{"id":248,"date":"2005-05-31T22:14:38","date_gmt":"2005-06-01T00:14:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=248"},"modified":"2009-12-21T00:42:42","modified_gmt":"2009-12-21T02:42:42","slug":"o-sopro-imortal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-sopro-imortal","title":{"rendered":"O SOPRO IMORTAL"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O SOPRO IMORTAL<\/p>\n<p>O texto \u00e9 uma criatura que precisa ter f\u00f4lego para sobreviver ao criador. O barro das palavras n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso soprar nele uma alma imortal. Feito o verbo do Criador, que a partir do mundo concreto, as consoantes, animou pelas vogais o pr\u00f3prio desdobramento, \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. A divindade entrou no perigoso jogo da inven\u00e7\u00e3o porque gostou do que tinha feito. Sua extrema bondade decidiu dar a luz a quem estava fora dele. Assim tamb\u00e9m a literatura. N\u00e3o basta reproduzir o pr\u00f3prio poder numa infinidade de linhas. \u00c9 preciso que em cada uma delas alguma coisa viva se mexa, e \u00e9 essa anima\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m acesa a chama que permanece. Escreva para o momento em que voc\u00ea n\u00e3o estiver mais sobre a terra e usufrua desse milagre que salta diante dos olhos como uma alegoria. N\u00e3o h\u00e1 amor maior do que descobrir no que voc\u00ea escreve o rastro de uma estrela em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>ARTHUR &#8211; A cr\u00f4nica sofre do mal da nossa \u00e9poca, que \u00e9 insistir no presente, ou melhor, nas ilus\u00f5es do tempo. Os autores procuram o sup\u00e9rfluo, determinados a n\u00e3o cansar os leitores com o brilho misterioso no alto da montanha. Perda de tempo. Na hora em que voc\u00ea termina o artigo, ele j\u00e1 se torna antigo, e quando vai para a publica\u00e7\u00e3o, chega morto ao p\u00fablico. Como tudo j\u00e1 foi escrito, ningu\u00e9m mais se abala com a m\u00ednima provoca\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que voc\u00ea encarne um esp\u00edrito maior e vista a t\u00fanica de Merlin. L\u00e1 est\u00e3o os adolescentes tentando tirar a espada da pedra.<\/p>\n<p>Um deles ser\u00e1 o escolhido. Quando Arthur consegue repetir tr\u00eas vezes o gesto imposs\u00edvel, Merlin sabe que chegou a hora. Fique de tocaia na hidra que se mexe no fundo da gruta. Ela tem mil cabe\u00e7as e um milh\u00e3o de olhos. Mas sobre isso que parece um monstro existe apenas areia. Sua op\u00e7\u00e3o pode ser o uso de um pouco de poeira para fazer funcionar a clepsidra. Mas h\u00e1 outro caminho, n\u00e3o isento de sacrif\u00edcio. Voc\u00ea entona a voz de trov\u00e3o e fala para os arbustos. O vento debocha das suas inten\u00e7\u00f5es. Mas de repente surge a salsa ardente e voc\u00ea vislumbra o eco da passagem dos centauros. Tudo besteira, dir\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 verbo se a linguagem est\u00e1 em ru\u00ednas. Quem \u00e9 voc\u00ea para contrariar os des\u00edgnios do Mal?<\/p>\n<p>Mas voc\u00ea tem uma arma secreta: sabe que vai morrer. Por isso joga o c\u00e2ntaro sobre o gr\u00e3o fino do deserto e atira-se ao pequeno monturo que consegue reunir. Quando tudo parece esvair em seus dedos, recite a frase m\u00e1gica. E, como o Criador, descubra a vogal sem nome, aquele grito dado por Deus quando viu-se cara a cara com o espelho. L\u00e1 nascer\u00e1 a sua fonte. Mas n\u00e3o se atire nela. D\u00ea de beber aos bedu\u00ednos sedentos. Eles azeitar\u00e3o as armas em tua defesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto \u00e9 uma criatura que precisa ter f\u00f4lego para sobreviver ao criador. O barro das palavras n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso soprar nele uma alma imortal. 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