{"id":2532,"date":"2011-02-09T14:27:50","date_gmt":"2011-02-09T14:27:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2532"},"modified":"2011-02-09T14:27:50","modified_gmt":"2011-02-09T14:27:50","slug":"diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/diversidade","title":{"rendered":"DIVERSIDADE"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nVida \u00e9 texto que se escreve para entregar no prazo. Curta, com poucas linhas, ela fica na mem\u00f3ria, a leitura. Sai num jato s\u00f3, sem direito a consertos. Pode ser revista na hora extrema, quando passa diante dos olhos como se fosse um editorial ou uma cr\u00f4nica. \u00c9 quando nos arrepiamos com os erros e pedimos uma nova chance, nem que seja para fazer uma cita\u00e7\u00e3o mais pertinente ou eliminar a repeti\u00e7\u00e3o de uma palavra na mesma frase. Mas \u00e9 tarde demais. Resta receber os parab\u00e9ns ou as cr\u00edticas por algo que poderia ser diferente.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 nosso, nem mesmo o que fizemos. Sempre haver\u00e1 algu\u00e9m que nos antecedeu em tudo ou , contempor\u00e2neo, conseguiu ser mais competente. Acalentamos por d\u00e9cadas a ilus\u00e3o de sermos pioneiros em algo at\u00e9 descobrirmos a verdade. \u00c9 in\u00fatil a diversidade: as coisas se revelam por meio de poucos protagonistas e o resto amarga o destino das flores do cerrado, que explodem anonimamente no ermo e sucumbem na primeira vira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse pequeno jardim, formado por canteiros pobres, medra o sentimento. \u00danico tesouro real no universo hostil, ele costuma ser desprezado por falta de companhia. Pior, quando algu\u00e9m presta aten\u00e7\u00e3o,estamos distra\u00eddos. E ficamos atirados, cultivando espinhos, enquanto l\u00e1 fora a primavera prepara seus assombros. Mas de nada vale uma esta\u00e7\u00e3o se n\u00e3o contar com esses pequenos cercados de indiv\u00edduos sem destino, enredados no que h\u00e1 de mais prec\u00e1rio, uma vida dedicada ao esquecimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o cai a ficha enquanto \u00e9 tempo, por isso achamos que o mundo floresce \u00e0 nossa revelia. Riscando o ch\u00e3o seco ou pisando sem querer em p\u00e9talas ca\u00eddas, olhamos para al\u00e9m da montanha, l\u00e1 onde deveria existir o vale sagrado da gl\u00f3ria. Temos tudo: terra que reage aos cuidados, plantas que conversam conosco, \u00e1guas providenciais, luz \u00e0 vontade. Mas esperamos uma carruagem, um ex\u00e9rcito, uma fortuna. Nosso olhar est\u00e1 blindado pelo Mal que ocupa a mente para melhor devor\u00e1-la.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito habitado se contenta com seu canteiro pessoal, mas n\u00e3o descuida dos grandes sinais. Sabe que os anjos recolhem apenas os que est\u00e3o preparados. O que escrevem linhas tortas num par\u00e1grafo l\u00edmpido, os que s\u00e3o relidos depois, quando tudo some. \u00c9 quando nossa vida, enfim, atinge a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 1\u00ba de fevereiro de 2011, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Vida \u00e9 texto que se escreve para entregar no prazo. Curta, com poucas linhas, ela fica na mem\u00f3ria, a leitura. Sai num jato s\u00f3, sem direito a consertos. Pode ser revista na hora extrema, quando passa diante dos olhos como se fosse um editorial ou uma cr\u00f4nica. \u00c9 quando nos arrepiamos com os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2532"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2533,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2532\/revisions\/2533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}