{"id":3670,"date":"2012-05-09T19:30:49","date_gmt":"2012-05-09T22:30:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3670"},"modified":"2012-05-09T19:30:49","modified_gmt":"2012-05-09T22:30:49","slug":"naufraga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/naufraga","title":{"rendered":"N\u00c1UFRAGA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Caimos no abismo v\u00e1rias vezes. Mas sempre sobreviv\u00edamos. Quantas vidas nos restavam, n\u00e1ufraga lind\u00edssima?<\/p>\n<p>Duas semanas entre tempestade e sol forte.A lua era mais uma d\u00favida. Bat\u00edamos na \u00e1gua mandando mensagens. Nem as sereias ouviam.<\/p>\n<p>Conseguimos fazer uma jangada e quase fomos para as pedras. Mas fizeste certo e endireitaste a vela no rumo norte. Me salvaste, como sempre.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m vir\u00e1 nos salvar, avisei. Nenhum barco, nem avi\u00e3o. Precisamos compor algo que flutue e remar com nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Recolheste conchas para ler o futuro. Havia uma estrela acima de tudo. Temos esperan\u00e7a, disseste, fecunda.<\/p>\n<p>Falei que n\u00e3o conseguiria e reagiste. Morrerei antes de ti, disse, na amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Consegui algum alimento depois de dois dias sem nos mexer neste lugar fora do mundo. Comeste s\u00f4frega, me olhando com gula, passageira muda.<\/p>\n<p>Fomos recolhidos pela praia, depois de dez dias perdidos no mar. Estavas sem f\u00f4lego, pelo susto do maior perigo, o amor s\u00fabito que veio junto ao naufr\u00e1gio.<\/p>\n<p>Colocamos a bandeira no mastro mais alto, para driblar a curvatura da terra. Poderiam nos ver de longe, n\u00e1ufragos de guerra.<\/p>\n<p><strong>ESPANTOS<\/strong><\/p>\n<p>Prefiro n\u00e3o viajar em teus espantos. Tanta coisa que n\u00e3o vejo, por pura dissid\u00eancia.Prefiro selecionar o que nos aproxima, e que \u00e9 t\u00e3o pouco.<\/p>\n<p>Te busquei \u00e0 revelia, arisca. Faz de conta que \u00e9s minha.<\/p>\n<p>Sabia que ela estava l\u00e1, por isso esperei que se anunciasse. Passou uma semana e eu congelei no jardim. Ela ent\u00e3o desceu da \u00e1rvore e arrastou sua asa de fogo em minha barba.<\/p>\n<p>Me deixou no ermo por s\u00e9culos. Depois apareceu de surpresa no nosso banco de pra\u00e7a e reclamou que eu n\u00e3o estava l\u00e1. E foi embora deixando um bilhete sobre minha indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Fez piruetas e me chamou de lobo mau enquanto eu estava ausente. Quando apareci, se escondeu atr\u00e1s de uma nuvem<\/p>\n<p>Sigo teu rastro, teus in\u00fameros rostos cativos do espelho.<\/p>\n<p>\u00c0s onze te apanho. A uma te ganho. \u00c0s tr\u00eas te acompanho. \u00c0s seis me despe\u00e7o. \u00c0s oito converso pelo telefone. Saudade, ora essa.<\/p>\n<p><strong>LUA<\/strong><\/p>\n<p>Fase da Lua \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de fantasmas. Pingentes, crescentes, minguantes. S\u00f3 a Cheia \u00e9 real como um beijo.<\/p>\n<p>Lua \u00e9 mulher que o poeta cultua. Presente, bela, distante. O luar \u00e9 o seu diamante.<\/p>\n<p>A Lua n\u00e3o cansa da poesia. Toda vez que algu\u00e9m canta seu brilho, se desmancha<\/p>\n<p>Fomos de barco. Levamos a Lua cheia na cabine. Ela gostou, principalmente dos peixes que saltavam do mar para as estrelas.<\/p>\n<p>A Lua n\u00e3o cansa da poesia. Toda vez que algu\u00e9m canta seu brilho, se desmancha.<\/p>\n<p>No fim da tarde, a transparente Lua cheia, ainda maquiada pelo dia, surgiu a pleno sobre a rua. Lua luando.<\/p>\n<p>J\u00e1 vi a Lua, mas \u00e9 bom que me avises. Assim compartilhamos a surpresa de uma deusa a passeio, sobre nossa conversa, tamb\u00e9m cheia de sonhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Caimos no abismo v\u00e1rias vezes. Mas sempre sobreviv\u00edamos. Quantas vidas nos restavam, n\u00e1ufraga lind\u00edssima? Duas semanas entre tempestade e sol forte.A lua era mais uma d\u00favida. Bat\u00edamos na \u00e1gua mandando mensagens. Nem as sereias ouviam. Conseguimos fazer uma jangada e quase fomos para as pedras. 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