{"id":2494,"date":"2011-01-15T12:40:52","date_gmt":"2011-01-15T12:40:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2494"},"modified":"2011-01-15T12:40:52","modified_gmt":"2011-01-15T12:40:52","slug":"essencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/essencia","title":{"rendered":"ESS\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m foge ao seu destino, a d\u00favida \u00e9 saber qual \u00e9. Livre-se do sup\u00e9rfluo, dizem os gurus aconselhando a reduzirmos tudo a uma ess\u00eancia desconhecida. Corre-se o risco de, ao atingirmos o osso, voltarmos a cascas antigas, comprovadamente obsoletas. Precisar\u00edamos achar um caminho de volta que n\u00e3o nos levasse a situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 superadas. Como n\u00e3o fazemos parte da natureza, j\u00e1 que somos seres culturais desvinculados do habitat bruto inicial, chegar ao que importa \u00e9 t\u00e3o complicado quanto manter-se na aliena\u00e7\u00e3o dos problemas de sempre.<\/p>\n<p>Quando chega o Ano Novo, o calend\u00e1rio faz brotar os apelos recorrentes de renova\u00e7\u00e3o e espiritualidade, coisas que s\u00e3o abandonadas j\u00e1 na primeira semana seguinte ao fim das f\u00e9rias. Sinal de que dependemos para sobreviver do que nos querem tirar. N\u00e3o fosse artigo de primeira necessidade, jamais colocar\u00edamos de volta o que aparentemente nos incomodava. Acontece com as dietas. Voc\u00ea faz a macrobi\u00f3tica, a das frutas, a da alface com r\u00facula, a do almo\u00e7o de 250 gramas e a das sopas, mas acaba resgatando ao que j\u00e1 estava acostumado.<\/p>\n<p>Talvez a nossa ess\u00eancia seja essa carga de tradi\u00e7\u00e3o jogada nos gens e no comportamento desde a pr\u00e9-inf\u00e2ncia. E passamos a vida toda tentando nos livrar do que realmente somos, uma criaturas marcadas pela simplicidade. Claro que, socialmente, \u00e9 preciso exibir alguma sofistica\u00e7\u00e3o, como os \u00e1gapes em casas sem paredes internas e de p\u00e9 muito alto, implantadas \u00e0 beira mar quando n\u00e3o havia lixo na praia e ressaca amea\u00e7ando os alicerces. H\u00e1 aquele sorver de vinhos de ocasi\u00e3o e canap\u00e9s variados, ao som de melodias up-to-date, quando tudo pediria apenas um recolhimento cedo para evitar os trastes que gostam de atacar de madrugada.<\/p>\n<p>O furor das festas \u00e9 realimentada at\u00e9 o Carnaval, para que essa ilus\u00e3o celebrativa sirva de insumo para a ind\u00fastria do espet\u00e1culo e do turismo. H\u00e1 um cacarejar geral de alegria datada, convivendo com uma devo\u00e7\u00e3o tardia de quem cansou dos encontros fortuitos e repetitivos, que apenas desmascaram a falta de v\u00ednculos afetivos. H\u00e1, claro, legitimidade em muita reuni\u00e3o de saudades estocadas. Mas estas, verdadeiras, fi\u00e9is e essenciais, n\u00e3o fazem parte nem da festan\u00e7a nem do recolhimento compuls\u00f3rio, ambos cevados a peso de ouro e a cargo dos espertalh\u00f5es de sempre.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 4\/01\/11, no caderno Variedades do Di\u00e1rio Catarinense.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Ningu\u00e9m foge ao seu destino, a d\u00favida \u00e9 saber qual \u00e9. Livre-se do sup\u00e9rfluo, dizem os gurus aconselhando a reduzirmos tudo a uma ess\u00eancia desconhecida. Corre-se o risco de, ao atingirmos o osso, voltarmos a cascas antigas, comprovadamente obsoletas. Precisar\u00edamos achar um caminho de volta que n\u00e3o nos levasse a situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 superadas. 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