{"id":3569,"date":"2012-03-16T16:15:13","date_gmt":"2012-03-16T19:15:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3569"},"modified":"2012-03-16T16:15:13","modified_gmt":"2012-03-16T19:15:13","slug":"diretas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/diretas","title":{"rendered":"DIRETAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Se amor comportasse indiretas, Cupido usaria bumerangue e n\u00e3o setas.<\/p>\n<p>Lua \u00e9 onde voc\u00ea faz a curva.<\/p>\n<p>Dividimos o mesmo espa\u00e7o. Multiplicamos nossa diferen\u00e7a. Somamos corpos. Diminuimos a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Palavras esparramadas pela cama. Nem cabes direito. Preciso me calar por um instante.<\/p>\n<p>De que adianta? Comigo \u00e9 s\u00f3 treino. Depois pedes meu verso em sopro alheio.<\/p>\n<p>De onde venho? Do po\u00e7o dos desejos. Fui buscar teu pedido, mas \u00e9 segredo.<\/p>\n<p>Beleza \u00e9 quando puxas a coberta que ainda nem precisa. \u00c9 s\u00f3 um gesto de quem se aconchega.<\/p>\n<p>Deito ao relento no ver\u00e3o sem vento. Pinga pouco sereno, suor da Lua a pleno. Deitas ao meu lado, molhada de orvalho.<\/p>\n<p>\u00c9s c\u00e9u de Lua cheia quando a m\u00e3o imagina o seio.<\/p>\n<p>Fisgou. Atingiu o sonho, que derramou. Olha s\u00f3 que servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o pouco, deixo tudo a cargo do poema.<\/p>\n<p>Queria ser presidente da tua rep\u00fablica, cuidar das tuas \u00e1guas, defender tuas fronteiras, escutar tuas demandas. E depois abdicar e fugir contigo para algum reino.<\/p>\n<p>Volte sempre. Agora, por exemplo.<\/p>\n<p>Em vez de suspirar pelos cantos, cante seus suspiros.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 dia de reencontros. N\u00e2o vai aproveitar, divina?<\/p>\n<p>Voc\u00ea vai embora na melhor da conversa. Depois quer retomar. Tarde piaste, gaivota.<\/p>\n<p>Tua concha cabe na minha. Somos uma esp\u00e9cie mar\u00edtima.<\/p>\n<p>O que me invoca \u00e9 a desconversa depois da bandeira.<\/p>\n<p>O garoto Ver\u00e3o cresceu mas prefere ficar, nada de ir embora. O tio Outono quer expuls\u00e1-lo de casa. O velho Inverno diz que a nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem jeito. A m\u00e3e Primavera acha que ele ainda \u00e9 um menino<\/p>\n<p>Teu corpo me espera. Quem dera voc\u00ea fizesse o mesmo.<\/p>\n<p>Vou insistir. O Ver\u00e3o rompeu os limites<\/p>\n<p>N\u00e3o fique \u00e0 toa por a\u00ed. Fique \u00e0 toa por aqui.<\/p>\n<p>Detalhei minha fantasia dizendo que o alvo era outra pessoa, s\u00f3 para n\u00e3o dar bandeira. Ela fingiu que acreditou e curtiu um monte.<\/p>\n<p>Vou partir. Cuida do cora\u00e7\u00e3o, que esqueci embaixo da tua cama.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos reencontramos, escrevemos nossas mem\u00f3rias, fizemos o balan\u00e7o das vidas. Agora podemos voltar a fazer bobagens.<\/p>\n<p>Quando o ver\u00e3o se for, faremos o balan\u00e7o. Uns beijos, momentos felizes e o adeus definitivo. Estaremos inteiros?<\/p>\n<p>Cansei a vista de tanto olhar para a estrada. Volto para a varanda sonhando acordado.<\/p>\n<p>Teve o desplante de me agradecer pela felicidade. O que fazer com um derretimento desses?<\/p>\n<p>Ser teu n\u00e3o \u00e9 vantagem. O bom \u00e9 quando aceitas.<\/p>\n<p>Devia fazer como voc\u00ea e ficar em sil\u00eancio. Talvez fa\u00e7a isso. Aprenderei com a Lua.<\/p>\n<p>Lembra dos nossos arrulhos? Parece que foi h\u00e1 tanto tempo. Mas foi agora, aqui dentro. Escutei o eco.<\/p>\n<p>Estou treinando pesado para te reencontrar. Talvez n\u00e3o encontre as palavras, nem ache motivos. Mas pode ser que o sentimento emita alguns p\u00e1ssaros tontos de luz em tua dire\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Praia \u00e0 tarde tem mar mais pensativo, a elucubrar coisas com ondas introspectivas. Nos banhamos fazendo perguntas. Ele pede um tempo. Talvez responda com a Lua.<\/p>\n<p>Ainda est\u00e1 quente. N\u00e3o precisa vestir a blusa.<\/p>\n<p>R\u00e1pido beija flor que paira no ar como um recado virtual. Espiche o bico para o n\u00e9ctar que sou.<\/p>\n<p>J\u00e1 fui e voltei nessa rela\u00e7\u00e3o. Agora estou im\u00f3vel, num lugar sem estrada, esperando o trem que n\u00e3o te embarcou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Se amor comportasse indiretas, Cupido usaria bumerangue e n\u00e3o setas. Lua \u00e9 onde voc\u00ea faz a curva. Dividimos o mesmo espa\u00e7o. Multiplicamos nossa diferen\u00e7a. Somamos corpos. Diminuimos a dist\u00e2ncia. Palavras esparramadas pela cama. Nem cabes direito. Preciso me calar por um instante. De que adianta? Comigo \u00e9 s\u00f3 treino. 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