{"id":3662,"date":"2012-05-09T19:25:34","date_gmt":"2012-05-09T22:25:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3662"},"modified":"2012-05-09T19:25:34","modified_gmt":"2012-05-09T22:25:34","slug":"tempo-inteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/tempo-inteiro","title":{"rendered":"TEMPO INTEIRO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Poeta o tempo inteiro, cada minuto de Lua, cada por\u00e7\u00e3o do teu cheiro.<\/p>\n<p>Diga que sim. \u00c9 a \u00fanica forma de haver poesia.<\/p>\n<p>Visitei tua galeria. Sempre te achei uma pintura.<\/p>\n<p>Melhor n\u00e3o mexer com as curvas. Elas se encrespam quando voc\u00ea n\u00e3o alisa.<\/p>\n<p>Deixei em meu lugar a poesia. \u00c9 o melhor de mim, amiga.<\/p>\n<p>Desististe, enfim. Cada barco segue seu rumo. Eu prefiro assim. Consigo ser teu em minha fantasia.<\/p>\n<p>Sentiste medo, \u00e9 natural. Te arrependeste, neblina. Sou a gota de chuva em tua l\u00edngua.<\/p>\n<p>Levaste os versos que guardei para o inverno. Agora sentirei frio, sem verbo.<\/p>\n<p>Procurei nos p\u00e1ssaros o assobio noturno. O que te atrai em ruas encardidas.<\/p>\n<p>Somos poucos, em rod\u00edzio. Amargamos a solid\u00e3o do clima. Uma tempestade de neve se aproxima. Vista minha pele, t\u00edmida.<\/p>\n<p>Pode ir agora, j\u00e1 a dissolvi a banda. V\u00ea se n\u00e3o desmorona, meu encanto.<\/p>\n<p>Repartimos momentos. Todos para ti, eu fico s\u00f3 te olhando.<\/p>\n<p>N\u00e3o te chamo de querida, n\u00e3o somos \u00edntimos. Mas de musa, de outra vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de dizer, mesmo que queira. Temo esquecer o que te beija.<\/p>\n<p>Abordo tuas personagens. Mas quero tocar a inten\u00e7\u00e3o que faz a arte.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7a. Hoje \u00e9 dia de pegar o que desejas. Esse \u00faltimo eu solto na beira.<\/p>\n<p>Jogo na primeira base. N\u00e3o para fazer pontos, mas porque ali te abres.<\/p>\n<p>Se a fonte da tua beleza molhar meu beijo, tudo o que eu disser ser\u00e1 eterno.<\/p>\n<p>N\u00e3o podes escapar, cl\u00e1ssica. Sou o historiador da tua arte.<\/p>\n<p>Invente o espa\u00e7o onde me queiras. Que l\u00e1 j\u00e1 estou, divina.<\/p>\n<p>Teu rosto \u00e9 molde de deusas. O Olimpo est\u00e1 cheio de tuas curvas.<\/p>\n<p>Habito o sonho em que estamos juntos. N\u00e3o se afaste nem por um minuto.<\/p>\n<p>Pena n\u00e3o sermos as criaturas que imaginamos. N\u00e3o outra pessoa, mas contigo pendurada no meu ombro.<\/p>\n<p>Te recolheste, me deixando na sombra. Mas tenho a mem\u00f3ria da tua imagem no espelho. L\u00e1 mora a luz, amante.<\/p>\n<p>Saciada, repousas. \u00c9 quanto te atinjo ao meio<\/p>\n<p>RESSACA<\/p>\n<p>Sobreviver foi o erro. Deveria estar preso no s\u00e9culo eterno. Mas cruzei o umbral e eis-me no ermo, a solid\u00e3o do futuro.<\/p>\n<p>Sobreviventes n\u00e3o merecem homenagens. Principalmente se estiver pronto para o bote do poema.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembre, n\u00e3o sou poeta p\u00f3stumo. Nas\u00e7o amanh\u00e3, quando estiveres a postos.<\/p>\n<p>Ressaca da Lua. Balada do s\u00e1bado foi super. Hoje ela est\u00e1 an\u00f4nima no c\u00e9u. Pediu aux\u00edlio \u00e0s nuvens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Poeta o tempo inteiro, cada minuto de Lua, cada por\u00e7\u00e3o do teu cheiro. Diga que sim. \u00c9 a \u00fanica forma de haver poesia. Visitei tua galeria. Sempre te achei uma pintura. Melhor n\u00e3o mexer com as curvas. Elas se encrespam quando voc\u00ea n\u00e3o alisa. Deixei em meu lugar a poesia. \u00c9 o melhor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3662"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3662"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3662\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3663,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3662\/revisions\/3663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}