{"id":697,"date":"2009-12-12T21:39:06","date_gmt":"2009-12-12T23:39:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=697"},"modified":"2009-12-21T23:38:32","modified_gmt":"2009-12-22T01:38:32","slug":"nosso-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/nosso-dinheiro","title":{"rendered":"NOSSO DINHEIRO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>Chega a enjoar a quantidade de vezes em que \u00e9 usada a express\u00e3o \u201cnosso dinheiro\u201d quando se fala em recursos p\u00fablicos recolhidos dos impostos. \u00c9 a mesma nomenclatura da bandidagem. \u201cOnde est\u00e1 o meu dinheiro?\u201d diz o fac\u00ednora, perguntando pela grana da v\u00edtima. Com uma diferen\u00e7a: o algoz reivindica o que nunca foi seu, enquanto o cidad\u00e3o quer de volta o que n\u00e3o \u00e9 mais seu (mesmo que, por lei, tenha de ser usado a seu favor).<\/p>\n<p>D\u00e1 para entender porque se diz isso de maneira t\u00e3o recorrente e de maneira impune. \u00c9 porque todo dinheiro, num pa\u00eds desprovido da for\u00e7a leg\u00edtima do Estado, est\u00e1 \u00e8 deriva e, em tese, qualquer um pode se apossar dele, sob os mais variados pretextos. Tanto o assaltante quanto o cidad\u00e3o se consideram expropriados de seus direitos. Os m\u00e9todos divergem. Um usa arma, outro simplesmente protesta. Isso abre a guarda para a demagogia nas campanhas pol\u00edticas ou na economia de auto-ajuda. Quando algu\u00e9m fala em nosso dinheiro, est\u00e1 tentando ganhar apoio, ou seja, dinheiro.<\/p>\n<p>Recurso p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 propriedade de indiv\u00edduos ou empreendimentos. O dinheiro pertence ao Estado e a mais ningu\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 mais seu, meu ou nosso. Sen\u00e3o, qualquer um poderia retirar do cofre coletivo o que bem lhe aprouvesse. Pode-se argumentar: sim, mas esse montante pertencia \u00e0 sociedade, que foi injustamente aliviada do que \u00e9 seu e agora est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o oficial. Pertenciam. Esse \u00e9 o ponto. A sociedade outorga ao Estado a fun\u00e7\u00e3o de dispor do caixa.<\/p>\n<p>No momento em que voc\u00ea n\u00e3o reconhece o Estado como propriet\u00e1rio leg\u00edtimo (governo \u00e9 s\u00f3 o gerente) do dinheiro p\u00fablico, voc\u00ea terceiriza a responsabilidade de trabalhar a favor de um governo fundado na \u00e9tica. No fundo, queremos a bufunfa de volta, pois aqui debaixo do colch\u00e3o faremos melhor proveito dela.<\/p>\n<p>O dinheiro \u00e9 da na\u00e7\u00e3o, mesmo que exista gest\u00e3o participativa. A sociedade pode decidir o rumo, lutar para diminuir o arrocho arrecadador, mas jamais poder\u00e1 negar a natureza dos recursos que pertencem ao Estado. A n\u00e3o ser que se funde outro regime, sem a presen\u00e7a desse poder que paira, em tese, acima do c\u00edrculo pessoal. A\u00ed sim, o dinheiro vai pertencer a todo mundo. Ou seja, a ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recurso p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 propriedade de indiv\u00edduos ou empreendimentos. O dinheiro pertence ao Estado e a mais ningu\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 mais seu, meu ou nosso. Sen\u00e3o, qualquer um poderia retirar do cofre coletivo o que bem lhe aprouvesse. Pode-se argumentar: sim, mas esse montante pertencia \u00e0 sociedade, que foi injustamente aliviada do que \u00e9 seu e agora est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o oficial. Pertenciam. Esse \u00e9 o ponto. A sociedade outorga ao Estado a fun\u00e7\u00e3o de dispor do caixa.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6,14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/697"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=697"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1829,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/697\/revisions\/1829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}