{"id":3580,"date":"2012-03-16T16:21:34","date_gmt":"2012-03-16T19:21:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3580"},"modified":"2012-03-16T16:21:34","modified_gmt":"2012-03-16T19:21:34","slug":"floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/floresta","title":{"rendered":"FLORESTA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Aperto sua m\u00e3o alegremente. Tudo ao redor \u00e9 indiferente. Nem desconfias do que eu sinto. O universo sangra.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a. Fica o registro, semente de algum encontro. Um dia seremos plantas na floresta do m\u00fatuo sentimento.<\/p>\n<p>Abri a janela para a noite. N\u00e3o vinhas, n\u00e3o vinhas. Amor, por que n\u00e3o voas?<\/p>\n<p>Vi tuas pernas, perfeitas. Pedi a Deus a receita. Quero saber como resiste ao que inventa. Se eu te imaginasse jamais te soltaria.<\/p>\n<p>Caiste da cama? perguntou o poema, na mais completa inoc\u00eancia. Sonhaste com a bela, distante?<\/p>\n<p>Vira-me as costas n\u00e3o porque me rejeitas, mas porque fiquei assim, transparente, devassado pela quantidade de flechas que Cupido soltou e saiu rindo.<\/p>\n<p>Se f\u00f4ssemos um abra\u00e7o, eu deixaria de ser a solid\u00e3o sideral do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Se eu disser algo de surpresa, acolha. \u00c9 a p\u00e9rola do bolo, o que cultivei com meu abandono.<\/p>\n<p>Acredite que \u00e9s bela n\u00e3o por ser uma evid\u00eancia. Mas porque fui destinado a celebrar o que a cria\u00e7\u00e3o imp\u00f5e com sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>E quando reconhecem tua beleza \u00e9 para fazer dan\u00e7as in\u00fateis que nada te dizem. Minhas palavras fazem mais por ti, portento.<\/p>\n<p>Agora dormirei acompanhado pelo que n\u00e3o tenho. Imagina meu calor em teu cabelo.<\/p>\n<p>Labareda de ombros, rosto de sopros. Corpo ardente que nem precisa de poema. Basta ficar perto e ser\u00e1 suficiente.<\/p>\n<p>Gostaria de saber se o destino ser\u00e1 reincidente e te levar\u00e1 para outro lugar, fora do eu te chamo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o pense que s\u00f3 isso me alimenta. \u00c9 algo mais intenso. Um canteiro que medra num vulc\u00e3o ativo.<\/p>\n<p>S\u00f3 minha gana poderia te resgatar de tantos contratempos. Te levaria para longe, para o planeta da cama.<\/p>\n<p>E assim passam os anos, flor de encantos. Passageira do meu sonho. Cora\u00e7\u00e3o vibrante onde perco o sono.<\/p>\n<p>N\u00e3o te achas linda porque n\u00e3o tenho a chance de fazer justi\u00e7a contra o mundo insano.<\/p>\n<p>Hoje te vi, sorrindo para ningu\u00e9m, desperd\u00edcio de beijos.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 proibido em torno do teu nome. N\u00e3o posso pronunci\u00e1-lo, cortina de beleza.<\/p>\n<p>Voc\u00ea inventa, me digo. Mas por que esse apego que se firma ao longo do tempo? Nada t\u00e3o persistente \u00e9 \u00e0 toa.<\/p>\n<p>H\u00e1 la\u00e7os que n\u00e3o se rompem. Nenhum acaso nos aproxima. Voc\u00ea liga e n\u00e3o sou eu que atende o telefone.<\/p>\n<p>Mil vezes imaginei te comprar um presente. Deixava perto de ti e fechava os olhos ou sa\u00eda disparando. Parece bobagem, o sofrimento.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia, que n\u00e3o tem fim, e alimenta o sonho, que se gasta ou ent\u00e3o pesa tanto que parece desist\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso confessar que te quero. Meu sil\u00eancio \u00e9 o ex\u00edlio mais fundo. Nenhuma fantasia d\u00e1 conta.<\/p>\n<p>Tanto adeus, que acabo acostumando.<\/p>\n<p>OBRA<\/p>\n<p>Mulher \u00e9 a Obra. O resto \u00e9 rascunho<\/p>\n<p>O que est\u00e1 aprontando, Senhor? perguntou o anjo. Quero fazer um up-grade na Cria\u00e7\u00e3o, disse Deus. Acho que o cara tem uma costela a mais.<\/p>\n<p>O sujeito vai durar para sempre? perguntou o anjo. N\u00e3o, vou colocar data de validade. Depois de nascer de mulher vai acabar no p\u00f3.<\/p>\n<p>Nova criatura? Diferente da outra? perguntou o anjo. Sim, disse o Senhor. Esta vai ter design.<\/p>\n<p>O dia da Mulher \u00e9 especial para testar os novos n\u00edveis das homenagens nas medi\u00e7\u00f5es do babac\u00f4metro.<\/p>\n<p>Mul\u00e9 \u00e9 quando ela manda, mui\u00e9 quando obedece.<\/p>\n<p>Hoje est\u00e1 proibido dizer &#8220;todo dia \u00e9 dia da mulher&#8221;. Demagogias in\u00e9ditas, por favor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Aperto sua m\u00e3o alegremente. Tudo ao redor \u00e9 indiferente. Nem desconfias do que eu sinto. O universo sangra. N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a. Fica o registro, semente de algum encontro. Um dia seremos plantas na floresta do m\u00fatuo sentimento. Abri a janela para a noite. N\u00e3o vinhas, n\u00e3o vinhas. Amor, por que n\u00e3o voas? 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