{"id":2382,"date":"2010-11-07T12:58:56","date_gmt":"2010-11-07T14:58:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2382"},"modified":"2011-07-30T11:05:52","modified_gmt":"2011-07-30T14:05:52","slug":"a-igreja-e-a-revolucao-de-1924-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/a-igreja-e-a-revolucao-de-1924-2","title":{"rendered":"A IGREJA E A REVOLU\u00c7\u00c3O DE 1924"},"content":{"rendered":"<p><strong>NEI DUCL\u00d3S<\/strong><\/p>\n<p>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>(COM UM ADITIVO METODOL\u00d3GICO)<\/p>\n<p>Invocando Max Weber e seu instrumento revelador &#8211; a constru\u00e7\u00e3o de um tipo ideal &#8211; vamos tentar criar um &#8220;quadro de pensamento que re\u00fane determinadas rela\u00e7\u00f5es e acontecimentos da vida hist\u00f3rica para formar um cosmos n\u00e3o contradit\u00f3rio de rela\u00e7\u00f5es pensadas&#8221;. Essa constru\u00e7\u00e3o, adverte Weber, reveste-se do car\u00e1ter de uma utopia, obtida mediante a acentua\u00e7\u00e3o mental de determinados elementos da realidade. &#8220;Sua rela\u00e7\u00e3o com os fatos empiricamente dados consiste no seguinte: onde quer que se comprove ou suspeite de que determinadas rela\u00e7\u00f5es chegaram a atuar em algum grau sobre a realidade, podemos representar e tornar compreens\u00edvel pragmaticamente a natureza partidular dessas rela\u00e7\u00f5es mediante um tipo ideal.&#8221;<\/p>\n<p>Isto posto, podemos for\u00e7ar um pouco m\u00e3o da nossa an\u00e1lise para afirmar o seguinte: com a atua\u00e7\u00e3o, nos anos 20, do pensador cat\u00f3lico Jackson de Figueiredo &#8211; que entrou para essa milit\u00e2ncia por influ\u00eancia do D. Sebasti\u00e3o Leme, na \u00e9poca arcebispo de Olinda &#8211; a autocompreens\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica do Brasil tomou um novo rumo. Ela parou de pregar a ilegitimidade da Rep\u00fablica, que tinha promovido a ruptura entre Igreja e Estado e come\u00e7ou a levantar a possibilidade de se aproximar das institui\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito de restaura\u00e7\u00e3o da monarquia deu lugar a uma t\u00edmida, mas ascendente participa\u00e7\u00e3o da Igreja na vida oficial da Rep\u00fablica, sen\u00e3o diretamente, pelo menos por meio de seus pr\u00f3ceres, como foi o caso de Jackson Figueiredo, que assumiu cargos importantes especialmente na presid\u00eancia de Arthur Bernardes (1922-1926). \u25a0<\/p>\n<p>O quanto essa mudan\u00e7a de rumo tem mais a ver com a realidade da Igreja na Capital Federal e no Nordeste, e menos com a realidade paulista &#8211; que \u00e9 que mais nos interessa diretamente &#8211; \u00e9 um detalhe que poderia, numa pesquisa mais aprofundada, deitar por terra nossa armadilha conceituai. Mas podemos argumentar que a Igreja Cat\u00f3lica sempre teve, em menor ou maior grau, um perfil \u00fanico, especialmente depois da reforma ultramontana da segunda metade do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Pode-se argumentar que, de fato, a Igreja nunca se afastou do poder. Mas pelo menos \u00e9 consenso de que as rela\u00e7\u00f5es entre Igreja e Estado n\u00e3o eram a mesmas da \u00e9poca da monarquia e o fato de os sacerdotes n\u00e3o serem mais funcion\u00e1rios p\u00fablicos faz com que essa reaproxima\u00e7\u00e3o realmente tenha sido um fato relevante nos anos 20.