{"id":2525,"date":"2011-02-09T14:20:25","date_gmt":"2011-02-09T14:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2525"},"modified":"2011-02-09T14:20:25","modified_gmt":"2011-02-09T14:20:25","slug":"memorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/memorias","title":{"rendered":"MEM\u00d3RIAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nTudo o que nos impressiona, passa. Varrendo antigas mensagens digitais, redescubro a intensidade da f\u00e9 em in\u00fameros eventos, sobre os quais nos debru\u00e7amos por anos e que acabaram num canto, como p\u00f3 esquecido pela vassoura gasta. Uma dessas obsess\u00f5es foi o reconhecimento p\u00fablico pelo trabalho desenvolvido ao longo da vida. N\u00e3o que a indiferen\u00e7a tenha nos machucado, mas sim porque perdemos aquela for\u00e7a que nos fazia acenar de um barco em alto mar para cruzeiros distantes.<\/p>\n<p>Outro foram as datas aguardadas como grandes reviravoltas. Essas realmente aconteceram, mas, surpresa geral, tudo continuou praticamente o mesmo. A mudan\u00e7a n\u00e3o foi como imaginada. Raspou-se a superf\u00edcie dos fatos, mas permaneceu o mergulho ancestral do iceberg em rota de colis\u00e3o. E prestando bem aten\u00e7\u00e3o, nem mesmo o que est\u00e1 mais expl\u00edcito e vis\u00edvel se transformou de verdade. Por mais maquiada que seja a realidade, as chuvas de ver\u00e3o se encarregam de colocar tudo abaixo, revelando os ossos de estruturas esquecidas.<\/p>\n<p>Vimos o que aconteceu na hecatombe da serra fluminense. Sem os aparatos para jogar poeira nos olhos da percep\u00e7\u00e3o coletiva, emergiu a base das comunidades: o Brasil col\u00f4nia! Pois o que vimos eram a p\u00e1 e os carrinhos-de-m\u00e3o arrostando barro ou capinando a morte, a necessidade de velas e f\u00f3sforos, e o ve\u00edculo mais antigo de nossa nacionalidade, o porrete atravessando uma lona para levar mortos e feridos. Como n\u00e3o h\u00e1 mais esperan\u00e7a de recuperar corpos em v\u00e1rios trechos remotos da grande \u00e1rea atingida, fica a terra abrigando o resultado dessa ilus\u00e3o que \u00e9 a mudan\u00e7a c\u00e9lere para o futuro, quando estamos firmemente ancorados no passado.<\/p>\n<p>\u00c9 o cora\u00e7\u00e3o que insiste em ficar para tr\u00e1s. Enquanto a mente viaja para futuros bizarros, sentimos que ainda pulsa o sol brilhando entre pedras lisas no quintal. As pipas sobrevivem, n\u00e3o mais inocentes pois, muitas vezes, servem de \u00e1libi para comportamentos invasivos atra\u00eddos para o furto. Mas elas giram no ar como o aceno referido em que tent\u00e1vamos chamar a aten\u00e7\u00e3o dos contempor\u00e2neos. Como ningu\u00e9m d\u00e1 bola, e existe vento travesso, ela acaba descendo em espiral ou se enredando nos fios.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece com nossa mem\u00f3ria, essa vida pregressa que nos assombra com seus funerais de palavras recolhidas como lixo.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 25 de janeiro de 2011 ,no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense.<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Tudo o que nos impressiona, passa. Varrendo antigas mensagens digitais, redescubro a intensidade da f\u00e9 em in\u00fameros eventos, sobre os quais nos debru\u00e7amos por anos e que acabaram num canto, como p\u00f3 esquecido pela vassoura gasta. Uma dessas obsess\u00f5es foi o reconhecimento p\u00fablico pelo trabalho desenvolvido ao longo da vida. N\u00e3o que a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2525"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2526,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2525\/revisions\/2526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}