201d. \u00c9 quando o in\u00edcio do texto tenta seduzir o leitor para o conforto de uma situa\u00e7\u00e3o reconhec\u00edvel, preparando-o para algo mais intenso a seguir. 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