{"id":2135,"date":"2010-06-17T18:16:41","date_gmt":"2010-06-17T21:16:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2135"},"modified":"2010-06-17T18:16:41","modified_gmt":"2010-06-17T21:16:41","slug":"quadrados-ao-cubo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/quadrados-ao-cubo","title":{"rendered":"QUADRADOS AO CUBO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>No imp\u00e9rio da bola em que se transformou o mundo nesta Copa, prefiro abordar algo oposto. Seis quadrados formam um cubo. \u00c9 mais simp\u00e1tico e t\u00e9cnico, embora menos po\u00e9tico. Ningu\u00e9m vai dizer, parafraseando o narrador esportivo Fiori Gigliotti, \u201cl\u00e1 vai o quadrado branco rolando num c\u00e9u de grama\u201d. Fica bizarro.<\/p>\n<p>Sabemos os benef\u00edcios provocados pelo cubismo, um movimento copiado por Picasso a partir de uma obra de Georges Braque. Picasso chupou a arte africana para fazer Demoiselles D\u00b4Avignon e dizia que o g\u00eanio copia (cito de mem\u00f3ria, que \u00e9 a verdadeira cita\u00e7\u00e3o; a cita\u00e7\u00e3o ipsis litteris \u00e9 pl\u00e1gio). Com o cubismo o mundo se livrou das formas redondas vindas dos cl\u00e1ssicos e do Renascimento. A circunfer\u00eancia j\u00e1 tinha praticamente se dilu\u00eddo com os impressionistas, quando Van Gogh flagrou o momento em que ela se esfumava no c\u00e9u noturno ou enlouquecia na forma de girass\u00f3is. A humanidade descobriu que a arte era um conjunto de pontos e linhas e n\u00e3o uma pe\u00e7a de toucador que refletia as poses da madame diante da pr\u00f3pria imagem.<\/p>\n<p>Curiosamente, a rea\u00e7\u00e3o a tudo o que \u00e9 quadrado, e portanto, transgressor, na cultura veio exatamente de quem se situava na vanguarda. Nos anos 1960, a secura, as pontas, a rigidez dos c\u00e2nones foram novamente implodidas pela curvatura da rebeli\u00e3o de massa, instrumentada por can\u00e7\u00f5es insurgentes e livros radicais , como \u201cA Sociedade do Espet\u00e1culo\u201d, de Guy Debord, ou \u201cN\u00f3s estamos por toda parte\u201d, de Jerry Rubin. Quem n\u00e3o compactuava com os novos tempos era jogado na vala comum dos \u201cquadrados\u201d.<\/p>\n<p>Rubin mais tarde se transformou num bem sucedido investidor em Wall Street, enquanto Debord acabou sumindo e morrendo em seu brilhante radicalismo. O tempo tudo lava e rep\u00f5e ciclicamente as formas geom\u00e9tricas do comportamento e do saber. Nada escapa dessa quadratura do c\u00edrculo. At\u00e9 mesmo o futebol, t\u00e3o redondo em suas certezas. Tirando camisas, torcidas, urros e cornetas, vemos que o futebol \u00e9 uma arte de encaixes, em que uma esfera precisa ser colocada dentro de um ret\u00e2ngulo para haver pontos. Pensando bem, a pequena \u00e1rea, um espa\u00e7o retangular, \u00e9 apenas a sombra projetada pela bola sobre o arco, isso se a jabulani for considerada uma esp\u00e9cie de sol africano.<\/p>\n<p>Como disse, n\u00e3o h\u00e1 como escapar desse assunto, por mais voltas que o mundo d\u00ea.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 8 de junho de 2010, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s No imp\u00e9rio da bola em que se transformou o mundo nesta Copa, prefiro abordar algo oposto. Seis quadrados formam um cubo. \u00c9 mais simp\u00e1tico e t\u00e9cnico, embora menos po\u00e9tico. Ningu\u00e9m vai dizer, parafraseando o narrador esportivo Fiori Gigliotti, \u201cl\u00e1 vai o quadrado branco rolando num c\u00e9u de grama\u201d. Fica bizarro. 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