{"id":2757,"date":"2011-07-27T21:52:51","date_gmt":"2011-07-28T00:52:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2757"},"modified":"2011-07-27T21:52:51","modified_gmt":"2011-07-28T00:52:51","slug":"midias-sociais-o-desafio-teorico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/midias-sociais-o-desafio-teorico","title":{"rendered":"M\u00cdDIAS SOCIAIS: O DESAFIO TE\u00d3RICO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Tudo ficou obsoleto ou pass\u00edvel de reavalia\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o depois que a cidadania ganhou status de m\u00eddia, especialmente os conceitos sobre cultura, as an\u00e1lises sobre superestrutura, o c\u00e2none te\u00f3rico que permeia a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica at\u00e9 o in\u00edcio deste s\u00e9culo. Qualquer livro que se leia sobre ideologia ou cultura esbarra no grande caos te\u00f3rico sugerido pelas m\u00eddias sociais, que \u00e9 ao mesmo tempo arena de debate, express\u00e3o m\u00faltipla de individualidades, acervo cultural coletivo, instrumento poderoso de marketing, entre outras coisas. Enterra inclusive a vagareza da sintonia entre a produ\u00e7\u00e3o intelectual e a velocidade das transforma\u00e7\u00f5es impostas pelos recursos digitais em rede.<\/p>\n<p>O conceito de cultura popular,por exemplo, j\u00e1 tinha ido para o belel\u00e9u com a massifica\u00e7\u00e3o da TV (basta ver o fen\u00f4meno sertanojo). Hoje, com novos agentes se manifestando nas m\u00eddias sociais, que ampliam geometricamente sua expans\u00e3o e seu alcance, n\u00e3o existe mais a pir\u00e2mide social das id\u00e9ias, que se entrecruzam e se modificam no embate das mensagens e nas intera\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas emergentes. Seria for\u00e7ar a barra do que est\u00e1 acontecendo? Acredito que n\u00e3o. N\u00e3o devemos apenas nos deslumbrar com a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o em insurg\u00eancias pol\u00edticas, como acontece desde o golpe de estado do Ir\u00e3 nas suas ultimas elei\u00e7\u00f5es, que provocou rea\u00e7\u00e3o em massa reportada e estimulada pelas m\u00eddias sociais. O buraco \u00e9 mais em cima.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ficar atento aos saltos proporcionados pela conversa coletiva, em que n\u00e3o apenas frases curtas est\u00e3o em pauta, mas principalmente os links, que remetem os milh\u00f5es de autores \u00e0 diversidade cultural de todos os tempos, j\u00e1 que o universo digital hoje \u00e9 a nova biblioteca de Alexandria, que n\u00e3o nos ou\u00e7am os duendes do fogo e da destrui\u00e7\u00e3o. Pego um exemplo. H\u00e1 um vasto contingente humano fixado em m\u00fasica erudita ou na obra de Michel Foucault, por exemplo (n\u00e3o diga que n\u00e3o, basta consultar a rede). A exposi\u00e7\u00e3o dessas prefer\u00eancias provoca rea\u00e7\u00f5es e retornos que acabam modificando a percep\u00e7\u00e3o original . Se para melhor ou pior, n\u00e3o importa. O que vale \u00e9 intensa carga de relativiza\u00e7\u00e3o sobre o que entendemos por cultura e isso \u00e9 anexado naturalmente no imagin\u00e1rio e na realidade (que se confundem) do mundo de hoje.<\/p>\n<p>Vejo com tristeza as manifesta\u00e7\u00f5es contra as m\u00eddias sociais e mesmo a internet por parte de quem est\u00e1 com a vida ganha, notoriedades que atingiram a celebridade nos limites anal\u00f3gicos e que esperneiam diante da concorr\u00eancia gerada pela computa\u00e7\u00e3o integrada. Enquanto as redes tradicionais de televis\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o em geral se esfor\u00e7am para definir a vilania da internet \u2013 para assim poder, via leis, engess\u00e1-la e coloc\u00e1-la no cabresto \u2013 algumas celebridades se entregam a um l\u00fagubre canto de cisne, apontando a desfa\u00e7atez e a agressividade como hegem\u00f4nicas na rede. A internet tem de tudo e n\u00e3o pode se reduzida a um papel tosco, de coadjuvante ou de marginal.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m seriedade na abordagem por parte de muitos nichos de estudiosos, tanto da comunica\u00e7\u00e3o como de outras \u00e1reas. H\u00e1 sempre a ronda do marketing puro e simples, querendo impor a publicidade em todas as manifesta\u00e7\u00f5es das m\u00eddias sociais, como se a cidadania tivesse como destino o consumismo puro e simples, em que o cliente n\u00e3o \u00e9 gente, mas faturamento. Mas h\u00e1 resist\u00eancia, ainda pequena, mas determinante. H\u00e1 muito valor exposto na vitrina mundial dos bits e \u00e9 preciso abord\u00e1-lo com a isen\u00e7\u00e3o contaminada pela paix\u00e3o, que levaou tantos estudiosos, no passado, a gerar um grande acervo de revela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de transformar o que foi escrito no passado como se fosse in\u00fatil, ao contr\u00e1rio. Muitos autores encontraram seu ambiente natural na rede, como aconteceu com Caio Fernando Abreu, Manuel de Barros, Mario Quintana ou Clarice Lispector, exageros de postagens \u00e0 parte. Muitos te\u00f3ricos encontram tamb\u00e9m na realidade virtual um campo de concretiza\u00e7\u00e3o de profecias, como se tivessem previsto a transforma\u00e7\u00e3o radical que ir\u00edamos experimentar.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que nada surpreende a humanidade e tudo convive simultaneamente. Precisamos apenas trabalhar com o que temos e n\u00e3o criar obst\u00e1culos \u00e0 compreens\u00e3o, se encher de cuidados in\u00fateis e esperar n\u00e3o sei o qu\u00ea. H\u00e1 urg\u00eancia, mas \u00e9 necess\u00e1rio profundidade. E h\u00e1 tamb\u00e9m a vontade de anunciar, em plano geral, o que pode pegar firme no que est\u00e1 acontecendo, como tentamos fazer aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Tudo ficou obsoleto ou pass\u00edvel de reavalia\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o depois que a cidadania ganhou status de m\u00eddia, especialmente os conceitos sobre cultura, as an\u00e1lises sobre superestrutura, o c\u00e2none te\u00f3rico que permeia a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica at\u00e9 o in\u00edcio deste s\u00e9culo. Qualquer livro que se leia sobre ideologia ou cultura esbarra no grande caos te\u00f3rico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2757"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2757"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2759,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions\/2759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}