{"id":3664,"date":"2012-05-09T19:26:42","date_gmt":"2012-05-09T22:26:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3664"},"modified":"2012-05-09T19:26:42","modified_gmt":"2012-05-09T22:26:42","slug":"marcas-antigas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/marcas-antigas","title":{"rendered":"MARCAS ANTIGAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Folheei tua pele com cuidado. Tinhas marcas antigas de aus\u00eancias.<\/p>\n<p>Me tiraste da estante. Depois fui levado para o parque, onde depositas teu olhar distante em inumer\u00e1veis passeios de barco.<\/p>\n<p>Onde pousas \u00e9 o meu come\u00e7o.<\/p>\n<p>De dia, quando n\u00e3o h\u00e1 Lua, despes tua blusa, luminosa.<\/p>\n<p>Reparti o f\u00f4lego conforme te aproximavas. Quando chegaste, eu j\u00e1 estava roxo.<\/p>\n<p>Todo domingo \u00e9 dia de balan\u00e7o. Sobe e desce teu gostar grudento.<\/p>\n<p>Mostre suas feridas, disse o veterano. Ela levou, falei em surdina.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 coisa de poeta, falaram. E foram roubar terras.<\/p>\n<p>Est\u00e1s delirando, me disseram. E foram para a guerra.<\/p>\n<p>Cada momento teu \u00e9 uma hist\u00f3ria. Coleciono narrativas, minha letra de formas.<\/p>\n<p>Apareceste no banho. Tudo virou \u00e1gua, o dia, teu corpo, o sonho.<\/p>\n<p>A manh\u00e3 come\u00e7a cedo e a certa altura, cansa. \u00c9 quando lembro de ti, esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nunca perdemos tempo. O tempo sempre nos acha.<br \/>\nSaciada, repousas. \u00c9 quanto te atinjo ao meio.<\/p>\n<p>Dividimos d\u00favidas, somamos agarros, diminu\u00edmos dores, multiplicamos espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte nenhuma maquiagem sobrevive. \u00c9 quando fazemos as pazes com tua alma, humana.<\/p>\n<p>Teu artif\u00edcio n\u00e3o me engana. Mas sabes disso. Usas para estimular a dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Est\u00e1s de plant\u00e3o, sem ser obsessiva. Olhas meio de lado, sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que chamam de defeito \u00e9 pura mat\u00e9ria-prima. Gosto dos teus sinais, artista.<\/p>\n<p>\u00c9 moto cont\u00ednuo, essa compuls\u00e3o pelo la\u00e7o que nos aguarda.<\/p>\n<p>Tua presen\u00e7a real \u00e9 a melhor fantasia. D\u00e1s de dez em qualquer alegoria.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea diz que o cora\u00e7\u00e3o sangra \u00e9 apenas o prazer que se exalta diante da manh\u00e3 cheia de manha.<\/p>\n<p>Meu apoio escasso \u00e9 como a \u00faltima b\u00f3ia em naufr\u00e1gio: pode salvar, mas n\u00e3o escapa do xingamento.<\/p>\n<p>Acordei nas altas horas. N\u00e3o alcancei mais a Lua, senhora.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a solid\u00e3o que nos aproxima e sim a chance de misturar as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Precisava apenas desse aviso, de que vinhas, montada no dorso da Lua, bonita.<\/p>\n<p>A Lua agora est\u00e1 no z\u00eanite, umbigo extremo da ab\u00f3bada noturna, falso dia feito de luz fraca e fria.<\/p>\n<p>Estavas aqui agora. Sumiste atr\u00e1s da nuvem. Ainda vejo teu brilho, fazendo tran\u00e7a com a estrela.<\/p>\n<p>Te escondes em imagens prontas. Mostre seus l\u00e1bios, magn\u00edfica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Folheei tua pele com cuidado. Tinhas marcas antigas de aus\u00eancias. Me tiraste da estante. Depois fui levado para o parque, onde depositas teu olhar distante em inumer\u00e1veis passeios de barco. Onde pousas \u00e9 o meu come\u00e7o. De dia, quando n\u00e3o h\u00e1 Lua, despes tua blusa, luminosa. Reparti o f\u00f4lego conforme te aproximavas. Quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3664"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3665,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3664\/revisions\/3665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}