{"id":2779,"date":"2011-07-27T22:21:08","date_gmt":"2011-07-28T01:21:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2779"},"modified":"2011-07-27T22:21:08","modified_gmt":"2011-07-28T01:21:08","slug":"escolhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/escolhas","title":{"rendered":"ESCOLHAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O jornalismo parece estar entrando em descenso depois de uma fase \u00e1urea de prest\u00edgio, pelo menos como escolha de faculdade. Houve um tempo em que o vestibular para a profiss\u00e3o era t\u00e3o competitivo quanto o da medicina. Com o fim da obrigatoriedade do diploma e com a possibilidade de todo cidad\u00e3o virar m\u00eddia gra\u00e7as aos recursos digitais, parece que a antiga \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d entrou em fase decisiva de reciclagem, com algumas perdas importantes. Mas por mais que saia de moda, jamais, imagino, chegar\u00e1 ao estado em que se encontrava quando me decidi pelo of\u00edcio.<\/p>\n<p>Como passou muito tempo posso agora contar. A proximidade com os fatos cria embara\u00e7os \u00f3bvios, pois o calor do momento vibra por d\u00e9cadas. A idade avan\u00e7ada nos permite rir de tudo, pois a vida \u00e9 datada e prec\u00e1ria, s\u00f3 n\u00f3s n\u00e3o percebemos quando ainda estamos envolvidos com ela no auge da for\u00e7a. Quando eu tinha uns 16 anos fiquei rodeando o lugar que eu mais admirava, a r\u00e1dio S\u00e3o Miguel, naquela \u00e9poca dentro do padr\u00e3o Gua\u00edba de qualidade, sem interfer\u00eancias publicit\u00e1rias gravadas e com uma programa\u00e7\u00e3o musical de primeira. Tinha tamb\u00e9m um bom jornalismo,mas nisso a Charrua se destacava mais, gra\u00e7as a grandes radialistas como Mario Dino Papaleo e Mario Pinto, entre outros.<\/p>\n<p>Cheguei a entrar para oferecer meus servi\u00e7os, pois era naquilo que eu queria trabalhar. Riram do guriz\u00e3o, claro. Primeiro, n\u00e3o havia vaga, segundo, ali n\u00e3o era escola, terceiro era algo t\u00e3o remoto quanto viajar para Paris. Mas dizem que insistir \u00e9 que traz sorte, ent\u00e3o quando fui a Porto Alegre ainda sonhava com essa escolha. Mas havia resist\u00eancia forte no ambiente social. Jornalista era \u201cbo\u00eamio e tocador de viol\u00e3o\u201d. Mesmo depois de entrar para fazer est\u00e1gio na Caldas Junior,os veteranos aconselhavam os novatos a fazer concurso p\u00fablico, pois aquilo era s\u00f3 um bico. Com breve passagem pela Engenharia (onde tinha me metido para provar que poderia passar naquele vestibular tido como dif\u00edcil), escolhi o Curso de Jornalismo da Ufrgs, mas num momento tumultuado, exatamente o ano de 1968, quando o mundo explodiu na cara da nossa gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acabei saindo da faculdade quando o AI-5 expulsou os melhores professores. O curso de jornalismo se abra\u00e7ou \u00e0 Biblioteconomia e n\u00e3o havia mais nada a fazer l\u00e1. Veio a praga te\u00f3rica da \u201dcomunica\u00e7\u00e3o\u201d que imperou at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, quando as m\u00eddias sociais implodiram tudo e fizeram todas as teses sobre o futuro do jornalismo cair por terra. Estamos em plena revolu\u00e7\u00e3o, no sentido de transforma\u00e7\u00e3o radical. Na internet, mantenho o jornalismo autoral onde fui criado, pois ainda peguei a \u00e9poca em que as pessoas assinavam seus textos e podiam, dentro dos rigores da metodologia e da t\u00e9cnica, voar no texto e surpreender.<\/p>\n<p>Mas nunca esque\u00e7o o tempo em que meu dentista debochava da minha escolha e que muitos bateram na porta de casa para convencer os pais e me internar, pois eu tinha surtado ao deixar a engenharia pelo jornalismo. Foi uma escolha dif\u00edcil. N\u00e3o havia est\u00edmulo. Mas esse \u00e9 o momento apropriado para se decidir pelo front apenas com a cara e a coragem.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no jornal Momento de Uruguaiana<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O jornalismo parece estar entrando em descenso depois de uma fase \u00e1urea de prest\u00edgio, pelo menos como escolha de faculdade. Houve um tempo em que o vestibular para a profiss\u00e3o era t\u00e3o competitivo quanto o da medicina. 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