<\/p>\n<p>2. BOMBAS NA ESTRADA DE DAMASCO&#8217;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ent\u00e3o encarar a Igreja Cat\u00f3lica em S\u00e3o Paulo como uma parte da institui\u00e7\u00e3o que, como no resto do Brasil, procurava se aproximar dos poderes da Rep\u00fablica, vista ent\u00e3o como fato consumado, depois de mais de 30 anos de exist\u00eancia. A especificidade da realidade paulista \u00e9 que havia, paralelamente a uma elite pol\u00edtica, uma forte e emergente elite comercial e industrial que nem sempre se confundia com os respons\u00e1veis pelo exerc\u00edcio do poder p\u00fablico. O livro &#8220;Justi\u00e7a&#8221;, de Jos\u00e9 Carlos de Macedo Soares, \u00e9 solenemente claro sobre essa diferen\u00e7a, que ficou ainda mais profunda ap\u00f3s os eventos de julho de 1924.<\/p>\n<p>Antes de continuar nossa an\u00e1lise, \u00e9 importante fazer um r\u00e1pido balan\u00e7o emp\u00edrico sobre a chamada Revolu\u00e7\u00e3o de 1924. Foi uma tentativa de tomada de poder de uma parte da oficialidade das For\u00e7as Armadas que redundou num fracasso. A cidade de S\u00e3o Paulo foi tomada pelos revolucion\u00e1rios, mas sitiada e bombardeada pelo governo estadual e federal durante 20 dias. Dos 700 mil habitantes, 300 mil pessoas fugiram de todas as formas: em trens de carga, de autom\u00f3vel, a p\u00e9. Centenas e centenas de mortos enterrados em valas comuns, nos terrenos baldios ou nos quintais eram o espet\u00e1culo mais expl\u00edcito de uma realidade: a de que havia extrema incompatibilidade entre o governo federal e estadual e a elite comercial e industrial paulistana, j\u00e1 que o bombardeio (a maior parte foram de alvos civis, como f\u00e1bricas, bairros oper\u00e1rios, hospitais e igrejas) foi a macabra op\u00e7\u00e3o de um poder que se viu amea\u00e7ado e encarou como trai\u00e7\u00e3o o fato de a elite comercial e industrial paulista tentar salvar o pr\u00f3prio patrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>\u00c9 isso o que nos interessa para a nossa an\u00e1lise. No momento em que a Igreja procura canais de sintonia com as autoridades, viu-se, de repente, entre dois senhores: entre os que bombardeavam (as autoridades legais) e os que eram bombardeados( os donos de f\u00e1bricas e armaz\u00e9ns e autoridades de fato da cidade sitiada &#8211; prefeito, revoltosos, empres\u00e1rios, mocidade engajada na seguran\u00e7a p\u00fablica). De que lado ficar? A Igreja Cat\u00f3lica teve um papel d\u00fabio: acompanhou as a\u00e7\u00f5es da elite para preservar o patrim\u00f3nio privado e p\u00fablico da cidade e ao mesmo tempo adotou a argumenta\u00e7\u00e3o de ilegitimidade da revolu\u00e7\u00e3o dos militares sediciosos.<\/p>\n<p>Vamos descer a alguns detalhes tomando tr\u00eas casos exemplares como refer\u00eancia: a Igreja da Penha, a Igreja da Consola\u00e7\u00e3o e o Lyceu Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Permeando esses exemplos, vamos destacar as figuras de: D. Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de S\u00e3o Paulo, Fernando Bastos, p\u00e1roco da Consola\u00e7\u00e3o, padre Luiz Marc\u00edcaglia, Inspetor do Liceu Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e padre Ant\u00e3o Jorge Heckenbleinchner, da Igreja da Penha.