{"id":778,"date":"2009-12-13T00:16:58","date_gmt":"2009-12-13T02:16:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=778"},"modified":"2009-12-21T22:55:28","modified_gmt":"2009-12-22T00:55:28","slug":"conquista-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/conquista-coletiva","title":{"rendered":"CONQUISTA COLETIVA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o exaustiva de eventos chama-se redund\u00e2ncia e n\u00e3o informa\u00e7\u00e3o, que sempre foi um artigo escasso. A pepita, a luz do entendimento sobre os fatos, jaz no fundo do rio por falta de bateias, aquele instrumento solo que sumiu diante da lavagem mecanizada dos detritos. Procurar saber d\u00e1 trabalho. Melhor \u00e9 se entregar \u00e0 ilus\u00e3o de que estamos bem informados, enquanto n\u00e3o conseguimos explicar o grande vazio provocado pelo consumo de gordura trans do notici\u00e1rio.<\/p>\n<p>A pregui\u00e7a de ir atr\u00e1s resiste, mesmo na atual fase de excesso de oferta de pistas para chegarmos ao ponto. Talvez a reprodu\u00e7\u00e3o em massa do sup\u00e9rfluo tenha aprofundado nossa natural falta de empenho para conseguir nutri\u00e7\u00e3o verdadeira. Ou o acesso ao b\u00e1sico por meio das ferramentas de busca tenha suprido tudo que almej\u00e1vamos nesta vida de nega\u00e7as e subterf\u00fagios. Ficamos devendo quando queremos descobrir o essencial, que s\u00f3 \u00e9 vis\u00edvel para os olhos de quem n\u00e3o desiste no primeiro round.<\/p>\n<p>Isso exclui aquelas obsess\u00f5es que geram chatos especializados em Napole\u00e3o, por exemplo. Ningu\u00e9m pode debater com um renitente colecionador de detalhes sobre seu objeto de estudo. Qualquer coisa que se diga enfrentar\u00e1 o sorriso alvar das certezas. A informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a batalha de Waterloo dos leigos. N\u00e3o somos derrotados por sabermos pouco ou nada sobre o que procuramos em v\u00e3o, na pilha de coisas que escondem o ouro. Nem santos por persistirmos por d\u00e9cadas na ca\u00e7a \u00e0s verdades em fuga.<\/p>\n<p>O quem nos faz especiais \u00e9 reconhecer que poderemos esquecer quase tudo o que pesquisamos exaustivamente. \u00c9 ser civilizado o suficiente para repartir o que temos sem demonstrar arrog\u00e2ncia. Ou ainda, saber se levantar depois de ser derrubado por uma pergunta tosca, a que nos desarma por desmascarar o ac\u00famulo de sabedoria que cevamos por d\u00e9cadas. Uma d\u00favida bem formulada pode nos fazer o bem, mesmo que a sensa\u00e7\u00e3o seja a de perder a auto-estima para sempre. Ser humano \u00e9 levantar-se todos os dias.<\/p>\n<p>Investir sobre um assunto requer n\u00e3o a paci\u00eancia dos sabich\u00f5es, mas a capacidade de encarar nossa natural miopia como um aliado. Quanto mais sinceros formos, melhor para todos. A vontade de acertar, junto com a honestidade , poder\u00e3o nos levar com seguran\u00e7a at\u00e9 um local in\u00e9dito, ainda n\u00e3o vislumbrado pela aten\u00e7\u00e3o de bilh\u00f5es de olhos. A respons\u00e1vel pela qu\u00edmica certa dessas qualidades \u00e9 a ousadia. Construir um caminho reconhec\u00edvel no caos movedi\u00e7o das teorias e dos vest\u00edgios gera espontaneamente a gra\u00e7a de profetizar o oculto, de insuflar alma imortal no barro coletivo. O \u00fanico perigo \u00e9 ser apontado como algu\u00e9m \u201c\u00e0 frente do seu tempo\u201d, como se o tempo n\u00e3o se bastante em cada instante desta vida dura.<\/p>\n<p>Dizem que in\u00fameras descobertas foram feitas por acaso. Talvez a verdadeira pesquisa esteja a cargo de outro algu\u00e9m, que nos usa sem se expor. Quando menos esperamos, brilha o veio que estava disfar\u00e7ado sob o limo. Quanto mais gente estiver engajada nesse jogo, menos teremos de nos preocupar com a superficialidade das not\u00edcias. Abandonaremos assim a ansiedade de querer saber apenas apertando um bot\u00e3o. Voltaremos \u00e0s rodas de conversa, ao rod\u00edzio das palavras ditas em voz alta e semeadas em colunas de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 menos press\u00e3o e a gana por novidades ceder\u00e1 para o que realmente interessa. \u00c9 poss\u00edvel que tenhamos a sorte de vermos toda essa roda vida de inutilidades ganhar novo rumo e partir para o conhecimento sincero, conquistado com alegria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A repeti\u00e7\u00e3o exaustiva de eventos chama-se redund\u00e2ncia e n\u00e3o informa\u00e7\u00e3o, que sempre foi um artigo escasso. 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