{"id":2098,"date":"2010-05-17T22:13:39","date_gmt":"2010-05-18T01:13:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2098"},"modified":"2010-05-17T22:13:39","modified_gmt":"2010-05-18T01:13:39","slug":"ascensao-e-queda-em-tres-filmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/ascensao-e-queda-em-tres-filmes","title":{"rendered":"ASCENS\u00c3O E QUEDA EM TR\u00caS FILMES"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O tocador de violoncelo que virou morador de rua em Los Angeles depois de ter estudado em escola de m\u00fasica para milion\u00e1rios em Nova York; o estudante de F\u00edsica que tentou ser criativo e independente no seu doutorado na Am\u00e9rica; a \u00f3rf\u00e3 do interior da Fran\u00e7a que for\u00e7ou a presen\u00e7a no castelo do amante e acabou virando uma grande estilista: tr\u00eas personagens da loteria social est\u00e3o nos filmes <strong>O Solista, A Mat\u00e9ria Escura<\/strong> (traduzido no Brasil para n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea da Honra) e<strong> Coco Antes de Chanel<\/strong>. S\u00e3o filmes amargos, um pouco diferentes do oba-oba costumeiro, talvez pela presen\u00e7a de criadores importantes envolvidos nos projetos.<\/p>\n<p><em>O Solista<\/em>, de Joe Wright, tem esse monstro que \u00e9 Robert Downey Jr. no papel do jornalista do Los Angeles Times. Downey Jr. deslumbra seu colega de cena Jamie Foxx, int\u00e9rprete do instrumentista ca\u00eddo em desgra\u00e7a devido \u00e0 esquizofrenia. \u201cAponto o que ele faz para depois imitar\u201d, diz Foxx. Os dois personagens s\u00e3o baseados em pessoas reais e a hist\u00f3ria realmente aconteceu. O colunista famoso encontra o m\u00fasico com um violino de duas cordas e come\u00e7a a fazer uma s\u00e9rie de reportagens sobre ele. De novo a invej\u00e1vel performance do jornalismo americano, em que o profissional do teclado tem liberdade para pautar e tempo para reportar.<br \/>\n<em><br \/>\nA Mat\u00e9ria Escura<\/em>, de Shi-Zheng Chen, tem Merryl Strip no papel da bondosa senhora interessada na China que v\u00ea a derrocada do brilhante aluno que desafiou o mestre. Tamb\u00e9m baseado em fatos reais, o filme faz um recorte de uma situa\u00e7\u00e3o recorrente nas universidades em todo o mundo. O orientador quer que o aluno siga seus passos, pois a carreira dele, orientador, \u00e9 toda baseada na sua tese bem sucedida. O aluno apenas tem condi\u00e7\u00f5es de imita-lo e fazer algum adendo, mas jamais partir para uma outra coisa. Se tentar, dan\u00e7a.<\/p>\n<p>O assassinato dos talentos na academia acaba normalmente na frustra\u00e7\u00e3o, mas no filme o desfecho \u00e9 tr\u00e1gico, com tios para todo lado. O talentoso f\u00edsico que descobre algo improtante sobre a estrutura do universo n\u00e3o se conforme em ver um colega med\u00edocre e puxa-saco levar toda a fama enquanto ele amarga o ex\u00edlio e a mis\u00e9ria, ale\u00b4m da vergonha de decepcionar o pais, quie esperam tudo dele. Essa rela\u00e7\u00e3o respeitosa de jovem com veterano, que existe em tese na cultura chinesa, n\u00e3o d\u00b4pa certo nos Estados Unidos, onde h\u00e1 ruptura. O professor doutor n\u00e3o admite v\u00f4o solo do seu orientando, ainda mais sendo asi\u00e1tico!<\/p>\n<p>No filme sobre os primeiros anos de <em>Coco Chanel<\/em>, de Anne Fontaine, h\u00e1 a brilhante interpeta\u00e7\u00e3o de Audrey Tautou, que incorpora a artista pobre, andr\u00f3gina e ousada, que liberou a roupa da mulher vitoriana eliminando o espartilho e inventando o pretinho b\u00e1sico, entre outras inova\u00e7\u00f5es. Fui ver a cr\u00edtica e l\u00e1 est\u00e1 a hsistoriadora brasileira dizendo que Coco colaborou com os nazistas na Segunda Guerra, pois morava no Ritz e tinha um amante capit\u00e3o da SS. E que se aproveitou da invas\u00e3o alem\u00e3 para trair seus s\u00f3cios judeus. \u00c9 muita baixaria, que nem chega perto do filme, restrito \u00e0 inf\u00e2ncia e juventude da grande artista. Gostaria de saber onde estava a historiadora nos anos de chumbo. Naturalmente numa montanha nevada carregando rifles e metralhadoras. E n\u00e3o sobrevivendo no meio da barb\u00e1rie, como todo mundo, naturalmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de justificar o colaboracionismo, mas enxergar melhor a personagem, que for\u00e7ou sua ado\u00e7\u00e3o pela elite virando cortes\u00e3 de um castel\u00e3o. E que na \u00e9poca da ocupa\u00e7\u00e3o convive com o invasor, como todos os franceses. H\u00e1 hist\u00f3rias sinistras sobre ela, mas pol\u00eamicas. O fato \u00e9 que no Brasil sempre tem uma voz levantando o dedinho para accusar algu\u00e9m de traidor, reacion\u00e1rio e nazista, seja quem for. S\u00e3o todos vestais ideol\u00f3gicos. Vimos onde isso foi parar, com os ide\u00f3logos se atirando nos cargos e se locupletando nos d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Tr\u00eas filmes que tratam da sobreviv\u00eancia de pessoas talentosas, que experimentam a ascens\u00e3o e a queda. Sem happy-end tradicional, mas com finais prec\u00e1rios, ou seja, o esquizofr\u00eanico n\u00e3o se cura, o estudante atira para matar e a estilista faz sucesso, mas \u00e0 custa de muito sofrimento. Filmes bons, n\u00e3o excepcionais. Interessantes na abordagem de um tema caro aos dias de hoje, quando tantos talentos submergem na obscuridade, devido \u00e0 onipot\u00eancia e \u00e0 onipresen\u00e7a da mediocridade em armas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O tocador de violoncelo que virou morador de rua em Los Angeles depois de ter estudado em escola de m\u00fasica para milion\u00e1rios em Nova York; o estudante de F\u00edsica que tentou ser criativo e independente no seu doutorado na Am\u00e9rica; a \u00f3rf\u00e3 do interior da Fran\u00e7a que for\u00e7ou a presen\u00e7a no castelo do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2098"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2098"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2098\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2099,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2098\/revisions\/2099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}