<\/p>\n<p>3. O EX-QUASE CARDEAL<\/p>\n<p>Antes, vamos reproduzir o documento do arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva, divulgado no dia 12\/julho\/1924, dois dias depois do in\u00edcio dos bombardeios e uma semana depois do in\u00edcio da revolta. Esse documento define a posi\u00e7\u00e3o da Igreja durante aquelas f\u00e9rias de julho e foi fatal para que D. Duarte caisse em desgra\u00e7a perante os governos estadual e federal. Sabe-se que, por adotar uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e sintonizada com as provid\u00eancias que a elite tomou para garantir o patrim\u00f3nio da cidade, D. Duarte perdeu a chance de virar cardeal. Seus inimigos foram at\u00e9 a Santa S\u00e9 para argumentar contra sua nomea\u00e7\u00e3o. Eis o documento:<\/p>\n<p><em>&#8220;Aos cat\u00f3licos em geral:<\/em><\/p>\n<p><em>Na situa\u00e7\u00e3o angustiosa em que se encontra a popula\u00e7\u00e3o da capital, obrigada a cont\u00ednuos e imprevistos deslocamentos, s\u00e3o in\u00fameras as pessoas, sobretudo velhos, mulheres e crian\u00e7as, que se acham desprovidos de abrigo e alimenta\u00e7\u00e3o. Nessa dura emerg\u00eancia, aconselhamos ao revmo. clero, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es religiosas e aos nossos car\u00edssimos diocesanos em geral a pr\u00e1tica da caridade para com os necessitados, sem distin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cie alguma, consoante a exig\u00eancia e conforme as circunst\u00e2ncias. \u00c9 dif\u00edcil tra\u00e7ar regras especiais para cada um dos oper\u00e1rios do Bem, pelo que estaremos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quantos precisarem do nosso minist\u00e9rio, dire\u00e7\u00e3o ou conselho, recebendo a todos indistintamente. Como quer que seja, parece conveniente que, desde j\u00e1, se abram aos desabrigados os edif\u00edcios mais vastos quaisquer que sejam, inclusive as igrejas, se tal for necess\u00e1rio. As pessoas bem intencionadas, com prud\u00eancia e crit\u00e9rio, poder\u00e3o evitar depreda\u00e7\u00f5es sempre reprov\u00e1veis, bem como obstar que a popula\u00e7\u00e3o seja explorada e desfalcada no que respeita ao necess\u00e1rio para a vida. Os revmos. Sacerdotes dir\u00e3o na missa a ora\u00e7\u00e3o Pro-Pace, e poder\u00e3o usar de todas as faculdades que lhes forem necess\u00e1rias no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio e da caridade crist\u00e3, com exce\u00e7\u00e3o apenas dos que se requerem jurisdi\u00e7\u00e3o especial. Confiamos na miseric\u00f3rdia de Deus, intercedemos todos pela breve e completa restabelecimento da paz entre n\u00f3s, multiplicando as nossas preces e fervorosas ora\u00e7\u00f5es. <\/em>&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Macedo Soares, D. Duarte fez visitas a bairros atingidos pelo bombardeio, transportou gente no seu autom\u00f3vel particular para al\u00e9m das linhas militares, transformou as igrejas em abrigos populares, cedeu escolas e casas paroquiais para pr\u00e1ticas hospitalares e instituiu comidas publicas para alimentar os retirantes.<\/p>\n<p>4. IGREJA DA CONSOLA\u00c7\u00c3O: ENTRE A DUPLICATA E O ABRIGO<\/p>\n<p>Uma das casas paroquiais que virou abrigo foi o da Igreja da Consola\u00e7\u00e3o. Essa par\u00f3quia, que estava a cargo do jovem c\u00f3nego Francisco Bastos, merece uma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 parte. Bastos era um brilhante aluno de teologia formado em Roma, que num primeiro instante foi convocado para servir a pequena capela do bairro dos oper\u00e1rios da f\u00e1brica do industrial Jorge Street. Bastos conseguiu romper o bloqueio dos l\u00edderes anarquistas por meio do futebol. Isso quebrou o gelo com os oper\u00e1rios e fez com que ele promovesse algumas tert\u00falias para discutir religi\u00e3o e pol\u00edtica. N\u00e3o foi bem visto pelo industrial e foi logo removido por D. Duarte para uma dura miss\u00e3o: assumir a Consola\u00e7\u00e3o, que estava enterrada em d\u00edvidas.