{"id":3645,"date":"2012-04-21T14:27:55","date_gmt":"2012-04-21T17:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3645"},"modified":"2012-04-21T14:27:55","modified_gmt":"2012-04-21T17:27:55","slug":"pulsar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/pulsar","title":{"rendered":"PULSAR"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Te guardas para quem? Ceda aos meus vinhos, colheita<\/p>\n<p>N\u00e3o se queixe da tristeza. Ela guarda um pouco do cora\u00e7\u00e3o que pulsa por algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Catei bituca de sonho para fumar escondido o agarro que n\u00e3o houve, sumida.<\/p>\n<p>N\u00e3o me aborre\u00e7a. Falas demais devendo tanto beijo. Pague a conta e depois desande, condessa.<\/p>\n<p>N\u00e3o consigo parar de pensar em ti. Vou imaginar te abandonando, como realmente aconteceu, s\u00f3 que pelo avesso.<\/p>\n<p>\u00c9s minha galeria. Cada quadro \u00e9 teu rosto refletido em mim, peregrina.<\/p>\n<p>Escassa, m\u00ednima: te flagrei dando show em pra\u00e7a de shopping. Fiquei na plat\u00e9ia, gritando nossa m\u00fasica, surdinha.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, faremos o balan\u00e7o. Prepare-se. Hoje estou sem paci\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o suportas a companhia? Bom proveito. Me entendem as andorinhas.<\/p>\n<p>Pior \u00e9 essa certeza de que fazes parte de um comportamento impune, como se a dor da perda n\u00e3o montasse guarda na fronteira do teu sonho.<\/p>\n<p>A tarde cai numa ab\u00f3bada de sil\u00eancio. Nenhum arco-\u00edris nos socorre. Mesmo a mem\u00f3ria, fada solid\u00e1ria, perdeu-se em horizontes ocultos.<\/p>\n<p>P\u00f5es na bolsa a agenda dos teus passos. Escuto l\u00e1 dentro algo para mim. Soa como um beija flor perdido na neblina.<\/p>\n<p>Beliscas palavras em minha dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 o troco recebido pela inunda\u00e7\u00e3o que te proporciono.<\/p>\n<p>Serves em p\u00edlulas tua presen\u00e7a majestosa. \u00c9 como se o mar viesse num copo.<\/p>\n<p>A blusa n\u00e3o era transparente, mas havia a sugest\u00e3o de uma certa consist\u00eancia. Apar\u00eancia da gra\u00e7a atravessando a rua sem notar o olhar encantado a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 cheia de coisas. Vou jogar tudo fora.<\/p>\n<p>A manh\u00e3 n\u00e3o alcan\u00e7a o muro do meio dia. O que me resta \u00e9 soprar improvisos enquanto ficas confinada em teus compromissos<\/p>\n<p>H\u00e1 um castelo onde fingimos morar, com fosso e guardas. \u00c9 divertido ver como tentam uma audi\u00eancia e perguntam para n\u00f3s, alde\u00f5es an\u00f4nimos que ficam nos arredores, como chegar l\u00e1.<\/p>\n<p>A porta est\u00e1 aberta. Entre, antes que alguma aventureira pense que \u00e9 para ela.<\/p>\n<p>A luz do dia, inutilmente bela, como tu, forra de azul meus minutos enquanto amargo o ex\u00edlio que o ouro do sol borra no ar.<\/p>\n<p>A luz do dia, inutilmente bela, como tu, forra de azul meus minutos enquanto amargo o ex\u00edlio que o ouro do sol borra no ar.<\/p>\n<p>Tem algu\u00e9ns que s\u00f3 beijando. Excedem.<\/p>\n<p>Cavamos na massa luminosa da estrela. Tiramos um peda\u00e7o do luar.<\/p>\n<p>Mas nada se compara ao que cultivamos a s\u00f3s. Esses girass\u00f3is bizarros de tanta luz<\/p>\n<p>Se n\u00e3o quiser, passe ao largo. Se quiser, tem passaporte.<\/p>\n<p>Depois diz que tem compromisso. N\u00e3o te acredito.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 viagem na palavra liberta. Paisagem do amor molhando o deserto.<\/p>\n<p>Abusada voc\u00ea. Sabe que \u00e9 linda e me enreda em sugest\u00f5es n\u00e3o ditas. Danada.<\/p>\n<p>Se continuares assim t\u00e3o pertinha sou capaz de romper nosso acordo e te pegar de jeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o me responder \u00e9 se fazer de est\u00e1tua, como se fosses invis\u00edvel. Esqueces que ocupas o centro da minha pra\u00e7a.<\/p>\n<p>Fiquei por \u00faltimo. Esperei que te cercassem at\u00e9 o fim da noite. Ent\u00e3o me aproximei mandando todo mundo embora. Era teu cora\u00e7\u00e3o em flor que pedia.<\/p>\n<p>Fico habitado com teu olhar. Ele se impregna como se fosse uma alma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Te guardas para quem? Ceda aos meus vinhos, colheita N\u00e3o se queixe da tristeza. Ela guarda um pouco do cora\u00e7\u00e3o que pulsa por algu\u00e9m. Catei bituca de sonho para fumar escondido o agarro que n\u00e3o houve, sumida. N\u00e3o me aborre\u00e7a. Falas demais devendo tanto beijo. Pague a conta e depois desande, condessa. 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