{"id":2613,"date":"2011-04-09T14:40:40","date_gmt":"2011-04-09T14:40:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2613"},"modified":"2011-04-09T14:40:40","modified_gmt":"2011-04-09T14:40:40","slug":"quatro-linhas-na-argila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/quatro-linhas-na-argila","title":{"rendered":"QUATRO LINHAS NA ARGILA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>A leitura de toda a vida depende da rela\u00e7\u00e3o afetiva que adquirimos na hora da alfabetiza\u00e7\u00e3o, normalmente feita na primeira inf\u00e2ncia. O amor ao ensino, fruto do carinho de quem alfabetiza, se transfere para a linguagem. Lemos porque gostamos, mas isso n\u00e3o significa que procuramos apenas divertimento. \u00c9 gratificante a conquista do conhecimento, especialmente se ele for \u00e1rduo. N\u00e3o queremos passar lotados pelo que nossos olhos e mentes aprendem com tanta disposi\u00e7\u00e3o e tempo. Algo fica e isso acaba fazendo parte da nossa identidade.<\/p>\n<p>Por mais que existam apelos para a leitura f\u00e1cil, ou diversidade oferecida por todas as m\u00eddias dispon\u00edveis hoje, \u00e9 ainda certo que a \u00e2ncora dessa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o livro. \u00c9 ele que consolida a cultura e n\u00e3o precisam ser muitos, basta que sejam bem lidos e significativos. O bom \u00e9 reler, j\u00e1 nos diziam Drummond e Borges, que acabavam sempre voltando para seus autores favoritos. N\u00e3o fa\u00e7o parte dessa tribo que refaz o caminho percorrido por grandes escritores. Leio pouco e espa\u00e7adamente e por isso n\u00e3o posso me deter num volume mais do que uma vez.<\/p>\n<p>Aprendi na faculdade de Hist\u00f3ria que um documento &#8211; no caso aqui, o livro \u2013 precisa ser visto pelo que ele \u00e9. Parece uma obviedade. Talvez seja, mas exige aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 resenhei v\u00e1rios lan\u00e7amentos sem ter lido nada antes do mesmo escritor. Peguei apenas o que vi naquele momento e dali parti para a an\u00e1lise. N\u00e3o me reportei a resenhas feitas por outros, nem quis saber o que disseram os pares do resenhado. Simplesmente me ative ao que estava escrito e com essa t\u00e9cnica consegui contribuir com alguma coisa para o que acabara de ler.<\/p>\n<p>Aconteceu v\u00e1rias vezes. A primeira resenha que fiz para a Veja era sobre um autor ent\u00e3o desconhecido, Darcy Ribeiro. Ele acabara de voltar de longo ex\u00edlio e era conhecido como educador, soci\u00f3logo e pol\u00edtico, mas n\u00e3o como romancista. Sua estr\u00e9ia na literatura deu-se com Maira, grande romance que tive o prazer de analisar para a mais prestigiada revista semanal dos anos 70. Escrevi sobre o livro e s\u00f3 depois descobri quem Darcy era. Ao meu redor, ningu\u00e9m sabia. N\u00e3o havia a facilidade de hoje, em que a wikip\u00e9dia e in\u00fameros sites e jornais on line te d\u00e3o o servi\u00e7o completo sobre autores e obras. Era tudo feito no acervo pessoal, visita a bibliotecas, compras raras de livros etc.<\/p>\n<p>Outro autor do qual nunca tinha lido nada foi o poeta Rainier Maria Rilke. Fui convidado pela Editora Globo para fazer a apresenta\u00e7\u00e3o do seu cl\u00e1ssico Cartas a um jovem poeta. O resultado foi gratificante: o texto \u00e9 citado em v\u00e1rios trabalhos acad\u00eamicos e foi saudado pela grande imprensa como uma an\u00e1lise certeira. Apliquei a t\u00e9cnica que aprendi na Hist\u00f3ria: um tablete de argila \u00e9 tudo o que temos sobre uma civiliza\u00e7\u00e3o e \u00e9 nele que devemos nos concentrar para entend\u00ea-la. Se o documento tem apenas quatro linhas, \u00e9 isso que devemos analisar.<\/p>\n<p>Mas quando nos deparamos com escritores maravilhosos, o acervo oferecido em algumas p\u00e1ginas \u00e9 mais do que suficiente para viajarmos no espa\u00e7o que ele nos abre. Assim, podemos contribuir com algo original sobre aquelas obras, gra\u00e7as a essa rela\u00e7\u00e3o afetiva que adquirimos l\u00e1 na mais profunda inf\u00e2ncia, quando somos despertados para o universo da leitura.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no jornal Momento de Uruguaiana.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s A leitura de toda a vida depende da rela\u00e7\u00e3o afetiva que adquirimos na hora da alfabetiza\u00e7\u00e3o, normalmente feita na primeira inf\u00e2ncia. O amor ao ensino, fruto do carinho de quem alfabetiza, se transfere para a linguagem. 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