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel anterior tinha levantado duplicatas para poder reconstruir a velha igreja da Consola\u00e7\u00e3o. Endividou-se e acabou renunciando ao cargo. O dinheiro era manobrado por especuladores que conseguiam dinheiro da popula\u00e7\u00e3o, entre velhos e vi\u00favas. Macedo Soares veio em socorro do padre,<\/p>\n<p>numa jogada imobili\u00e1ria: um vasto terreno de Cerqueira C\u00e9sar tinha sido doado pelo pai do escritor Oswald de Andrade para a par\u00f3quia, que n\u00e3o conseguia assumi-lo porque precisava pagar uma d\u00edvida referente ao im\u00f3vel. Macedo Soares pagou essa d\u00edvida, loteou o terreno e trocou partes da terra pelas duplicatas vencidas.<\/p>\n<p>Veja-se a\u00ed um exemplo das liga\u00e7\u00f5es profundas entre Igreja Cat\u00f3lica em S\u00e3o Paulo e a elite comercial e industrial de S\u00e3o Paulo. Na hora em que esta resolveu ficar na cidade e salvar as f\u00e1rbricas e armaz\u00e9ns das bombas e dos saques da popula\u00e7\u00e3o, a Igreja veio em seu socorro.<\/p>\n<p>5. PENHA: UM P\u00d3RTICO PARA OS CANH\u00d5ES<\/p>\n<p>Hoje a velha Igreja da Penha est\u00e1 cercada de edif\u00edcios. Em 1924 ela estava &#8220;a cavaleiro&#8221; da cidade e foi um dos pontos escolhidos para o governo (por meio das tropas do general Eduardo S\u00f3crates) colocar pe\u00e7as de artilharia para bombardear a cidade. O objetivo dos agressores era disseminar o p\u00e2nico na cidade para for\u00e7ar a migra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e a rendi\u00e7\u00e3o dos revoltosos Padre Ant\u00e3o Jorge Heckenbleinchner, seguindo as recomenda\u00e7\u00f5es de D. Duarte, buscava alimentos para os retirantes, atravessava lugares perigosos e in\u00fameras vezes foi preso. Conseguia ser solto invocando sua posi\u00e7\u00e3o de sacerdote. Por diversas vezes, Padre Ant\u00e3o tentou ser mediador entre os chefes do movimento. Na prega\u00e7\u00e3o de padre Ant\u00e3o e outros padres redentoristas, a revolu\u00e7\u00e3o de 1924 era uma esp\u00e9cie de advert\u00eancia do Senhor. Segundo Hedemir Linguitte, &#8220;nas revolu\u00e7\u00f5es de 1924 e 1930, os padres redentoristas conclamavam o povo, n\u00e3o para o desespero e o desalento, mas para que, aos p\u00e9s de Nossa Senhora, implorasse o perd\u00e3o das faltas e<\/p>\n<p>miseric\u00f3rdia para todos os paulistas.&#8221; A popula\u00e7\u00e3o, naquela \u00e9poca, vinha sendo seduzida pelo canto de sereia do anarquismo e das greves.<\/p>\n<p>6. BOMBAS NO LICEU<\/p>\n<p>O Liceu Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, nos Campos El\u00edsios, foi um dos primeiros pr\u00e9dios a sofrer com a revolu\u00e7\u00e3o. O Padre Marcicaglia, inspetor da institui\u00e7\u00e3o, atribuiu as bombas aos revoltosos e ao longo de todo o livro &#8220;F\u00e9rias de Julho&#8221; em que historia os acontecimentos, ele se coloca numa posi\u00e7\u00e3o conservadora, contra a revolu\u00e7\u00e3o e o povo que promovia os saques. A legenda de uma foto de um pai de fam\u00edlia negro, com suas crian\u00e7as, co\u00e7ando a cabe\u00e7a diante do peso do saque, depositado no ch\u00e3o diz o seguinte: &#8220;Depois do saque, a sa\u00fava negra, embara\u00e7ada co\u00e7a a cabe\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio mais importante narrado pelo autor \u00e9 o da grande manifesta\u00e7\u00e3o dos alunos do col\u00e9gio logo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o. Num evento que contou com a presen\u00e7a de autoridades locais, entre as quais o governador Carlos de Campos, foi reafirmada, depois de desfile dos alunos uniformizados, a import\u00e2ncia da legalidade.