{"id":2649,"date":"2011-05-04T21:49:33","date_gmt":"2011-05-05T00:49:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2649"},"modified":"2011-05-04T21:49:33","modified_gmt":"2011-05-05T00:49:33","slug":"somos-apenas-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/somos-apenas-palavra","title":{"rendered":"SOMOS APENAS PALAVRA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m do que fazemos para viver, agimos para ficar vivos. Como postar no Twitter e no Facebook: \u00e9 o que fa\u00e7o para conversar com os contempor\u00e2neos. Neste Di\u00e1rio da Fonte, costumo colocar algumas seletas. Hoje, destaco frases que tuitei durante a P\u00e1scoa. O resultado \u2013 poesia, pol\u00edtica, m\u00eddia, comportamento \u2013 est\u00e1 aqui.<\/em><\/p>\n<p>Vamos por terra, disse o marinheiro. Vamos peg\u00e1-los de surpresa<\/p>\n<p>Ok, vou bater o ponto, disse o aventureiro do deserto. Mas depois n\u00e3o se queixem se as tempestades de areia n\u00e3o tiverem com quem conversar<\/p>\n<p>O que diz o amor quando declaram guerra? &#8220;N\u00e3o de novo! Adiar para mais uma gera\u00e7\u00e3o o pote de mel que se derrama&#8221;<\/p>\n<p>Poesia n\u00e3o serve como identidade, mas \u00e9 a \u00fanica que tenho<\/p>\n<p>J\u00e1 estivemos aqui, mas n\u00e3o lembramos. S\u00f3 quando o vento chama a nova esta\u00e7\u00e3o, zunindo na nuvem<\/p>\n<p>Somos circo. Em primeiro lugar, trapezistas. E por \u00faltimo, palha\u00e7os. Para sairmos rindo do espet\u00e1culo<\/p>\n<p>Somos um s\u00f3, mas imaginados por muitas personas, que se revezam na nossa mente para nos divertir, consolar ou alertar<\/p>\n<p>Todos os personagens pedem para sair. \u00c0s vezes, no minuto seguinte ao que seu oposto se manifestou<\/p>\n<p>Jack o Marujo foi convidado para dar uma palestra de auto-ajuda numa f\u00e1brica de parafusos. &#8220;E eu com isso?&#8221; disse ele, e encerrou o evento<\/p>\n<p>Deus nos conjuga, mas n\u00e3o leva o cr\u00e9dito. S\u00f3 a f\u00e9 descobre a autoria do verbo<\/p>\n<p>Somos apenas palavra. Algu\u00e9m nos escreve. Algo nos apaga.<\/p>\n<p>Quando o poema come\u00e7a muito ruim, pe\u00e7o desculpa \u00e0 palavra e recome\u00e7o. \u00c9 preciso que ela me receba<\/p>\n<p>Gerenciei minha carreira fazendo tudo errado. No fim, deu certo, porque tomei o rumo que os outros evitavam<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 poder impactar quem nunca soube da cita\u00e7\u00e3o,o que \u00e9 raro, j\u00e1 que o ramerr\u00e3o atinge a mais tenra idade.Melhor seria voltar a ler .<\/p>\n<p>Voc\u00ea gosta de citar autores famosos? perguntei para Jack o Marujo. Gosto de citar a v\u00e9ia, respondeu o capit\u00e3o<\/p>\n<p>Essas cita\u00e7\u00f5es recorrentes de obras e autores, sempre os mesmos, com pretens\u00e3o de ainda dizer algo, n\u00e3o s\u00e3o apenas pat\u00e9ticas, s\u00e3o patetas<\/p>\n<p>H\u00e1 uma impaci\u00eancia animal no fast-food, em que as pessoas atropelam para se servir primeiro e ocupam as mesas com ru\u00eddos de guerra<\/p>\n<p>Quando \u00e9 preciso roubar muito, mas roubar mesmo, usa-se a palavra estrat\u00e9gico<\/p>\n<p>&#8220;Primeiro, estranha-se. Depois, entranha-se&#8221;. Slogan para a Coca-cola de autoria de Fernando Pessoa<\/p>\n<p>Pov\u00e3o \u00e9 a fantasia favorita do pav\u00e3o<\/p>\n<p>Celebridades internacionais descobrem o Brasil. Precisamos aumentar o n\u00famero de favelas e de capoeiristas<\/p>\n<p>Casamento do pr\u00edncipe influencia a t\u00e1bua das mar\u00e9s<\/p>\n<p>Voc\u00ea diz ou &#8220;com certeza&#8221; quando \u00e9 sim ou &#8220;fala s\u00e9rio&#8221; quando \u00e9 n\u00e3o, diz Angelica no seu show, implementando o lugar comum como refer\u00eancia<\/p>\n<p>Essas pessoas sem nada a dizer que ficam sussurrando durante horas em entrevistas fake na TV s\u00e3o apenas \u00e1libis de campanhas publicit\u00e1rias<\/p>\n<p>Comemorar gol pondo a m\u00e3o em concha no ouvido, o dedo indicador na boca ou fazendo cora\u00e7\u00e3ozinho com ajuda dos polegares \u00e9 o c\u00e2none babaca<\/p>\n<p>Sou um zero \u00e0 esquerda, disse o garoto. Permane\u00e7a assim, aconselhou Jack o Marujo. Si se mexer, v\u00e3o dizer que foste para a direita<\/p>\n<p>Jornal Op\u00e7\u00e3o \u201cSocialismo\u201d, de Godard: O Desafio de Entender (texto do jornalista @neiduclos)<\/p>\n<p>Inventar cartas de leitores fazia parte do processo de implanta\u00e7\u00e3o de um novo ve\u00edculo. &#8220;Elogia minha mat\u00e9ria a\u00ed&#8221;, diziam os rep\u00f3rteres<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m escrevia cartas para as reda\u00e7\u00f5es, a n\u00e3o ser os compulsivos ou algu\u00e9m com interesse expl\u00edcito em algo. Com o email, ficou mais f\u00e1cil<\/p>\n<p>Truque de marketing: jornal inventava cartas espinafrando a edi\u00e7\u00e3o para gerar cartas verdadeiras contradizendo as cr\u00edticas<\/p>\n<p>O verdadeiro ombudsman de um jornal ou revista \u00e9 a se\u00e7\u00e3o de cartas dos leitores<\/p>\n<p>&#8220;Certo? Errado&#8221; significa: voc\u00ea est\u00e1 iludido e eu n\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o sabe, eu sei. O uso do lugar comum desmoraliza a soberba<\/p>\n<p>&#8220;Certo? Errado&#8221; \u00e9 de matar. Ultrapassou o status do lugar comum. \u00c9 o c\u00e2none da muleta da argumenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Cortava a caixa de sapatos com a tesoura, encaixava as duas metades, fazia a cesta. Enfeitava com papel colorido recortado. Punha a palha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Al\u00e9m do que fazemos para viver, agimos para ficar vivos. Como postar no Twitter e no Facebook: \u00e9 o que fa\u00e7o para conversar com os contempor\u00e2neos. Neste Di\u00e1rio da Fonte, costumo colocar algumas seletas. Hoje, destaco frases que tuitei durante a P\u00e1scoa. O resultado \u2013 poesia, pol\u00edtica, m\u00eddia, comportamento \u2013 est\u00e1 aqui. 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