<\/p>\n<p>7. CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>A partir de um tipo ideal &#8211; a reaproxima\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica com o Estado, em todo o Brasil, nos anos 20 &#8211; analisamos a participa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica num momento de ruptura pol\u00edtica entre as elites. A Igreja teve uma postura de apoio \u00e0 elite paulistana e de moment\u00e2neo confronto com as autoridades<\/p>\n<p>estaduais e federais constitu\u00eddas. Mas essa ruptura, apesar das sequelas, foi restaurada logo ap\u00f3s o fim dos conflitos na capital, j\u00e1 que a posi\u00e7\u00e3o do clero era claramente legalista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, a li\u00e7\u00e3o do bombardeio serviu para que a elite emergente pusesse as barbas de molho. N\u00e3o \u00e9 por nada que o Centro das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 fundado em 1928, nessa fase entre 1924 e a revolu\u00e7\u00e3o de 30, em que S\u00e3o Paulo teve que se reciclar para impor-se diante de outros poderes mais fortes.<\/p>\n<p>A Igreja continuou na sua postura conservadora, de reaproxima\u00e7\u00e3o com os poderes da Rep\u00fablica, mas s\u00f3 acabou reassumindo sua import\u00e2ncia com o regime p\u00e1os 1930, que restabeleceu as liga\u00e7\u00f5es da Igreja com o Estado. N\u00e3o apor acaso, a grande figura da Igreja logo depois de 30 \u00e9 exatamente o Cardeal D. Sebasti\u00e3o Leme, o homem que acompanhou o presidente Washington Lu\u00eds na sua \u00faltima viagem para o ex\u00edlio.<\/p>\n<p>8. BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>Francisco Bastos, Monsenhor &#8211; REMINISC\u00caNCIAS DE UM P\u00c1ROCO DE CIDADE &#8211; &#8211; 192 p\u00e1ginas, Edi\u00e7\u00f5es Paulinas, SP., 1973<\/p>\n<p>Hedemir Linguitte &#8211; SANTU\u00c1RIO DE NOSSA SENHORA DA PENHA -SUA HIST\u00d3RIA, SEUS SACERDOTES, SUA GENTE -, 168 p\u00e1ginas, SP, 1989.<\/p>\n<p>Luiz Marcicaglia, Padre &#8211; F\u00c9RIAS DE JULHO &#8211; ASPECTOS DA REVOLU\u00c7\u00c3O MILITAR DE 1924 AO REDOR DO LYCEU SALESIANO DE S\u00c3O PAULO- -1927, II Edi\u00e7\u00e3o, Escolas Profissionais do Lyceu Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, 257 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Paim, Ant\u00f3nio e Barreto, Vicente &#8211; EVOLU\u00c7\u00c3O DO PENSAMENTRO POL\u00cdTICO BRASILEIRO &#8211; Itatiaia\/EDUSP, 464 pgs., 1989.<\/p>\n<p>9. ANEXO BIBLIOGR\u00c1FICO91.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Tipo ideal<\/span>.<\/p>\n<p>Pg.106 &#8211; Constru\u00e7\u00e3o de um tipo ideal.<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 obt\u00e9m-se um tipo ideal mediante a <span style=\"text-decoration: underline;\">acentua\u00e7\u00e3<\/span><\/p>\n<p>A &#8220;OBJETIVIDADE&#8221; DO CONHECIMENTO NAS CI\u00caNCIAS SOCIAIS. IN WEBER &#8211; SOCIOLOGIA. Org: Gabriel Cohn, Coordenador: Florestan Fernandes. Editora \u00c1tica, Quinta Edi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, 19<span style=\"text-decoration: underline;\">o<\/span> unilateral de um ou v\u00e1rios pontos de vista e mediante o encadeamento de grande quantidade de fen\u00f3menos <span style=\"text-decoration: underline;\">isoladamente<\/span> dados, difusos e discretos<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 esses dados podem acontecer em maior ou menos n\u00famero ou mesmo faltar por completo e se ordenam segundo os pontos de vista unilateralmente acentuados, a fim de se formar um quadro homog\u00e9neo de pensamento<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 trata-se de um <span style=\"text-decoration: underline;\">utopia<\/span> onde torna-se imposs\u00edvel encontrar empiricamente na realidade esse quadro na sua pureza conceituai<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 a atividade historiogr\u00e1fica determina em cada caso particular a proximidade ou afastamento entre a realidade e o quadro ideal<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 desde que cuidadosamente aplicado o conceito escolhido cumpre as fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que dele se esperam em beneficio da investiga\u00e7\u00e3o e da representa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Pg. 107. Significa\u00e7\u00e3o dos conceitos de tipo ideal para uma ci\u00eancia emp\u00edrica<\/p>\n<p>\u25a0 \u00e9 poss\u00edvel formular muitas e mesmo in\u00fameras utopias, nenhuma parecida<br \/>\ncom a outra<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 nenhuma poderia ser observada na realidade emp\u00edrica como ordem realmente v\u00e1lida numa sociedade, mas cada uma pretenderia ser uma representa\u00e7\u00e3o da ideia da cultura capitalista<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 cada uma poderia pretender reunir certas caracter\u00edsticas da nossa cultura, significativas na sua especificidade, num quadro ideal homog\u00e9neo<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 \u00e9 poss\u00edvel, assim usar diferentes princ\u00edpios de sele\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es suscet\u00edveis de serem integradas num tipo ideal de uma determinada cultura<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 \u00e9 preciso sublinhar que os quadros de pensamento ideais s\u00e3o no sentido puramente l\u00f3gico, e n\u00e3o no sentido de <span style=\"text-decoration: underline;\">exemplar<\/span><\/p>\n<p>Pg. 108 &#8211; Especificidades do tipo ideal<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 constru\u00e7\u00e3o de tipos ideais abstratos n\u00e3o interessa como fim, mas \u00fanica e exclusivamente como meio do conhecimento<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 quem quiser determinar a significa\u00e7\u00e3o cultural de um evento individual tem que trabalhar obrigatoriamente com conceitos determinados de modo preciso e un\u00edvoco sob a forma de tipos ideais<\/p>\n<p>\u25a0\u00a0\u00a0 a clareza de uma exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 prejudicada pelo car\u00e1ter impreciso dos conte\u00fados, basta uma vaga concep\u00e7\u00e3o ou a presen\u00e7a difusa de uma especifica\u00e7\u00e3o particular do conte\u00fado conceituai<\/p>\n<p><em>Trabalho Para O Curso De P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o Hist\u00f3ria Da Igreja Professor Augustin Wernet Aluno: Nei Carvalho Ducl\u00f3s<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NEI DUCL\u00d3S 1. INTRODU\u00c7\u00c3O (COM UM ADITIVO METODOL\u00d3GICO) Invocando Max Weber e seu instrumento revelador &#8211; a constru\u00e7\u00e3o de um tipo ideal &#8211; vamos tentar criar um &#8220;quadro de pensamento que re\u00fane determinadas rela\u00e7\u00f5es e acontecimentos da vida hist\u00f3rica para formar um cosmos n\u00e3o contradit\u00f3rio de rela\u00e7\u00f5es pensadas&#8221;. 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